As homenagens nos logradouros da Vila

Você já parou para pensar qual a história dos nomes das ruas e avenidas onde você reside ou passa todos os dias e porquê mereceu tal homenagem?
Com certeza essas personalidades têm alguma ligação importante com a região. Pode ser um político, um artista, um religioso, um esportista, um profissional de destaque ou um simples morador que deixou o seu legado por algum motivo em uma época remota.
O fato é que essas pessoas deixaram suas marcas e não podem ser esquecidas pelas gerações futuras. Vamos então conhecer as informações dos nomes que constam nos logradouros de Paranapiacaba, a vila ferroviária situada na Serra do Mar que faz parte de Santo André, hoje comandada pelo prefeito Gilvan Ferreira.
Uma das principais avenidas é a Manoel Ferraz de Campos Salles (1841-1913). Conhecida pelo comércio artesanal, a via recebeu o nome do advogado, fazendeiro de café e político brasileiro, que chegou a ser ministro da Justiça, senador e governador do Estado de São Paulo entre os anos de 1896 e 1897. Exerceu mandato de presidente da República entre 1898 e 1902, justamente quando foram feitas as obras de duplicação da ferrovia Santos-Jundiaí, a inauguração da Vila Martin Smith e a segunda estação ferroviária de Paranapiacaba. Recebeu o apelido de Campos Selos por ter criado o “imposto do selo”, que incidia sobre documentos, papéis e atos jurídicos.
Outra via conhecida é a avenida Fox, uma homenagem ao engenheiro britânico Daniel Makinson Fox ( 1930-1918) que trabalhou na construção da ferrovia Santos-Jundiaí. Um dos nomes mais famosos da história, que valeu até a denominação de imóvel, a Casa Fox.
João Dias Carrasqueira (1910-1997) foi vereador em Santo André entre 1948 e 1959. Por sua atuação em Paranapiacaba ficou conhecido como “Prefeito Ho-norário”. A família Carrasqueira era pro-prietária de uma tradicional padaria.
Francisco Paula Rodrigues Alves (1843-1917) foi advogado, fazendeiro de café, governador de São Paulo (1900-1902) e ex-presidente do Brasil (1902-1906). Durante o seu governo foram inaugurados o sistema funicular e a segunda estação ferroviária de Paranapiacaba.
Dr. Simão Marun (1934-2023): médico residente do antigo Hospital de Paranapiacaba. Figura importante da saúde local, pois tratava dos trabalhadores e moradores para evitar a propagação de doenças durante a formação da ferrovia Santos –Jundiaí.
Antonio Olintho Marques da Rocha (1919-2009). Foi escritor, poeta e crítico literário. Escreveu ainda livros infantis, dicionário e ainda atuou como analista político.
Antonio Francisco de Paula Souza (1843-1917) era de uma família de elite cafeeira paulista. Trabalhou como professor durante 24 anos e chegou a ser diretor da Escola Politécnica de São Paulo. O avô paterno Francisco de Paula Souza e Melo participou do processo de emancipação política como deputado das Cortes de Lisboa em 1821, tornando-se membro da Assembléia Constituinte, posteriormente dissolvida pelo imperador D. Pedro I, em 1823.
James Fford (1836-1907), britânico que trabalhou na São Paulo Railway Company como engenheiro-chefe das obras do sistema funicular e a duplicação da ferrovia Santos-Jundiaí entre 1897 e 1900. Responsável pela construção da edificação de estilo vitoriano, cuja superfície tinha de 7.520 m² e também de uma torre com relógios de 3,3m de diâmetro.
Bronislaw Rymkiewicz (1843-1907), engenheiro polonês que trabalhou em uma empresa contratada pela São Paulo Railway para obras de duplicação da ferrovia, sistema funicular, segunda estação e Vila Martin Smith. Morou na Vila entre 1897 e 1900. Nesse período construiu o edi-fício que abrigou o 1º Grupo Escolar do Alto da Serra, onde mais tarde seria erguido o Cine Lyra.
Emilio Schnoor (1855- 1924), engenheiro e projetista cuja trajetória está ligado ao desenvolvimento ferroviário no Brasil, em particular, ao sistema São Paulo Railway, em Paranapiacaba, entre 1895 e 1901.
Godofredo da Câmara Genofre ( 1878-1957), antigo morador e comerciante da Vila, onde foi proprietário de uma farmácia. Figura histórica da política andreense, como vereador e vice-presidente da Câmara na década de 1940.
Alfredo Eugênio de Almeida Maia (1856-1915), engenheiro e político brasileiro como ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas (1900-1902). Teve relevante atuação na administração e ferrovias, incluindo a São Paulo Railway.
Visite a Vila e comece a entender a razão das homenagens nas placas.

