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Arquiteto e skatista, Daniel Oristanio é o responsável pelo projeto da pista do SLS Super Crown

Aos doze anos de idade, Daniel Oristanio já projetava pistas de skate. A admiração por construir fez o paulistano a cursar arquitetura no Mackenzie e, desde então, Daniel acumula grandes projetos em seu currículo. Junto à California Skateparks, Daniel é responsável pelas pistas do Street League Skateboarding Super Crown, que acontece neste fim de semana no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. A parceria com a SLS começou em 2013 e a cada ano, Daniel traz novidades para o projeto.

 “Este ano, demos uma mudada na parte central, ainda tem os corrimãos grandes. No hubba central, que é o espaço onde o skatista tem que dar um ollie por cima do vão, mudamos o ângulo, o que ficou mais desafiador, mas mais fácil para manobras mais técnicas. A parte das escadas nós mudamos, agora tem mais degraus e eles estão mais segmentados. A galera está gostando, vamos ver o que vão aprontar”, comenta Daniel.

O arquiteto revela que começa a desenhar o projeto cerca de dois meses antes do evento. “Começamos a rabiscar o projeto uns dois meses antes do evento, sentamos, discutimos e umas três semanas antes, já estamos com o projeto pronto para começar a produzir. Para montar no local, demoramos uns cinco, seis dias. Na oficina fazemos uma pré-produção, onde preparamos quase tudo, o que demora uns quatro dias”, diz.

Daniel Oristanio, o arquiteto skatista responsável pelas pistas do SLS Super Crown
(Foto: Júlio Tio Verde)

Como legado por onde passa, o SLS, após o término do evento, doa os obstáculos para projetos sociais. E, este ano não será diferente. Os equipamentos serão doados para ONGs no Litoral de São Paulo e outras cidades. Daniel não esconde a felicidade em saber que crianças e o público em geral poderá usufruir dos obstáculos projetados por ele.

“Ficamos muito felizes que serão doados e a galera vai poder usá-los em outras pistas. Isso é muito legal. Infelizmente, nem todas as pistas que projetamos acabam tendo esse destino de doação. Muitas vezes, acabamos desmontando pela dinâmica dos eventos. As arenas têm um ciclo muito rápido, temos que entrar e sair muito rápido por conta do custo de aluguel, é muito dinâmico. Nessas edições do Brasil, temos conseguido, em parceria com o pessoal da Street League, fazer a destinação ‘nobre’ dos obstáculos. Isso é legal demais. Ver a galera andando depois, feliz, isso é muito legal”, revela.

O arquiteto paulistano afirma que projetar a pista em São Paulo tem um gostinho especial. “Tentamos fazer o nosso melhor para que as pistas tenham alto nível, que é o que os skatistas merecem e precisam para um campeonato desse tamanho. Mas, mais do que isso, fico feliz de fazer esse trabalho em São Paulo, no quintal de casa. Moro perto do Ginásio do Ibirapuera. Gratidão total participar mais uma vez desse projeto. Bom demais”, comenta.

Amigo de longa data de Sandro Dias, o mineirinho, Daniel projetou a rampa da pista que Sandro ‘dropou’ em Porto Alegre, no prédio do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF). Com quase 89 metros de altura, a rampa foi considerada a maior já construída.  

“Já fizemos vários projetos com o Sandro. Esse foi surreal em termos de escala, complexidade, até um certo risco envolvido, não só na produção, construção e até para o Sandro, são quase 90 metros de altura. Mas, tirando essa parte perigosa, foi sensacional. Foi muito legal, o Sandro é um amigo pessoal, querido, muito profissional. Sabíamos que daria jogo bom com ele. Foi insano”, comenta Daniel.

Novidades para 2026 – Sobre os projetos para o ano que vem, Daniel comenta sobre obras em São Paulo e mundo afora junto à California Skateparks. “Temos quatro obras permanentes em São Paulo. Temos obras no Japão, o X-Games, e também da Street League e tem outras etapas de outros eventos mundo afora que a gente faz com a California Skateparks”, finaliza.