A Medida Provisรณria (MP) 892/2019, que dispensava empresas de capital aberto de publicar demonstraรงรตes financeiras em jornais impressos, perdeu a validade na terรงa (3), sem nem entrar na pauta da Cรขmara dos Deputados. Editada em agosto, ela foi rejeitada na comissรฃo mista em 12 de novembro e nem chegou a ser votada nos plenรกrios da Cรขmara e do Senado. O prazo para o Congresso analisar a MP era de 120 dias.
A MP 892 foi editada em 6 de agosto รบltimo pelo presidente Jair Bolsonaro com o intuito de reduzir o custo das empresas pรบblicas e privadas, que nรฃo teriam mais que pagar para publicar seus balancetes em jornais e passariam a divulgar esses documentos apenas em mรญdias digitais. Na ocasiรฃo, contudo, o prรณprio Bolsonaro sugeriu que a proposta poderia inviabilizar o funcionamento de alguns jornais porque tiraria uma fonte de receita importante dessas companhias. Com a medida, os jornais brasileiros poderiam perder o faturamento de R$ 600 milhรตes anuais. โEssa imprensa que eu tanto amo. Quantas vezes nรณs abrimos os jornais e temos ali balanรงos de grandes empresas, como a Petrobras, dezenas de pรกginas, bem como outras empresas nรฃo estatais, tambรฉm com algumas pรกginas publicando seu balanรงo. Entรฃo para ajudar a imprensa de papel e para facilitar a vida de quem produz tambรฉm, a nossa Medida Provisรณria faz com que o empresรกrio possa publicar seus balanรงos a custo zero em sites da CVM ou no Diรกrio Oficial da Uniรฃoโ, afirmou. E ainda completou: โretribuรญ parte daquilo (com) que grande parte da mรญdia me atacouโ.
A MP 892 foi uma tentativa de agressรฃo ร liberdade e a independรชncia da imprensa, uma tentativa de prejudicar financeiramente os jornais impressos. Principalmente, para os jornais regionais, que tรชm na publicaรงรฃo dos balanรงos empresariais uma de suas principais fontes de receita.
A MP 892 jรก havia recebido parecer contrรกrio de uma comissรฃo parlamentar mista que viu a proposta como um ataque do governo Bolsonaro ร imprensa, mas ainda poderia ser retomada caso fosse votada nos plenรกrios da Cรขmara e do Senado. Essa votaรงรฃo, porรฉm, precisava ser realizada atรฉ terรงa (3), no รบltimo dia de vigรชncia da MP, o que nรฃo aconteceu. Na Comissรฃo Mista para anรกlise da medida, foi aprovado o parecer da senadora Rose de Freitas (Podemos) recomendando sua rejeiรงรฃo. โHรก argumentos tecnicamente sรณlidos para sustentar a inconstitucionalidade da MP 892/2019, seja pela falta de relevรขncia e urgรชncia, seja pela violaรงรฃo do art.170 da Constituiรงรฃoโ, apontou o relatรณrio.
Agora, ainda falta que o Congresso dรช o mesmo destino a MP 896/2019, tambรฉm editada pelo presidente, que altera a Lei de Licitaรงรตes, a Lei do Pregรฃo, a Lei das Parcerias Pรบblico-Privadas e a Lei do Regime Diferenciado de Contrataรงรฃo, que excluรญ a exigรชncia de publicaรงรฃo em jornal de grande circulaรงรฃo de ato licitatรณrios, substituindo-a pela publicaรงรฃo em site de internet indicado pelo poder pรบblico respectivo. Em outubro, o ministro do Supremo Tribunal de Justiรงa (STF), Gilmar Mendes, suspendeu a eficรกcia da MP 896 atรฉ sua anรกlise pelo Congresso.
Espera-se que o Congresso dรช ร MP 896 o mesmo destino da MP 892, ou seja, a caducidade e que o presidente nรฃo reapresente, no prรณximo ano, a MP 892, posto que a legislaรงรฃo permite, que uma medida provisรณria seja representada no ano seguinte ao ter perdido validade ou ter sido rejeitada pelo Legislativo. E assim, nรฃo seja violada a liberdade de imprensa.











