O presidente Jair Bolsonaro (PSL) jรก afirmou que nรฃo lรช jornais para nรฃo comeรงar o dia envenenado, e o ex-presidente Luiz Inรกcio Lula da Silva (PT) disse que os evitava para nรฃo ter azia. A hostilidade ร imprensa inclui desde apelidos pouco agradรกveis aos meios de comunicaรงรฃo ร s tentativas concretas de controle sobre a mรญdia.
Recentemente Bolsonaro anunciou o fim da obrigatoriedade da publicaรงรฃo de balanรงos por empresas na mรญdia impressa, a medida ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, decisรฃo que apesar do apelo ambiental e econรดmico, pode ser interpretada como um ato de retaliaรงรฃo contra coberturas jornalรญsticas que deixaram o presidente bem insatisfeito. Porรฉm, na รฉpoca do governo Lula, a mรญdia tambรฉm passou por apuros. O ex-presidente ensaiou a criaรงรฃo de um Conselho Federal de Jornalismo, cujo projeto chegou a ser enviado ao Congresso em 2004, mas, a iniciativa foi derrubada pelos deputados, apรณs sรฉrie de crรญticas.
ร possรญvel afirmar que tanto Bolsonaro, quanto Lula, nรฃo tรชm tolerรขncia a crรญtica elaborada pela mรญdia e mobilizam suas bases eleitorais utilizando uma forma de โmeio diretoโ. No caso de Bolsonaro, as redes sociais e, de Lula, o โpalaqueโ, com discursos quase que diรกrio, a maioria de improviso.
Os jornalistas precisam analisar o governo com seriedade, e ainda ouvir a opiniรฃo pรบblica da sociedade em geral. As crรญticas jornalรญsticas aos governantes, mesmo injustas, muitas vezes, fazem parte do jogo. Governo e imprensa nรฃo podem nem devem ter uma relaรงรฃo promรญscua. ร natural uma tensรฃo entre as instituiรงรตes. Nรฃo se deve incentivar o โnรณs contra elesโ, sob nenhum aspecto. Sรณ o Paรญs perde com isso.
Tambรฉm รฉ preciso honrar os princรญpios sacros de todo jornalista: รฉtica, imparcialidade e independรชncia. Fazer jornalismo de qualidade nรฃo รฉ militar de acordo com suas preferรชncias pessoais sobre a polรญtica ou sobre seus governantes.
Uma anรกlise nรฃo ingรชnua do cotidiano sugere afirmar que a polรญtica รฉ um show de encenaรงรฃo, um verdadeiro espetรกculo marqueteiro e cabe aos jornalistas nรฃo ficarem refรฉns desses atores, no teatro do poder. Fazer jornalismo de qualidade รฉ cobrir os fatos, com clareza, profundidade e imparcialidade.
A imprensa sรฉria e independente รฉ essencial para um Paรญs democrรกtico. ร preciso coragem e humildade para rever atitudes e enxergar novos contextos. A agressividade como forma de comunicaรงรฃo, seja por parte da imprensa, ou dos governan-tes, nรฃo pode dar certo. Provoca antipatia e transferem para as mรฃos do que se apresentam como โvรญtimasโ da comunicaรงรฃo, uma verdadeira โmetralhadora giratรณriaโ, pois, no mundo atual, a forรงa emocional das percepรงรตes sensoriais importam mais que a objetividade dos fatos. E, quem รฉ o mocinho, pode se tornar o vilรฃo, de maneira rรกpida e desproporcional.
Portanto, aos jornalistas, รฉ preciso depor as armas da militรขncia e fazer o verdadeiro jornalismo e aos governantes, descer do palanque e assumir a posiรงรฃo de presidente, governador ou parlamentar de todos os brasileiros. O diรกlogo, ponderado e imparcial, de ambas as partes, ainda รฉ o melhor caminho para o Paรญs.











