MIRANTE

31 de Janeiro de 2026

Facção

O Ministério Público aponta que o PCC já lucra R$ 10 bilhões ao ano, com o tráfico internacional de cocaína como carro-chefe. A facção já está na quarta década de existência. Lincoln Gakiya, uma das maiores autoridades no combate ao crime organizado, em entrevista ao Estadão, afirmou que, atualmente, vê o PCC “muito semelhante” às máfias italianas. “Inclusive o modus operandi, o próprio assassinato do Antônio Vinícius Gritzbach, que era um réu colaborador meu do Ministério Público, fui eu que o trouxe para fazer colaboração, isso demonstra a omertà, que é o código do silêncio (associado às máfias)”, disse.

Facção I

Gakiya também afirmou que o PCC não aceita, por exemplo, delator, seja ele colaborador, não integrante ou integrante. “A pena para isso é a morte, o que é muito semelhante ao que ocorre nas máfias italianas (…) O PCC hoje, como se tornou hegemônico, principalmente no Estado de SP, não tem mais aque-la preocupação em proteger o seu território, que já é dele. As grandes comunidades, onde eles praticam o tráfico de entorpecentes etc, já são territórios dominados pelo PCC (…) Então, eles passaram a otimizar o seu tempo e os recursos para uma lavagem de di-nheiro estruturada, que começou, primeiro, com a compra de automóveis, de imóveis e empresas de fachada”, explicou.

Troca

A troca do comando da Casa Civil do Governo de SP está relacionada a movimentações políticas. Arthur Lima, amigo de infância do gover-nador Tarcísio de Freitas (Repu-blicanos) e considerado seu braço direito, acumulou críticas de aliados e prefeitos do interior pela dificuldade na liberação de recursos para municípios paulistas. Já Roberto Carneiro, que assumiu a pasta, teve seu nome avalizado, no final do ano passado, pelo secretário de Governo, Gilberto Kas-sab, que havia dito que disse que deixaria o governo para coorde-nar a eleição do seu partido e teria sugerido Carneiro para o cargo. Ele também é próximo ao presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira.

Pulverização

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, recém filiado ao PSD de Gilberto Kassab, que já conta com os governadores do Paraná, Ratinho Jr., e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, defendeu a pulverização de candidaturas no campo da direi-ta como estratégia para enfrentar o PT. Para Caiado, a concentração em um único nome favorece o governo. Sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), comentou que não há garantias de que um nome apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha vantagem automática na disputa. “Uma coisa é ele ser candidato, outra é indicar alguém. Não existe transfe-rência total”, disse.

Emendas

O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) aumentou em mais de 70% as emendas voluntárias pagas a Prefeituras e organizações sociais indicadas por deputados do PT em 2025, de acordo com o Estadão, totalizando R$ 143 milhões. Com este valor, a maior bancada de oposição na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) superou o montante recebido pelos partidos da base, tais como União Brasil, o PSD e o Podemos. Em 2025, ape-nas o PL (com R$ 356,8 milhões), o Republicanos (R$ 157 milhões) e o PSDB (R$ 152,5 milhões) foram mais atendidos pelo governo do que a bancada petista.

Aval

Apesar do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ter declarado que não vai concorrer à Presidência e ter prometido apoiar o nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ele ainda é o favorito de boa parte do empresariado para disputar a eleição presidencial. O empresário Antonio Carlos Pipponzi, do grupo RD Saúde, das marcas Raia e Drogasil, resumiu a avaliação do empresariado sobre a possível candidatura, ao Estadão: “Tarcísio não se lançará candidato sem o aval de Bolsonaro. Mas, se as pesquisas não demonstrarem força da candidatura de Flávio, vejo boas chances de Tarcísio vir a ser indicado. E, nesse caso, acredito que aceitaria”.

Última

Mário Luiz Sarrubbo cumpriu sua última agenda pública, como secretário nacional de Segurança Pública (SENASP), na terça (27), no Consórcio ABC, em Santo André. Na ocasião, comentou que a União federal não quer comandar a segurança pública do Brasil. “Não há PEC querendo comandar a segurança pública do Brasil. A proposta do governo federal, do presidente Lula é de coordenação, o que significa dizer organização, fomentar a integração, ajustar e potencializar o financiamento, mas mais do que isso, trabalhamos juntos para me-lhorarmos a segurança pública do Brasil”, esclareceu.

Última I

De acordo com Sarrubbo, a intenção do governo federal é fortalecer os entes federados, as forças de segurança e buscar a integração entre todas as forças de segurança do Brasil. “É isso que procuramos fazer nestes últimos dois anos”, ressaltou. Ainda pontuou que os “projetos (desenvolvidos pela Secretaria) vão muito além” do Legislativo. “São vários projetos, muito além do campo legislativo, porque fala-se muito da PEC da Segurança, da Lei Anti Facção, mas são muitos projetos estrutu-rantes que estamos deixando como legado e um legado trabalho esse que continuará em 2026. Claro que o nosso querido Chico Lucas (seu subs-tituto) levará adiante para além de outros que surgirão”, conclui.

Lançamento

O prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira, revelou à Folha, na terça (27), durante evento de lançamento do Núcleo Especial de Políticas para as Mulheres, que a Prefeitura irá criar a GISE (Gerência de Indicadores Sociais e Econômicos). “Será criada a GISE para tomada de decisão. Então, todos os dados de todas as secretarias serão lançados e serão rea-lizadas as reuniões técnicas. Vamos conseguir avaliar o que cada secretaria faz e em alguns casos se houver duplicidade de serviço, vamos conseguir otimizar e melhorar os fluxos internos, assim como foi feito na Escola de Ouro Andreense”, contou.

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