A primeira-dama Rosangela da Silva divulgou, no sábado (10), um vídeo, gravado durante o recesso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no litoral do Rio de Janeiro. Na gravação, que foi ao ar em rede social, Lula aparece de sunga e boné com o brasão da República, ao lado da esposa e primeira-dama.
O presidente fala sobre a movimentação das águas em um extremo da Restinga de Marambaia, onde passou o Ano-Novo e diz que, nesta localidade, as ondas vêm dos dois lados, em um “milagre da natureza”. Então, profere uma metáfora política: “Essa é uma demonstração extraordinária, sabe? Até para acabar com o preconceito entre esquerda e direita. Aqui, a onda que vem da direita se junta com a onda que vem da esquerda e constrói o mar”. Ele complementa afirmando que a natureza “faz aquilo que a gente não imagina que seja possível ser feito”.
O ensejo do presidente seja pela união dos polos da direita e da esquerda ou pelo fim do “preconceito entre esquerda e direita” também é o desejo de muitos brasileiros, porém, até o momento, o cenário que se desenha para o Brasil, neste ano eleitoral, é bem diferente disso.
Grande parte da população vê como negativa a polarização política no país. Pesquisas recentes indicam que a maioria das pessoas se sente afetada por essa divisão e que há um cansaço generalizado em relação aos extremismos. Levantamento do Datafolha de dezembro de 2025 revelou que 74% dos brasileiros consideram o país “muito polarizado” ou “extremamente polarizado”. Outra pesquisa da Genial/Quaest, de fevereiro de 2024, apontou que 83% dos entrevistados acham que o Brasil está mais dividido.
Apesar de muitos brasileiros estarem alinhados a um dos polos, há um crescente “cansaço da população com os extremismos” e a polarização é vista como um fator que impede o diálogo e a melhoria da qualidade de vida. Uma parte considerável da população não se identifica como lulista ou bolsonarista e busca uma “terceira via”.
Os efeitos negativos da polarização política não são novidade para a população. Ela prejudica a convivência afetiva, gerando conflitos e divisões em amizades e relações familiares e com isso, a percepção de “queda da civilidade” no Brasil.
Recentemente, o comercial das Havaianas gerou uma verdadeira guerra entre os simpatizantes da direita e esquerda. Tudo porque, a atriz Fernanda Torres dizia: “Desculpa, mas não quero que você comece 2026 com o pé direito… O que desejo é que você comece o ano novo com os dois pés”.
Além disso, também houve a associação da cerveja Heineken com a esquerda, devido a uma estrela vermelha em seu rótulo. Vale lembrar que a estrela vermelha é um símbolo histórico da marca, presente desde o século XIX, e seu significado original está relacionado a símbolos alquímicos antigos usados por mestres cervejeiros para proteger a cerveja.
Para 2026, muitos brasileiros temem um clima ainda mais radical nas eleições de outubro próximo, já que as pré-campanhas continuam investindo em discursos radicalizados e os pré-candidatos incitando o ódio a todos os simpatizantes do “outro lado”.
Lamentavelmente, os brasileiros irão assistir de camarote mais um tenebroso capítulo da política brasileira, nestas eleições que se aproximam. Candidatos proferindo discursos inflamados com objetivo de segregar famílias, mas atraírem likes, views e claro, votos nas urnas, para voltarem ou permanecerem no poder.
A divisão “Nós versus Eles”, com discursos divisivos e a ideia de que o opositor político é um “inimigo” a ser combatido, em vez de um adversário com opiniões diferentes, é extremamente maléfica e prejudicial aos interesses da nação. Seja direita, centro ou esquerda, o Brasil é um único País.













Não se pode tratar política como “time do coração”, onde o indivíduo simplesmente torce pelo “seu lado” sem a menor capacidade crítica (e autocrítica). Infelizmente, grande parte de nossa sociedade age assim.
Você pode se identificar com a esquerda ou com a direita – e isso é democrático -, mas desde que seja feito de forma consciente. Se eu voto em um candidato “só porque não quero que aquele outro ganhe” ou se eu voto naquele outro candidato porque ele pertence a um determinado partido, mas não sei exatamente o que ele já fez ou qualquer proposta dele de governo, então eu não estou votando conscientemente.
Boa informação ainda é o melhor antídoto para esse mal.
Obrigada pelo comentário!