AME Memórias de São Bernardo

Os primeiros edifícios de São Bernardo

Edifício Wallace Simonsen, década de 1950 (Acervo: Prefeitura de São Bernardo)

Quando estive em São Bernardo pela primeira vez, em 1971, encontrei no centro da cidade, ruas arborizadas com muitas casas contendo quintais grandes e aconchegantes, com parreiras de uva e flores – um ar interiorano de tranquilidade. A rua Marechal Deodoro ainda possuía residências, não muitas lojas, sendo apenas duas delas de roupas femininas: o Magazine Lazzuri e a Prelude Modas.
Destacando-se das residências pela sua altura, somente dois edifícios habitados e um outro sendo finalizado na sua construção. Meu guia pela cidade era o meu namorado, Vicente D’Angelo, que me apresentou, orgulhoso, o edifício Wallace Simonsen, o primeiro edifício residencial construído em São Bernardo, com uma altura considerável para a época: oito andares e abrigava no andar térreo a primeira agência bancária da cidade, o Banco Noroeste do Estado de São Paulo.
A construção recebeu o nome de Edifício Wallace Simonsen, o principal líder da emancipação da cidade em relação a Santo André, acontecida em 1944. Simonsen era o presidente deste banco. O edifício, construído na década de 1950, imperou sozinho na Rua Mal. Deodoro, esquina com a Rua Dr. Flaquer, até a década de 1960, quando foi construído o segundo edifício residencial, com dez pavimentos e lojas no andar térreo, na Rua Dr. Flaquer esquina com a Av. Faria Lima.
O autor do projeto foi o arquiteto Jorge Bonfim. Seu sócio, Felício Pelosini, deu o nome de sua filha, Regina Helena à nova construção. Somente na década seguinte surgiu o Edifício Rio Branco, na Rua Rio Branco, quase esquina com a Av.Faria Lima, com 12 pavimentos e que abrigou, no térreo, o Supermercado Pão de Açúcar por muitos anos. O arquiteto Jorge Bonfim, mais uma vez, foi o autor do projeto.
A construção foi finalizada no ano de 1974, onde, já casada com o Vicente, fomos a segunda família ali a residir. Desta data em diante, com a industrialização acelerada, toda a cidade prosperou bastante e as residências centrais foram engolidas pelos mais diversos empreendimentos imobiliários. Hoje, os três primeiros edifícios construídos em São Bernardo, passam quase despercebidos num mar de concreto.

Elexina N. de Medeiros D’Angelo – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo)

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