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Com mais feriados em dias úteis, Comércio paulista deve deixar de faturar R$ 17 bilhões em 2026

O Comércio do Estado de São Paulo deixará de faturar R$ 17 bilhões em razão dos feriados e das chamadas “pontes” em 2026, de acordo com estimativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O maior número de pausas em dias comerciais em relação a 2025 provocará um resultado 13,9% maior — o equivalente a R$ 2,1 bilhões a mais em perdas. No ano anterior, foram 9 feriados em dias úteis e 5 pontes, enquanto em 2026 serão, respectivamente, 12 feriados e 4 pontes. 

Em 2025, foram 9 feriados em dias úteis e 5 pontes, enquanto em 2026 serão, respectivamente, 12 feriados e 4 pontes
(Foto: Arquivo)

Dentre as atividades analisadas pela Federação, farmácias e perfumarias devem apresentar a maior alta proporcional nas perdas: de 15,8%, alcançando R$ 2,3 bilhões. Na sequência, aparecem os supermercados, com elevação de 15% e cerca de R$ 8,2 bilhões a menos em faturamento — o maior volume absoluto de perdas, equivalente a 48,4% do total.
 
O grupo de outras atividades, no qual predomina o comércio de combustíveis, deve concentrar um quarto das perdas, totalizando R$ 4,2 bilhões — alta de 11,1%. A expectativa é que as lojas de vestuário, tecidos e calçados deixem de faturar quase R$ 2 bilhões, alta de 14,9% em relação ao ano passado. Enquanto isso, as lojas de móveis e decoração devem registrar perdas de R$ 280 milhões, alta de 5,8% na mesma base de comparação.
 
O estudo considerou as seguintes datas: Confraternização Universal, Carnaval, Paixão de Cristo, Tiradentes, Dia do Trabalho, Corpus Christi, Independência, Nossa Senhora Aparecida, Finados, Consciência Negra e Natal.
 
Parcerias ajudam a amenizar reflexos
 
Para os comerciantes que terão redução do consumo ou ficarão fechados, a principal orientação é criar estratégias para conseguir atingir a meta de faturamento do mês em outros dias. Nesse sentido, fazer parcerias e explorar os canais digitais podem ajudar.
 
Uma opção é atrelar a venda a um benefício no setor de Serviços. Isto é, o consumidor compra um produto e ganha uma atração (cinema, parque, restaurante etc.) no feriado. O e-commerce, por estar disponível 24 horas por dia — e ao possibilitar a compra por clientes de outras regiões —, também é uma ótima ferramenta para reduzir os prejuízos. Outra possibilidade é oferecer descontos mais agressivos nos dias que antecedem o feriado.
 
Importante ressaltar, contudo, que não há uma estratégia comum para se proteger dos impactos. A melhor saída vai depender da dinâmica de cada negócio e do tipo de produto comercializado.
 
Comércio retrai, mas Turismo ganha fôlego
 
Se, por um lado, o comerciante pode encontrar mais dificuldades para vender produtos nos feriados, por outro, o Turismo tende a se beneficiar da data. Isso acontece porque municípios com vocação turística tendem a observar um aumento no fluxo de pessoas.
 
Além disso, as famílias costumam gastar mais com as atividades dos Serviços, como transporte, bares e restaurantes.
 
 
A projeção da FecomercioSP considerou a redução do movimento e um comportamento médio do consumidor, não observando características sazonais e regionais. Levou-se em consideração uma perda parcial nas vendas no dia, e não a sua totalidade. Além disso, os cálculos consideraram apenas os feriados nacionais e as datas que tradicionalmente alteram a dinâmica do varejo — como a segunda e a terça-feira de Carnaval e Corpus Christi —, bem como os segmentos mais sensíveis às compras por impulso.

No caso das compras feitas com programação — como é comum no comércio de bens duráveis (veículos, eletrodomésticos etc.), por exemplo —, não há perda para o Comércio, uma vez que, se o consumidor não adquirir o produto durante o feriado, vai realizar a compra em outro dia.

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