Uma semana dedicada às mulheres do Parque Andreense

O Dia Internacional da Mu-lher foi em 8 de março. Mas, um dia apenas não é suficiente para tantas temáticas envolvendo o mundo das mulheres.
Para comemorar essa data tão importante no calendário nacional e mundial, elas ocupam todo o mês de março. E com vários fundamentos.
A população feminina no Brasil é composta por 104,5 milhões e a masculina por 98,5 milhões, o que corresponde a 51,5% e 48,5% respectivamente, segundo o Censo Demográfico de 2022.
No planeta o contingente de mulheres é de aproximadamente 50%, com tendência para crescimento em virtude da maior expectativa de vida feminina e aumento da mortalidade de jovens do sexo masculino.
Esta semana a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense dedicou uma programação especial para celebrar a data.
Mulheres do Parque Andreense tiveram a oportunidade de conhe-cer os trabalhos do Vem Maria, um serviço de atendimento a mulher em situação de violência. A roda de conversa tratou sobre os tipos de violência (moral, sexual, patrimonial, psicológica e física); os sinais de alerta; as leis e os direitos em vigor; as políticas públicas; o ciclo da violência; a conscientização e os canais de denúncias.
A palestra foi ministrada pelas psicólogas Nathalia Souza e Tamires Aguiar. De acordo com as especialistas não existe justificativa para cometer atos de violência. Romper o silêncio e enfrentar o medo é o primeiro passo para quebrar esse sofrimento e recuperar a autoestima. Todos os meses o Vem Maria recebe cerca de 200 casos.
Chantagem, mentiras, desprezos, ofensas, ciúmes, humilhações, intimidações e ameaças são sinais de alerta que não devem ser desprezados em uma relação a dois. Antes de se tornar mais contundente, é necessário pedir ajuda e reagir, porque a sua vida está em perigo. Recente levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revela 1568 casos em 2025, uma alta de 4,7% em relação a 2024. Mesmo com medidas protetivas, informações dão conta de várias ocorrências de feminicídio.
Lembre-se sempre que elas não estão sozinhas nessa luta. O Vem Maria de Santo André fica na Alameda Gaspar Nogueira, 31, no bairro Jardim. As denúncias podem ser feitas por email (vemmaria@santoandre.sp.gov.br); pelo WhatsApp 4992-2936, de segunda a sexta das 8h às 20h, sem agendamento.
A Patrulha Maria da Penha também monitora e atende as mulheres com medidas protetivas através da Guarda Civil Municipal (telefones 4428-1700/ 4428-1701). Ou ainda na Delegacia da Mulher, à rua Laura, 452, Centro (telefone 4519-7092).
Em outro evento, a oficina de Spa Facial levou mais empoderamento à classe feminina. A equipe da Escola de Ouro Andreense – formada pelo gerente Rafael Rosa Nogueira, pela instrutora Marineise Assunção, pela secretária Karina Pofilio e pela modelo Joelma Santos – fez demonstração de como deixar a pele do rosto mais saud-vel usando produtos naturais como argila (branca, rosa, verde e dourada), tônico, sabonete, protetor solar, esfoliante e hidratante.
Para completar, um aulão de alongamento com o professor e coordenador do Cesa Parque Andreense, Matheus Cândido Betoni, renovou as energias do corpo e da mente. A prática do alongamento fortalece os músculos através da atividade física. Não são poucos os benefícios, entre os quais a melhora da coordenação motora, do equilíbrio e da circulação sanguínea; e a redução do estresse e das dores.
A programação do mês da mulher promovida pela administração do governo Gilvan Ferreira se estende até o final de março. Participem!

