
Na despedida do mês de março, mês este que sinaliza o final das grandes chuvas, a chegada do outono e, também, que conta com um dia especialmente dedicado a todas as mulheres, o tema do encontro mensal de Conversas de Memória não poderia ser outro…
“As Mulheres no Cotidiano da Cidade”, foi o tema do encontro realizado na (25), pelo Centro de Memória, da Secretaria de Cultura, da Prefeitura de São Bernardo.
Apesar das conquistas das mulheres ao longo da história, ainda há muito a ser feito para que a igualdade – de direitos, valores, dignidade, oportunidades…- não seja só um discurso ou promessa futura, mas que seja reconhecida e respeitada por todos e todas, em todos os tempos e lugares.
Diante da limitação de horário para o encontro, optou-se por um recorte, propondo abordar as lembranças acerca da presença das mulheres nas atividades profissionais.
As primeiras lembradas foram as parteiras, imprescindíveis no passado, como Josefina Marotti, uma das primeiras da cidade.
A Educação foi, desde o início, uma área de atuação prioritariamente feminina, com destaque para a Educação municipal, que chegou a ser referência no Brasil, graças ao trabalho das mulheres, não só nas salas de aula, mas também na gestão e planejamento.
Na trajetória industrial da cidade, quando predominavam as fábricas de móveis e as tecelagens, havia quase que uma divisão sexual do trabalho, com as mulheres predominando no corpo funcional das tecelagens.
Também atuavam na empalhação de cadeiras, fazendo o trançado para encostos e assentos, no qual havia toda uma técnica e arte. Inclusive, houve muitos casos em que levavam o material para casa, onde também as crianças ajudavam na confecção.
No comércio, especialmente restaurantes, a presença feminina foi fundamental, como o caso do Restaurante São Judas, que se tornou um dos principais da Rota do Frango com Polenta, graças ao empenho e trabalho de Santa Demarchi.
Além das fábricas de móveis e tecelagens, foi citado o caso da Fábrica de discos Odeon, onde havia muitas restrições para as mulheres: não podiam usar saias, não podiam ser casadas (uns três meses antes do casamento eram demitidas)…
Também na Perkins havia muitas mulheres, porém, o máximo que uma mulher poderia chegar na hierarquia era ser secretária do gerente!
Mas, todas essas dificuldades não impediram as mulheres de buscar espaço e atuar profissionalmente, desde as artesãs, como Verônica Breda que fazia flores de papel para vender, até aquelas que atuaram/atuam nos mais variados setores e serviços: serviço público, cursos profissionalizantes, cursos de artes etc.
Foi lembrada a atuação de Lídia de Oliveira Guiesser, na década de 1950, que coordenou um serviço recém-criado da Prefeitura de encaminhamento de jovens para o Serviço Militar, conseguindo com sucesso organizar e harmonizar um setor essencialmente masculino.
Não podiam deixar de ser lembradas as associações e serviços sociais, que desde o início contaram fundamentalmente com a atuação feminina, destacando, a título de exemplo, Mamãe Clory e Odette Bellinghausen, dentre outras citadas.
Ainda, no mundo da política, foi lembrada a figura ímpar de Tereza Delta, prefeita, vereadora e deputada estadual, que muito fez pela cidade, especialmente num ambiente predominantemente masculino, abrindo caminho, com seu exemplo, para outras mulheres.
Mesmo tendo muito mais a falar sobre o tema, as conversas foram encerradas para a apresentação do Grupo Cênico Regina Pacis, com a peça “Mulheres”.
Com texto e direção de Hilda Breda, tendo no elenco: Ana Maria Medici, Emeri Guglielmetti e Fátima Lucas, a peça tem como foco a Mulher, relembrando o porquê se comemora o Dia Internacional da Mulher, enfatizando a história das mulheres anônimas ou mulheres que se tornaram célebres e marcaram seu nome na história.
A apresentação, que encantou a todos e todas, complementou o tema do encontro, reforçando a percepção de que nas memórias do passado, do presente, assim como as memórias do tempos que virão, a participação da mulher é imprescindível, com igualdade plena (de direitos, deveres, dignidade) entre todos os gêneros.
Jorge Magyar














Adicione um comentário