Educação

Colégio Bandeirantes promove “X Semana de humanidades” com debate sobre violência contra a mulher

O Brasil enfrenta hoje um de seus cenários mais desafiadores no que tange à segurança e aos direitos das mulheres: o país registra uma média de quatro vítimas de feminicídio por dia e os assassinatos por motivo de gênero bateram recordes recentes, atingindo a marca de 1.568 mulheres mortas em um único ano. Diante desta realidade alarmante — em que a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (DataSenado) aponta que 27% da população feminina já sofreu violência doméstica —, o Colégio Bandeirantes realiza sua “X Semana de Humanidades”. O evento colocou o tema “Violências contra a Mulher” no centro da formação cidadã de alunos do Ensino Fundamental I ao Ensino Médio.

Tradicional instituição de ensino paulistana engaja alunos do Ensino Fundamental ao Médio em reflexões urgentes sobre o papel do feminino na sociedade, direitos humanos e cidadania
(Foto: Divulgação)

Os dados do Atlas da Violência mostram a urgência da abordagem preventiva: são quase 294 mil notificações de violência registradas nos serviços de saúde por ano e, em mais de 60% dos atendimentos, a vítima relata um histórico de agressões anteriores. Sabendo que o ambiente doméstico é o principal local de risco e que a violência atinge desproporcionalmente mulheres negras e periféricas, o Colégio Bandeirantes — como escola associada à UNESCO — propõe quebrar esse ciclo contínuo por meio da educação.

“Esse ano, ao discutir o tema para a nossa Semana, a equipe de Humanidades concluiu que a violência de gênero é um pilar que sustenta diversas outras formas de intolerância na sociedade. Quando debatemos masculinidades e as violências contra a mulher na escola, estamos dando aos alunos as ferramentas necessárias para enxergar além do óbvio e romper a naturalização de comportamentos tóxicos. O letramento crítico em diversidade faz com que o jovem perceba como o ambiente doméstico e social muitas vezes perpetuam ciclos de desrespeito, assédio e agressão. Educar para a equidade é a única vacina a longo prazo contra as estatísticas devastadoras. Esse trabalho ganhou ainda mais força por nascer do olhar multidisciplinar das equipes envolvidas: Artes, Convivência, Espanhol, Filosofia, Geografia, História, Inglês, Português e Sociologia.” explica Márcia Abdo, coordenadora de Geografia do Colégio Bandeirantes. 


As atividades foram iniciadas com o MONU-EM (Modelo das Nações Unidas para o Ensino Médio), engajando os estudantes na resolução de conflitos sob a perspectiva diplomática. Ao longo da semana, a programação estendeu-se para conectar os alunos a especialistas, pesquisadores e ex-alunos que atuam ativamente na desconstrução desse cenário estrutural. 

Confira alguns temas debatidos durante a “X Semana de Humanidades”:

  • Debate sobre Masculinidades: O cineasta e ex-aluno do Band, Léo Hwan, conduziu um bate-papo com foco na desconstrução de estereótipos de gênero e o papel do homem no século XXI.
  • Geopolítica e o olhar feminino: A pesquisadora Ana Carolina P. de S. Cipriano, do IRI-USP, ministrou a palestra “Heroínas, Vítimas ou Estereótipos? A Mulher na Mídia durante Conflitos Armados e propôs uma reflexão profunda sobre a condição feminina a partir da análise de fotos de mulheres em situações de conflitos.   
  • Inclusão e Estética no Esporte: A “atleta de peso” Ellen Valias debateu com os estudantes a representação e a pressão estética sobre o corpo feminino no ambiente esportivo.
  • Cultura:  Ao final da semana de humanidades, ocorreu a exibição do premiado curta-metragem de animação Safo, que aborda o tema da violência contra a mulher de forma simbólica e histórica, focando no apagamento e silenciamento das vozes femininas ao longo dos séculos. A obra dialoga com as opressões estruturais que atravessam a existência da mulher desde a antiguidade até os dias de hoje. Em seguida os alunos puderam participar de debate com a diretora do curta, Rosana Urbes e a assistente de direção Rafaela Milani, ex-aluna do Band.
  • Diversidade:  Além disso, a Prof.ª Karina Fuga (responsável pelo Bandiversidade) liderou uma análise e reflexão sobre como a violência de gênero extrapola os limites da relação masculino-feminino, constituindo um dos pilares das LGBT+ fobia. 

Além das palestras e oficinas de arte com grupos de pesquisa como o FIGAS (vinculado à UNESP), a escola abrigou salas temáticas e exposições de trabalhos desenvolvidos exclusivamente pelos próprios alunos.

Para a instituição, trazer dados tão duros da realidade nacional para dentro do ambiente escolar reforça o compromisso inegociável de não apenas formar mentes academicamente brilhantes, mas cidadãos conscientes e preparados para liderar a construção de um futuro mais justo, seguro e equitativo.