Santo André inserido no Sistema Nacional de Patrimônio

Esta foi uma semana intensa e, ao mesmo tempo, muito diferente dos dias normais de trabalho. Se o trabalho enobrece o ser humano, participar do 1º Fórum do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural (SNPC) – Tecendo Redes e Fortalecendo Territórios, em Brasília, só fortificou ainda mais o nosso conhecimento.
O evento promovido pelo Iphan (Instituto do Patrtimônio Histórico e Artístico Nacional) de 3 a 6 de março no campus Darcy Ribeiro, na Universidade de Brasília, abriu novos horizontes para a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense, ampliando suas possiblidades e colocando mais uma vez a vila em local de destaque no cenário patrimonial.
Segui viagem na segunda (2) a convite do superintendente do Iphan São Paulo, Danilo Nunes; do presidente do Iphan Nacional, Leandro Grass; e da ministra de Cultura, Margarete Menezes. Com muita honra fui até a Capital Federal para representar a cidade de Santo André e o prefeito Gilvan Ferreira.
A iniciativa visa, sobretudo, atualizar e nortear os próximos passos das políticas públicas do Patrimônio Cultural Nacional. Um importante encontro entre especialistas, historiadores, educadores, pesquisadores, instituições parceiras, detentores de bens culturais, gestores públicos e representantes da sociedade civil de todo o Brasil.
A grandeza do evento está em cada atividade. Foram mais de 80 no total em quatro dias, divididas em quatro eixos estruturantes, de acordo com a organização: Institucionalização do SNPC, Gestão Compartilhada e Participação Social; Representatividade, acessibilidade, equidade de democratização do Patrimônio Cultural; Economia do Patrimônio e Sustentabilidade; e Patrimônio Cultural, Mudanças Climáticas e Bem Viver.
A extensa programação incluiu mesas temáticas, painéis de boas práticas, oficinas formativas, grupos de discussões, plenárias deliberativas e apresentações culturais e espaços para grupos e comunidades detentoras de bens culturais.
Como resultado das discussões, foi a construção e elaboração participativa do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural, bem como a aprovação de uma agenda para o setor.
Nos painéis foram citadas as experiências de Estados como Minas Gerais e Ceará; o financiamento da política de patrimônio e a redistribuição orçamentária estadual para os municípios; as boas práticas da educação patrimonial; dados reais do Patrimônio Cultural; a valorização do turismo de base comunitária; a governança e as ações climáticas; a legislação; os consórcios públicos; as gestões compartilhadas e o PAC Patrimônio Cultural.
Nas mesas temáticas também ocorreram discussões de relevância sob outros ângulos de políticas ambientais, culturais e de preservação; dos instrumentos e processos de patrimonialização de sítios e lugares de memórias traumáticas; das normas locais para preservação; e dos mecanismos de financiamento ao SNPC.
Sabe o que tudo isto representa para a região? Um grande avanço e aprendizado para inserir Paranapiacaba no mundo do Patrimônio da Humanidade junto a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). A busca por esse reconhecimento segue a sua trilha baseada em regras que devemos cumprir até alcançar o objetivo.
Há muito tempo a vila ferroviária merece esse título. Contamos com o apoio de todos da comunidade ligada diretamente ou indiretamente ao projeto, algo inédito na história regional.

Um herói anônimo na história ferroviária da Vila

Paranapiacaba tem ligação direta com a história ferroviária do Brasil. Formada pelos ingleses da São Paulo Railway Company a partir de 1860, foi lá que iniciou-se a construção da primeira linha férrea paulista, a Santos-Jundiaí, com o objetivo de escoar o café produzido na região para o exterior.
A trajetória do maquinista Romão Justo Filho é exemplo de um herói anônimo que passou a vida construindo esse legado. Filho de ferroviário nascido a 24 de março de 1911 em Paranapiacaba, começou a trilhar o caminho do pai aos 13 anos como limpador de vagões.
Um certo dia de 1920 recebeu a missão de deixar os trens brilhando por conta da visita do rei Alberto, da Bulgária. O trabalho árduo foi cumprido, mas foi tão cansativo que ele não conseguiu acompanhar a visita da majestade. O evento foi tão importante que foi registrado como selo oficial dos correios.
O sonho de ser maquinista só ocorreu anos mais tarde, profissão esta que desempenhou entre as décadas de 1940 a 1960.
Uma data ficou marcada para sempre na memória: 29 de julho de 1956. À época o sistema era de tração funicular, em que as máquinas eram movidas a carvão através de cabos de apoio para subir e descer a Serra do Mar. Esses cabos eram presos sob os trens locobreque, que se estendiam pelos trilhos.
Foi nesse dia que um dos cabos se rompeu e por pouco não ocorreu um grave acidente. A composição era comandada por Romão. Segundo uma das filhas, Ada Alonso Justo Bazani, outros acidentes já haviam acontecido anteriormente. E de forma trágica. Com fé, Romão efetuou uma manobra técnica que salvou a vida de 150 pessoas. Para amenizar o momento de tensão, pegou um crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, rezou e foi parando o trem antes de descarrilar.
Em entrevista à Revista Ferrovia, nos anos 1980, Romão relatou que teve um pressentimento. Tinha dormido mal, com sonhos perturbadores. Mesmo preocupado, foi trabalhar. A máquina número 2 estava com defeito e pediu para trocá-la, ainda em Paranapiacaba. Então pegou uma terceira máquina. O fiscal não detectou nada de errado. Ao ligar, porém, ouviu um estouro. O cabo tinha rompido. Contou com a ajuda do foguista Adriano Souza Andrade para resolver o problema.
O episódio rendeu ao maquinista um prêmio em dinheiro no valor de dois salários, que serviu para ajudar a construir uma casa no bairro Jardim, em Santo André, onde passou a morar com a família a partir de 1957.
Anos depois, quando a ferrovia Santos-Jundiaí não estava mais sob a concessão da São Paulo Railway, o maquinista herói foi homenageado novamente. Em 22 de dezembro de 1967 o superintendente da Estrada de Ferro Santos – Jundiaí, Luís Leite Bandeira de Mello, instalou uma placa com o nome de Romão no Locobreque nº 4.
Hoje a Vila não possui mais trens de passageiros, somente uma composição turística nos finais de semana e feriados. O acesso é feito via ônibus urbano.
Romão Justo Filho faleceu em agosto de 2006 aos 94 anos. Foi sepultado no cemitério da Vila Assunção.
Esta é mais uma história de um filho da nossa terra. Um simples trabalhador em prol do desenvolvimento de Santo André, que em 2026 completa 473 anos sob comando do prefeito Gilvan Ferreira e tem muito a crescer ainda em todos os aspectos.
Sempre para melhorar a qualidade de vida de seus moradores!

