Um dos grandes desafios de 2022, alรฉm do cenรกrio desfavorรกvel da economia, serรก o combate ร desinformaรงรฃo. Avaliar que a realidade รฉ complexa e passรญvel de mรบltiplas interpretaรงรตes, percepรงรตes e opiniรตes, รฉ sugerir a manipulaรงรฃo dos fatos para levar uma parcela da populaรงรฃo a determinados interesses.
A prรกtica da desinformaรงรฃo ganhou um poder bombรกstico, por meio das redes sociais. Um dos conceitos mais atacados รฉ o da liberdade. Como conceitua o filรณsofo francรชs Jean Paul Sartre (1905-1980), a liberdade รฉ uma condiรงรฃo intransponรญvel do homem, da qual, ele nรฃo pode, definitivamente, esquivar-se, ou seja, o ser humano estรก condenado a ser livre. Para Sartre, nรฃo hรก princรญpios, inteiramente feitos ou construรญdos, que possam guiar ou nortear a escolha humana.
Mas, a desinformaรงรฃo utiliza desse desejo inerente do ser humano, para uma perversa manipulaรงรฃo e inversรฃo de valores. Um exemplo disso รฉ a liberdade de expressรฃo, que รฉ garantida pela Constituiรงรฃo de 1988. Qualquer pessoa tem direito ร liberdade de expressรฃo. Direito que compreende a liberdade de opiniรฃo, a liberdade de receber e de transmitir informaรงรตes ou ideias, sem que possa haver ingerรชncia de quaisquer poderes pรบblicos e sem consideraรงรฃo de fronteiras. Porรฉm, รฉ preciso lembrar o รณbvio: a liberdade de expressรฃo nรฃo fornece โcarta brancaโ para agressรตes, ofensas, injรบrias, calรบnias ou ameaรงas.
A รกrea polรญtica รฉ uma das mais sensรญveis ร desinformaรงรฃo. As fake news foram o assunto que dominou as eleiรงรตes de 2018, quando houve uma enxurrada de notรญcias falsas que evidenciaram o tamanho do problema para as prรณximas eleiรงรตes e, elas estรฃo chegando.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem promovido iniciativas de combate ร s fake news, como por exemplo, a desmonetizaรงรฃo dos canais e pรกginas que propagam a desinformaรงรฃo e, tem realizado campanhas informativas sobre a votaรงรฃo e urnas eletrรดnicas. Porรฉm, por mais que haja esforรงo, as limitaรงรตes sรฃo evidentes e aรงรตes ainda nรฃo alcanรงam plenamente o objetivo pretendido.
Diariamente, os usuรกrios das redes sociais se deparam com um grande volume de fake news polรญticas. Postagens com fotos antigas, descontextualizadas sรฃo as preferidas dos propagadores de mentiras na internet. Em uma delas, por exemplo, hรก o ex-governador de Sรฃo Paulo, Geraldo Alckmin que, apรณs aproximaรงรฃo com Lula, teria sido atingido com ovos durante visita a Jundiaรญ (SP). Mas, a foto รฉ antiga, de 2012, quando o polรญtico foi atingido com cafรฉ. Esse conteรบdo foi compartilhado ao menos 36,7 mil vezes no Facebook. Assim como, um vรญdeo de uma caravana do ex-presidente Lula, que mostra um รดnibus adesivado com o nome do petista parado em uma cidade, enquanto manifestantes gritam ofensas a ele. A gravaรงรฃo รฉ de marรงo de 2018, mas o conteรบdo foi compartilhado ao menos 27,1 mil vezes, como se fosse atual.
Os principais alvos da desinformaรงรฃo, os aplicativos de mensagem como WhatsApp e Telegram, ainda passam quase que imunes ร s tentativas de frear as fakes news. Tanto que o Ministรฉrio Pรบblico Federal (MPF) quer impedir a propaganda eleitoral pelo Telegram, sob o argumento de que o aplicativo russo, com sede em Dubai, nรฃo possui representaรงรฃo no Brasil.
ร utรณpico imaginar que a circulaรงรฃo de fake news possa ser impedida ou totalmente punida pela Justiรงa Eleitoral. Cabe ร sociedade se precaver, ter consciรชncia dos riscos provocados pela desinformaรงรฃo e, com cautela, sensatez, deletar, excluir e nรฃo compartilhar toda e qualquer mentira virtual.











