O ano de 2026 começou com o ataque mais forte contra um país da América Latina em décadas. Nos primeiros dias do ano, os Estados Unidos ocuparam as manchetes pelo mundo inteiro com a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
O Exército dos Estados Unidos realizou bombardeios em Caracas e em outras regiões ao norte da Venezuela, na madrugada do sábado (3), para a captura de Maduro. A ação foi autorizada pelo presidente americano, Donald Trump.
Para o ataque, os Estados Unidos lançaram cerca de 150 aeronaves. O ataque abriu caminho para helicópteros da Força Especial Delta se dirigirem para o Fuerte Tiuna, no sul de Caracas, onde Maduro estava escondido. As tropas americanas trocaram tiros com forças de segurança presidenciais. Logo depois, os soldados chegaram até Maduro, antes dele conseguir fechar a porta de um bunker. O presidente venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados para os Estados Unidos.
Nicolás Maduro ocupava a presidência da Venezuela desde 2013. Sua captura põe fim, também, a 27 anos de chavismo na Venezuela. O chavismo é a ideologia oficial do país e este movimento permaneceu no poder na Venezuela desde 1999, por meio dos governos do próprio Hugo Chávez (1999–2013) e de Maduro (desde 2013). Chávez, na ocasião, mudou a Constituição e ampliou os poderes presidenciais.
Porém, a situação do governo para Maduro era bem mais difícil do que a do padrinho político. O petróleo, base da economia venezuelana, já não ajudava tanto. O preço do barril teve uma queda forte logo no início do mandato dele. A economia entrou em colapso e a inflação disparou, com pico de 130.000% num ano. A população enfrentou a escassez de produtos. A insatisfação dos venezuelanos aumentou e, com ela, a repressão violenta, e o desgaste das instituições. Maduro substituiu 13 juízes do Tribunal Supremo de Justiça. Anulou os poderes do Parlamento depois que os deputados da oposição conquistaram a maioria da Casa. Protestos se espalharam pelo país em 2017. O governo reprimiu com violência. Ao menos 120 pessoas morreram e milhares foram presas.
A taxa de pobreza na Venezuela teve uma escalada altíssima. Atualmente, mais de 50% da população vive abaixo da linha da pobreza e 8 milhões de venezuelanos já deixaram o país, impulsionados pela crise econômica e política.
Em 2025, mais uma eleição contestada. Brasil, Estados Unidos, Europa e dezenas de países não reconheceram a vitória de Maduro. Ainda assim, o ditador permaneceu no poder.
A captura de Maduro rompe a paz que se instaurava entre os países da América Latina há décadas e coloca em dúvida sobre como deverão ser, a partir de agora, os limites nas relações entre potências e países com menor poderio econômico e bélico.
Embora Maduro fosse considerado, por diversos países democráticos como um presidente ilegítimo e um tirano, a ação de captura do presidente, sem o país não estar em guerra civil, é ilegítima. Não houve respeito à soberania venezuelana, pois um país não pode, do nada, se portar como “xerife do mundo”. Foi aberto um precedente horrível, que muda a forma como grandes potências econômicas e militares se relacionam com países menores. Trata-se de uma situação que se imaginava encerrada com o fim da Segunda Guerra Mundial.
Ainda que os Estados Unidos tenham justificado o ataque, no qual ao menos 40 pessoas morreram, com acusações de narcotráfico contra Maduro, o real interesse do governo Trump está no petróleo da Venezuela, pois o país detém a maior reserva de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris.
Portanto, agora, é fundamental que haja uma transição pacífica para a democracia na Venezuela, com eleições para a escolha de um novo presidente, que seja capaz de restabelecer a prosperidade econômica, sem que o país troque o chavismo pelo trumpismo.













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