Fim da folia na Vila: segurança é destaque

O Carnaval acabou. Quem não aproveitou vai ter que esperar até 2027.
Lá em Paranapiacaba foram quatro dias de descontração e tranquilidade. A diversão foi geral com a família, amigos e até os pets.
Pelo menos 10 mil pessoas estiveram presentes. E saíram satisfeitos, principalmente com a segurança.
Uma rápida pesquisa interna mostrou que os foliões escolheram a vila ferroviária para curtir o carnaval justamente por questão da segurança. Outro motivo de peso é o clima familiar que agrada crianças, jovens, adultos e pessoas da melhor idade.
Como ocorre todos os anos, o índice de criminalidade é zero. Ao contrário de grandes concentrações em capitais e cidades urbanas, ainda que haja a proteção de policiais, seguranças particulares e guardas municipais. Em Paranapiacaba você pode se divertir sem preocupação de ter o celular furtado, entre outros objetos que queira levar.
O empresário do ramo de gastronomia de São Caetano, Márcio Nogueira, afirmou que participa da folia na Vila todos os anos e nunca teve problemas com a criminalidade.
O motorista de caminhão, Eric Viana, de Ribeirão Pires, é outro que aparece quase todos os anos no evento e se diz satisfeito com a segurança.
Rosivânia Andrade trocou a folia em São Bernardo pela Vila. Ela ressaltou que ama a natureza e o aconchego de Paranapiacaba. Além disso, o clima familiar é ou-tro ponto importante.
Alana Steffen, de Santo André, adora o carnaval raiz, com marchinhas de época, como ocorre em Paranapiacaba. Mas, o amor pela Vila não é somente nesse período de festa. Ela comparece quase todo final de semana para andar de bicicleta em meio a natureza.
Já Gabriel Vieira, de Rio Grande da Serra, é novato no carnaval de Paranapiacaba. Na primeira visita descobriu as diferenças e a tranquilidade no ambiente histórico. Uma surpresa agradável!
O Carnaval de Paranapiacaba foi animado pela Banda Caxambu no coreto ao lado do Clube União Lyra Serrano, que passa por reforma.
Outra atração foi o Bloco das Bruacas. O trio elétrico desfila pelas ruas da parte Baixa da Vila sempre na segunda-feira de carnaval, acompanhado da multidão que circula pela redondeza. O bloco carnavalesco se apresenta desde a década de 1990, quando foi fundado pelo saudoso Carioca em Ribeirão Pires. A princípio foi denominado de Bloco das Mocréias. A denominação mudou, porém a irreverência continua a mesma. Por onde passa deixa a sua marca de alegria.
O Carnaval em Paranapiacaba é saudosista e gratuito para todos. É só chegar. Crianças, jovens, adultos e pessoas da terceira idade curtindo o som das marchinhas tradicionais e a extravagância das fantasias multicores, bem como o brilho da purpurina, espumas de spray e bolinhas de sabão. O sol de verão beneficiou os foliões.
Para quem não gosta de curtir o Carnaval, a charmosa Vila ferroviária proporciona outras atrações aos visitantes. O local mantém intacto os imóveis em estilo inglês do Século XIX, que fica aberto aos sábados, domingos e feriados para visitação de turistas. Os museus guardam pesadas peças da época da construção da ferrovia Santos-Jundiaí pela companhia britânica São Paulo Railway. A rica gastronomia serve o mais variado paladar, desde o mais simples até o mais refinado. E se a cultura é a sua preferência, as lojas de artesanatos e o Cine Lyra reservam sempre algo especial.
Curtam a Vila! Depois do Carnaval, vem mais eventos por aí.

