Editorial

A pandemia no ensino

No Brasil, segundo dados do รบltimo Censo Escolar da Educaรงรฃo Bรกsica, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anรญsio Teixeira (Inep), em 2018, foram registradas 48,5 milhรตes de matrรญculas nas 181,9 mil escolas de educaรงรฃo bรกsica brasileiras. A maior parte dos estudantes estรก na rede pรบblica, cerca de 39,5 milhรตes, 81,44% do total.
Desde o inรญcio da pandemia do novo coronavรญrus, mais de 100 paรญses fecharam suas escolas para tentar conter a propagaรงรฃo do coronavรญrus. De acordo com a Unesco (Organizaรงรฃo das Naรงรตes Unidas para Educaรงรฃo, Ciรชncia e Cultura), cerca de 800 milhรตes de crianรงas e adolescentes foram afetadas pelo isolamento. Isso significa a metade dos estudantes do mundo.
Com o avanรงo dos casos do novo coronavรญrus, foi adotada a modalidade ensino online, ร  distรขncia, posto que as escolas foram fechadas e as aulas fรญsicas foram suspensas. Segundo estimativas da Unicef, 35 milhรตes de jovens no Paรญs estรฃo fora das salas de aula em razรฃo da Covid-19.
As escolas foram โ€œreconstruรญdasโ€ para manter a motivaรงรฃo das crianรงas, pois as tradicionais 8 horas de ensino diรกrios tiveram que ser adaptadas, afinal, qual crianรงa consegue ficar em frente ร  tela de um computador ou tablet, por 8 horas, todos os dias? Educadores, professores, usaram e abusaram da criatividade para passar conteรบdos pela tela de maneira atrativa e ainda tentar seguir os cronogramas de ensino. O resultado disto tudo รฉ incerto. Ninguรฉm sabe quais serรฃo os reais prejuรญzos para essa geraรงรฃo de alunos brasileiros que tiveram o ensino presencial suspenso por mais de 90 dias.
Isso, sem mencionar as crianรงas que nรฃo tiveram como acompanhar as aulas online, pois de acordo com dados da pesquisa TIC Kids Online do Cetic.br/NIC.br, divulgados pela Unicef, 4,8 milhรตes de estudantes vivem em famรญlias que nรฃo tรชm acesso ร  internet. Para esses jovens, que representam quase 14% do total dos estudantes, a pandemia significou a interrupรงรฃo completa dos estudos.
Alรฉm disso, com a retomada de alguns setores da economia, muitas mรฃes jรก retornaram ao trabalho e enfrentam o problema conciliar trabalho com atenรงรฃo ร s crianรงas e coordenar as aulas online dos seus filhos.
No Estado de Sรฃo Paulo, onde hรก, sรณ na rede pรบblica hรก mais de 13 milhรตes de alunos, englobando desde creches ร s unidades municipais, estaduais, profissionalizantes e universidades pรบblicas, o governador Joรฃo Doria anunciou, na quarta (24), que o retorno ร s aulas presenciais de todo o ensino pรบblico estรก previsto para o dia 8 de setembro. A retomada das aulas presenciais serรก faseada, seguindo normas do Plano SP, protocolos sanitรกrios, e inspirada em experiรชncias bem sucedidas de paรญses como Dinamarca, Franรงa e Holanda.
Porรฉm, se antes da pandemia, 1,7 milhรฃo de crianรงas e adolescentes estavam fora das escolas, segundo dados do Suplemento de Educaรงรฃo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicรญlios (Pnad). Apรณs, as projeรงรตes sรฃo ainda mais desanimadoras. Grande parcela dos estudantes nรฃo voltarรก ao ensino, nรฃo sรณ pelo aumento da dificuldade em acompanhar as aulas ou pela perda do estรญmulo, mas, principalmente, pela perda de renda das famรญlias e aumento do desemprego. Muitas crianรงas correm o risco de irem para o trabalho infantil