Editorial

A luta das mulheres

O Dia Internacional da Mulher serรก celebrado, neste domingo (8) de marรงo. A data comemorativa simboliza a luta histรณrica das mulheres para terem suas condiรงรตes equiparadas ร s dos homens. A data ainda virou alvo do comรฉrcio que incrementa as vendas com sugestรตes alusivas ao tema.
Em 20 de fevereiro de 1909, em Nova York (EUA), o Partido Socialista da Amรฉrica organizou o โ€˜Dia da Mulherโ€™, uma jornada de manifestaรงรฃo pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino. Jรก em 1910, em Copenhague (Dinamarca), durante as Conferรชncias de Mulheres da Internacional Socialista, foi sugerido, que o Dia da Mulher passasse a ser celebrado todos os anos. Em 8 de marรงo de 1917, na Rรบssia, organizou-se uma grande passeata de mulheres, em protesto contra a carestia, o desemprego e a deterioraรงรฃo geral das condiรงรตes de vida no Paรญs. Nos anos seguintes, o Dia da Mulher passou a ser comemorado naquela mesma data, pelo movimento socialista, na Rรบssia e em paรญses do bloco soviรฉtico. Em 1975, o dia 8 de marรงo foi oficializado, pela Organizaรงรฃo das Naรงรตes Unidas (ONU), como Dia Internacional da Mulher.
Atualmente, a data รฉ comemorada em mais de 100 paรญses, como um dia de protesto por direitos e simboliza a luta das mulheres nรฃo apenas contra a desigualdade salarial, mas tambรฉm contra o machismo e a violรชncia.
ร‰ inegรกvel que houve avanรงos nas รบltimas dรฉcadas, mas alguns desafios ainda estรฃo presentes. Quando o assunto รฉ a presenรงa das mulheres no mercado de trabalho, discriminaรงรฃo ainda existe e a igualdade salarial tambรฉm nรฃo faz parte da realidade da maioria. Em 2018, o rendimento mรฉdio das mulheres com emprego foi 20,5% menor do que o dos homens. Isso sem comparar os cargos ocupados por ambos, segundo dados do IBGE. Mesmo jรก sendo maioria em algumas profissรตes, os homens ainda dominam os postos mais altos. Ainda de acordo com o IBGE, apenas 41,8% dos cargos gerenciais sรฃo ocupados por mulheres.
Elas enfrentam um grande problema que dificulta a ascensรฃo nas empresas, o assรฉdio no trabalho. Em todo o mundo, 52% das mulheres economicamente ativas jรก sofreram assรฉdio sexual, segundo a OIT (Organizaรงรฃo Internacional do Trabalho). No Brasil, segundo uma pesquisa de 2017 do Datafolha, 42% das brasileiras afirmaram jรก terem sofrido assรฉdio.
Alรฉm disso, embora as mulheres atuem no mercado de trabalho, isso nรฃo as isentou do trabalho domรฉstico. Afinal, geralmente sรฃo elas as responsรกveis por limpar a casa, lavar as roupas, cuidar dos filhos, etc. Pesquisa do IBGE revelou que as mulheres gastam o dobro de tempo dos homens em atividades domรฉsticas. Enquanto eles gastam em mรฉdia 10,9 horas por semana, as mulheres gastam 21,3 horas.
Como se isso tudo nรฃo bastasse, muitas mulheres ainda sรฃo vรญtimas da violรชncia domรฉstica, e do feminicรญdio. O Brasil registra 1 caso de agressรฃo a mulher a cada 4 minutos, segundo o Ministรฉrio da Saรบde. Em 2018, foram registrados mais de 145 mil casos de violรชncia fรญsica, sexual, psicolรณgica e de outros tipos. De acordo com o Anuรกrio Brasileiro de Seguranรงa Pรบblica, entre 2016 e 2018 foram mais de 3,2 mil mortes no paรญs. Alรฉm disso, estimativa do Conselho Nacional de Justiรงa (CNJ) indica que, no mesmo perรญodo, mais de 3 mil casos de feminicรญdio nรฃo foram notificados.
Portanto, apesar de inรบmeros avanรงos, e conquistas obtidas pelas mulheres รฉ inegรกvel que ainda falta, e muito, para atingir a tรฃo sonhada equiparaรงรฃo aos direitos dos homens.