Carnaval da saudade em Paranapiacaba

A maior festa popular brasileira é destaque em vários pontos do país tão logo se encerram as comemo-rações de Natal e Ano Novo. O bri-lho das fantasias multicoloridas, máscaras e adereços é um sonho tanto de crianças quanto de adultos em meio a multidão.
São quatro dias consecutivos em que a população esquece de tudo em prol da alegria. Entre marchinhas, samba, pagode e diversos estilos musicais adaptados, o que vale é cantar, pular e se descontrair. As celebrações são diferentes conforme cada região, envolvendo trios elétricos, blocos de rua, escolas de samba e clubes.
Mas o Carnaval é feriado nacional? Não. É ponto facultativo, dependendo dos decretos de Estados e Municípios. Na verdade o feriado deveria ser somente na terça-feira, entretanto a emenda começa no final de semana e se estende até a quarta de Cinzas, dia que marca o início da Quaresma.
O Carnaval é uma festa do cristianismo ocidental. A data religiosa ocorre 47 dias antes da Páscoa, geralmente entre fevereiro e início de março.
Apesar da popularização no Brasil, é celebrado pelo mundo afora desde a Antiguidade. Suécia, Noruega e Estônia são países que festejam a temporada carnavalesca, bem como a Itália, a Espanha, a Alemanha, a França e os Estados Unidos. Os antigos egípcios já preparavam as festas para Ísis (deusa da maternidade, magia, fertilida-de, cura e proteção) e o boi Apis; os hebreus, a festa da sorte; e os gregos, os famosos bacanais.
No Brasil aplica-se o carnaval mo-derno com desfiles e fantasias, mo-delo que vem da França do século XX. Os cariocas retocaram à sua moda, dando mais brilho e luxo ao desfile das escolas de samba dentro do sambódromo.
As escolas de samba surgiram na década de 1920 com a popularização do samba no Rio de Janeiro. Nos últimos anos, aproveitando a tecnologia, reinventaram as criações com coreografias que levam o público a um mundo fantástico e inesperado.
Na região, as comemorações mudaram há mais ou menos uma década. As escolas de samba já não desfilam na passarela improvisada e as manifestações passaram a ser isoladas na comunidade. A festa maior vem dos blocos que saem nas ruas do centro animando a população nos finais de semana que antecedem a folia.
Paranapiacaba mantém a tradição com as famosas marchinhas de compositores que estiveram no auge entre 1920 e 1960. A animação deste ano está garantida com a Banda Caxambu no sábado (14), domingo (15) e terça-feira (17) de fevereiro, a partir das 14h, no Coreto do Clube União Lyra Serrano. O grupo musical é famoso na região.
Destaque para o Bloco das Bruacas na segunda-feira (16). A concentração começa por volta das 11h no bar ao lado do campo de futebol, a primeira do Brasil com medidas oficiais. O desfile pelas ruas da parte Baixa começa após às 13h, animado pelo trio elétrico e pelas fantasias multicoloridas. O bloco existe desde a década de 1990, quando um grupo de amigos liderado pelo saudoso Carioca criou o Bloco das Mocréias em Ribeirão Pires. Desde então, a denominação mudou de nome, mas a descontração só aumentou. Uma curiosidade é que a apresentação é sempre na segunda de Carnaval a tarde, faça chuva, sol ou neblina.
O carnaval é apoiado pelo prefeito Gilvan Junior, através da Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense.
Se vai curtir os quatro dias de folia, antes de tudo lembre-se de cuidar do corpo. Frutas e verduras frescas são recomendáveis no verão tropical e beba bastante água. A hidratação é essencial para evitar problemas de saúde como desidratação, intoxicações alimentares, insolação e alergias.
Vem pra Vila você também!

