Na nossa cidade de Sรฃo Bernardo nos dias de hoje o carnaval morreu.
Em nossa reuniรฃo na Casa da Memรณria, ouvimos muitos depoimentos sobre os carnavais de ontem e os de hoje. Sobre isso nosso diretor Jorge farรก a matรฉria esta semana. Procurem aqui no jornal. O maestro Conceiรงรฃo levou alguns dos mรบsicos que tocam e cantam com ele, todos com mais de setenta anos. Ficamos sabendo pelo cantor Andrรฉ, tambรฉm chamado o Embaixador do Carnaval, a verdadeira histรณria dos carnavais. Foi muito interessante.
Bom, nรฃo vou entrar na matรฉria do Jorge, apesar dos dedos no teclado estarem agulhando.
Vamos a minha histรณria. Meu pai era muito brincalhรฃo, mas nรฃo gostava de carnaval em salรฃo. Eu e minhas irmรฃs e primas jรก mocinhas, fomos uma noite na Associaรงรฃo Italiana. Quem nos levava aos bailes era minha avรณ Assumpรงรฃo, mas nesse dia quem nos acompanhou foi minha mรฃe Odette. Lรก pelas uma hora da manhรฃ, chegou meu pai para nos buscar. Assim acabou com nossa alegria. Achou melhor continuar indo com a famรญlia nesses feriados para a Praia Grande. Aรญ sim, participava. รamos para os corsos em Sรฃo Vicente levando confetes, serpentinas e farinha de trigo. Sem esquecer de comprar caixas de lanรงa-perfume. Ele entรฃo colocava um vestido da mamรฃe. รamos sentadas sobre o capรด do carro, cantando e nos integrando com outras pessoas desconhecidas. Adorรกvamos o geladinho do lanรงa perfume em nossas peles, atรฉ que o governo descobriu que algumas pessoas faziam dele uma droga, os colocando sobre os lenรงos (que eram muito usados antigamente) e aspirando o perfume do รฉter com que eram quimicamente feitos.
Quando comecei a namorar o meu Theo, ele nos acompanhava no carnaval. Meu pai dizia que agora era a vez dele. E lรก ia ele sobre o capรด do carro vestido com roupas de minha mรฃe que nele ficavam como uma mini saia.
Mais tarde em Itanhaรฉm, meus filhos e amigos enterravam, nas fรฉrias de janeiro, caixas de ovos sob a areia, no terreno atrรกs de nossa casa. No carnaval ficavam escondidos atrรกs da cerca ripada e รกrvores, atirando esses ovos podres nos ocupantes dos trenzinhos abertos que circulavam. Mas tambรฉm jรก vinham outros โmolequesโ nesses trenzinhos com suas armas em forma de ovos. Atรฉ que um deles atingiu o condutor quando entรฃo a polรญcia foi chamada. Foi aรญ que descobrimos o que os meninos aprontavam.
Nรฃo havia nada de mais grave. Os jovens iam aos bailecos nos clubes, sabendo as letras de mรบsicas de antigamente, sem saber que hoje elas sรฃo chamadas de homofรณbicas. Os adultos frequentavam os bailes noturnos, sempre uma festa de encontro de amigos.
E continuamos com as mรบsicas antigas na memรณriaโฆO Teu Cabelo Nรฃo Nega…. Olha a Cabeleira do ZezรฉโฆMamรฃe eu Quero…ร Abre Alas…. Ala-laร… Daqui Nรฃo Saio…Acorda Maria Bonita…Cachaรงa Nรฃo รฉ รgua…Estรก Chegando a Hora…Mรกscara Negra…Cidade Maravilhosa… e por aรญ vรฃo as lembranรงas…
Aqui na cidade o carnaval morreu. Concordo que, com a atual situaรงรฃo do paรญs, nossos governos tรชm que dar prioridade ao uso do que arrecadam, em obras que envolvam saรบde educaรงรฃo, etc.
Os carnavais de salรฃo sรฃo poucos em todo o paรญs. O forte do carnaval hoje sรฃo os blocos. Infelizmente รฉ preciso muito cuidado com as carteiras e celulares, pois os mau carรกteres se introduzem no meio do povo os afanando.
E vamos vivendo mais um carnaval…alguns descansando na praia ou no campo, viajando, ou mesmo acompanhando por uma TV.
FELIZ CARNAVAL!
Um abraรงo, Didi













