O mรฉdico e escritor Drauzio Varella nos conta, em artigo pela imprensa, que perdeu um amigo muito querido e lamentando a sua ausรชncia escreve: โDepois da perda da saรบde, a face mais dura do envelhecimento รฉ conviver com o desaparecimento dos personagens que construรญram nossa histรณria. Nรฃo importa quantos amigos รญntimos tenhamos, cada um deles รฉ insubstituรญvel, os que ficam nรฃo preenchem o vazio deixado pelo que se ausentou. Alguรฉm jรก comparou essa situaรงรฃo ร de uma floresta em que cada รกrvore que desaba abre uma clareira. Vocรช poderรก dizer que nela nascerรฃo outras. ร verdade, mas levarรก tempo para crescer; e atรฉ se tornarem frondosas, talvez nรฃo estejamos mais aquiโ.
De um anรดnimo esta ideia sobre a amizade: โA amizade รฉ uma benevolรชncia recรญproca que torna dois seres igualmente cuidadosos da felicidade um, do outroโ.
Rui Barbosa: โEu sou daqueles que respeitam a amizade ainda depois de extinta. Se as circunstรขncias polรญticas, tรฃo dolorosas muitas vezes para os homens de coraรงรฃo, me obrigam alguma vez a me achar com meus amigos de ontem em campos opostos, guardo para com eles uma lealdade cuja observรขncia รฉ o meu maior prazer: respeito-lhes a honra e na sua reputaรงรฃo procuro guardar igualmente a garantia da minhaโ. Parece que nรฃo รฉ esta a regra geral da polรญtica e dos polรญticos, quase sempre pouco respeitosos da honra e da dignidade de seus desafetos โ digo eu.
Para os verdadeiros amigos, esta advertรชncia do escritor inglรชs Oscar Wilde: โA melhor maneira de tornar boa uma criatura รฉ fazรช-la felizโ.
Estas sรฃo mais pessimistas em relaรงรฃo a amigos: Humberto de Campos, em suas deliciosas e tristes Memรณrias, lembra serem โFelizes os mortos que uma semana depois de sepultados ainda tรชm amigos na terraโ. E um anรดnimo pessimista lamenta: โA maior parte dos meus amigos eu ensinei a manejar o arco, e alguns deles me utilizaram como alvoโ.
Shakespeare vai direto ao ponto: โQuem nรฃo precisa nunca perde o amigo, mas quem precisa e o amigo experimenta, descobre sempre ter um inimigoโ (do drama Hamlet, ato 3ยบ). Amigos de verdade, coisa rara. Quem os tiver, preserve-os com carinho.