Um calendário para todo o ano

O ano de 2026 começou repleto de atividades na Subprefei-tura de Paranapiacaba e Parque Andreense.
Paranapiacaba abriu o calendário de eventos com o Férias na Vila, uma ação conjunta dos monitores e empreendedores. No Parque Andreense o Cinema de Férias reuniu 57 crianças com seus pais e responsáveis para assistir o filme Minhocas.
Em janeiro tivemos também o lançamento da Cartilhas de Preservação do Patrimônio de Paranapiacaba, elaborada pelo Instituto Brasil Restauro, Arquitetura e Cultura em parceria com a MRS Logística, Agência Nacional de Transportes Terrestres e a Subprefeitura. O trabalho realizado em duas versões, infantil e adulta, é um manual importante para os moradores e para o futuro da Vila, que busca o reconhecimento de Patrimônio da Humanidade junto a Unesco. Outro serviço essencial foi a castração de cães e gatos na vila inglesa.
Fevereiro começou com o Curso de Primeiros Socorros no Cine Lyra e na EFA, na sede administrativa do Parque. Para os funcionários uma ótima oportunidade de participar do curso História de Paranapiacaba na semana antes da Folia do Momo. Por sinal, o Carnaval resgata uma tradição centenária com muito saudosismo. O mês termina com a Corrida de Rua Beneficente da Unipar. O Programa Moeda Verde no Parque Andreense também está no calendário ao longo da temporada.
Março é o mês dedicado às mulheres. Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, no dia 8, haverá a Corrida das Patroas em Paranapiacaba.
Já abril é dedicado ao aniversá-rio de Santo André. As festividades transcorrem durante todo o mês. O Festival do Cambuci será em todos os finais de semana e feriados na Vila, uma promoção da Associação Caminhos do Cambuci. O curso de Primeiros Socorros volta no dia 14 na Vila e no Parque Andreense, abordando novos temas. No dia 19, a tradicional Corrida de Montanha de Paranapiacaba.
Para maio está prevista a Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba entre os dias 29 a 31. Trata-se do maior evento da América Latina nesse ramo de atividade.
O primeiro fim de semana de junho terá a realização da Feira Literária e nos dois próximos finais de semana (13,14, 29 e 21) o Festival de Cinema, ambos em Paranapiacaba.
Como acontece todos os anos, julho é o mês do Festival de Inverno de Paranapiacaba. Este ano será a 25ª edição nos dias 25 e 26 de julho e 1 e 2 de agosto.
Agosto inicia com a Festa do Bom Jesus de Paranapiacaba, o padroeiro da Vila. A festa religiosa será nos dias 1, 2, 8 e 9. Dias 22 e 23, o famoso Steamcon Paranapiacaba.
Em setembro, a volta ao passado com o Medieval Paranapiacaba nos dias 5 e 6. No dia seguinte (7), para comemorar o feriado da Independência, haverá a Corrida Ultra Trail Run Paranapiacaba; e dias 19 e 20 o Festival de Ioga de Paranapiacaba; se encerrando com o Festival de Fotografia, que reúne grandes nomes da arte de fotografar, nos dias 26 e 27.
Outubro será a vez do Halloween na Vila no dia 31. Esse evento prosseguirá nos dias 1 e 2 de novembro. Já o Novem’beer Festival será na semana seguinte, 7 e 8, também na Vila.
Para encerrar o ano, dezembro será voltado para as festividades de Natal e Reveillon. Estão previstas a Vila de Natal e o Festival de Oratórios e Presépios de Paranapiacaba (FOOP), com as mais variadas criações natalinas.
Programe-se para participar desses eventos com a família. A lista pode reservar mais surpresas ao longo do ano. Aguardamos a sua presença!

Relógio da Estação de Paranapiacaba: o símbolo dos símbolos

Um dos símbolos mais marcantes de Paranapiacaba é, sem dúvida, o Relógio da Estação. Basta olhar a imagem para remeter à histórica vila inglesa formada a partir da construção da linha férrea pela companhia São Paulo Railway na década de 1860. A primeira estação foi denominada de Alto da Serra, inaugurada oficialmente em 1867.
O relógio foi erguido em meados de 1898 e tinha uma torre bem mais baixa. Somente em 1977, após a desativação da estação de madeira, a torre é reconstruída em novo local, em uma altura bem superior para melhorar a visão de todos. O relógio fabricado pela empresa Johnny Walker Benson, original 1901 de Londres, Inglaterra, era o destaque. As badaladas regulavam os horários dos trens e serviam para alertar a entrada e saída dos funcionários da ferrovia.
A arquitetura é semelhante ao famoso Big Ben de Londres. O modelo imponente é uma marca tradicional dos ingleses, que têm uma forte relação com relógios e são conhecidos como os mais pontuais do mundo.
O relógio de Paranapiacaba segue essa tradição. O que não falta são histórias e lendas. Um diferencial está nos números em romano, especificamente na hora quatro, que ao invés de IV está IIII. Segundo a lenda, um choque entre dois trens foi o res-ponsável pela mudança. O maquinista, ao olhar o horário pelo retrovisor, confundiu os números e partiu antes do programado. Isso causou um acidente grave com outro trem que vinha na mesma linha férrea.
O monumento é tão famoso que miniaturas são confeccionadas em larga escala pelos artesãos. Uma lembrança que não pode faltar para os turistas que visitam a Vila. Integrantes do Férreo Clube do ABC e Memória Ferroviária, que mantêm uma maquete de Paranapiacaba e Baixada Santista, pesquisaram e documentaram a quantidade de tijolos utilizados para formar a base da torre. O mais curioso é que a torre em miniatura instalada na maquete tem a mesma quantidade de tijolos que a original.
Ao todo são 6.731 tijolos, contados a partir de quatro faces . A primeira face, da porta de entrada da torre e placa do primeiro restauro, foi contabilizada com 1.579,5 blocos maciços.
A segunda face possui quatro janelas verticais, que consumiram 1661,5 tijolos. Já a terceira face é inteiramente tijolada, no total de 1776,5 tijolos.
A quarta e última face contém três janelas e a placa de inauguração. Foram utilizados 1713,5 tijolos na obra.
Os tijolos são feitos de argila amassada, moldados mecanicamente em forma retangular, cozido em forno e usado na construção de paredes e muros. As obras mais antigas usavam esse tipo de material. Atualmente as construções são à base de blocos vazados e de tijolo ecológico, produzido a partir de uma mistura de terra, cimento e água, mais sustentável e com menor impacto na natureza.
Em 2019, o símbolo histórico e cartão postal de Santo André passou por uma restauração completa e ainda ganhou uma iluminação especial. O investimento da MRS foi de mais de um milhão de reais. A entrega da reforma foi durante a realização do 19º Festival de Inverno de Paranapiacaba, no mês de julho, após dez anos sem funcionar. Antes disso, a última intervenção para a conservação da torre datava de 2003.
Venha conhecer o Relógio da Estação e outros equipamentos da Vila. A Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense do go-verno Gilvan Ferreira faz questão de manter todo o patrimônio histórico em ordem para tornar o local cada vez mais aconchegante e atrativo para os turistas.

A arte das placas de madeira nos comércios de Paranapiacaba

Quem passa pelas ruas de Paranapiacaba já deve ter percebido algumas placas de madeira nas fachadas do comércio local. Por trás desse trabalho artesanal tem um artista dedicado e apreciador da arte: José Felix dos Santos Filho, de 74 anos.
Popularmente conhecido como Felix dos Santos, ele é morador da Vila desde a década de 1970.
Ex-ferroviário, trabalhou como segurança e na bilheteria da famosa estação ferroviária de Paranapiacaba, que guarda na memória tantas histórias e destinos, incluindo os antepassados dele.
Como artista plástico e artesão de madeira está na ativa há mais de 35 anos. O começo de tudo tem como base a família. Alguns membros já mexiam com barro, madeira e pedra. A partir daí o amor pela arte só cresceu dentro de si.
Hoje, aposentado e autodidata como se autodefine, atende a pedidos de várias localidades. Na vila ferroviária as placas estão instaladas no Bar da Zilda, Pousada Shamballa, Avalon, Cachaça do Moretti, Bar do Ferreira, Beco do Rock, Ice Crea Rolls, entre outros estabelecimentos.
Além de Paranapiacaba seus trabalhos podem ser encontrados em São Paulo e no centro de Santo André. No passado vendia as obras produzidas na Feira de Artesanato do Ipiranguinha.
José Felix conta que basta entregar um cartão de visitas com o logotipo da marca que a criação surge naturalmente. Ele confessa que muitas vezes a arte é um complemento de renda e ajuda na despesa familiar.
Na época da pandemia o Bar Casa do Norte Mandacaru, instalado em Mauá, fechou as portas. O empreendimento era gerenciado junto da esposa Vitória Henrique Souza Santos, com quem é casado há 51 anos. Mas, graças a Lei Aldir Blanc conseguiu sobreviver com a produção das placas artesanais, feitas em sua própria residência na Vila de Paranapiacaba.
A Lei Aldir Blanc ( Lei nº 14.017/2020) foi criada emergencialmente pelo Governo Federal durante a pandemia da Covid-19 para socorrer a cultura no Brasil, quando as portas se fecharam para conter a propagação do coronavírus. Como o setor interage diretamente com o público, as medidas restritivas de isolamento provocou um impacto direto na cadeia produtiva cultural. Foi destinado R$ 3 bilhões em recursos para Estados e Municípios que apoiam artistas, produtos e espaços voltados à Cultura.
Hoje tem a Casa Portal das Artes, na parte Baixa da Vila, onde mora e produz as peças inspirado na natureza.
Em dezembro o artista participou da exposição Arte no Museu, que aconteceu na Casa Fox. O projeto da artista e escritora Brida Cezar vai até abril de 2027 com mostras de 18 artistas que possuem vínculo direto ou indireto com a Vila, uma parceria com a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e o governo Gilvan Ferreira. A estréia foi com Tony Gonzagto. O trabalho de Felix dos Santos foi o segundo da série a se apresentar. Em janeiro de 2026 o contemplado é Zé Mário Francisco.
A arte rústica representa bem o estilo dos patrimônios da Vila fundada pelos ferroviários ingleses a partir de 1860. Uma simplicidade que contrasta com o urbano e se conexa com natureza do bioma da Mata Atlântica.
Por isso, quando visitar a Vila repare que o pioneirismo local não se limita à História da Ferrovia do Brasil. Paralelamente à construção surgiram as necessidades e a comunidade passou a reinventar para melhorar a qualidade de vida.

Mais um avanço: Cartilha de Paranapiacaba

Paranapiacaba ganhou uma cartilha. Uma não, duas, na verdade. Porque são duas versões: infantil e adulta.
A Cartilha de Preservação para o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Paranapiacaba foi idealizado e conduzido pelo Instituto Brasil Restauro com apoio da MRS Logística, ANTT, Ministério dos Transportes, Governo Federal e Unesp.
A Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense só tem a agradecer pelo trabalho impecável que demorou de junho a outubro de 2025 para ser finalizado.
Cartilha é uma publicação resumida de caráter pedagógico, didático e informativo. Em geral possui uma linguagem clara e objetiva com ilustrações como chamarizes para facilitar a compreensão. Nesse caso, o conteúdo tem dois públicos-alvos de diferentes faixas etárias.
Imagine uma criança na idade escolar. É preciso buscar atrativos diferenciados, que seja pedagógico e lúdico ao mesmo tempo que diverte.
Para o adulto o texto pode ser mais técnico, porém prático, com ensinamentos que alcancem o objetivo proposto. Uma delas é vital para a comunidade: o cuidado com a sua moradia. Dicas como conservar o seu imóvel de acordo com as leis em vigor; quais são as burocracias e quais os caminhos a serem tomados; o que se pode fazer em termos de manutenção e reforma do imóvel . Todas essa informações têm a proposta de ajudar o convívio do morador no local onde vivem.
Com base em pesquisas oficiais, a cartilha traz a formação da vila na época da construção da ferrovia Santos-Jundiaí pela empresa britânica São Paulo Railway Company, lá pelos idos do século XIX até o início do século XX.
Também constam detalhes dos patrimônios materiais (bens imóveis e tombamentos) e imateriais ( aqui incluem-se festas populares, esportivas e religiosas; e as famosas lendas); os patrimônios ambientais (como as florestas, as nascentes, as trilhas, o cambuci e a neblina que encobre a região); e por fim, o patrimônio cultural (os lugares, os costumes, as festas, a memória e as brincadeiras).
Outros destaques da publicação são o turismo como fonte de trabalho e renda , as oficinas com seus objetivos, critérios e dinâmicas; e um capítulo sobre o presente e o futuro.
Cuidar do patrimônio deixado pelos antepassados significa manter a história viva para que outras gerações possam compreender o presente, que protege e recria o passado, e o futuro, resultado das escolhas do presente.
Tudo isso é peça importante para alcançar uma meta mais alta: o reconhecimento da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) para transformar Paranapiacaba, o lugar onde se vê o mar, em Patrimônio Mundial da Humanidade.
Uma série de fatores unidos só engrandece nossa luta. A cartilha, por si só, já é um convite. Observar a Vila de Paranapiacaba de um jeito diferente, percebendo como o patrimônio está presente no cotidiano para contar a história de quem somos. É isso que está escrito internamente.
A exigência da Unesco é grande. Temos que seguir certas regras para conquistar o título. E seguimos a risca para conseguir esse intento.
A Vila de característica inglesa jamais pode ser desvalorizada por tudo que representa. E Santo André tem a honra de ter esse patrimônio em mãos. As autoridades, liderada pelo prefeito Gilvan Ferreira, têm consciência dessa importância e faz de tudo pela preservação da memória.