
O secretário de Segurança da Capital, Orlando Morando, se filiou ao MDB, neste sábado (28), em hotel de São Bernardo, para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, na eleição de outubro próximo. Morando já foi vereador, deputado estadual por quatro vezes e prefeito de São Bernardo, por duas vezes.
O ato de filiação ocorreu na presença do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB); dos prefeitos de São Caetano e Diadema, respectivamente, Tite Campanella (PL) e Taka Yamauchi (MDB); da deputada Carla Morando (PSDB), além de vereadores da Capital e do ABC. Também estiveram presentes os filhos do casal Morando, Antonella e Orlandinho, além da presidente municipal do MDB em São Bernardo, Thais Santiago.
O ex-presidente da República, Michel Temer, cuja presença estava prevista, não compareceu e enviou mensagem por meio de vídeo, na qual disse que vê com “com alegria cívica e partidária” a vinda de Orlando ao MDB. “Ele vai enriquecer enormemente o nosso partido”, afirmou.
Ricardo Nunes, assim como Tite e Taka, destacou as qualidades de Morando. “Guerreiro e trabalhador” para Taka; “corajoso” para Nunes e “homem de muito trabalho e energia” para Tite. “Não queremos que vá para Brasília, nos representar, um deputado federal, que seja medroso. Queremos um que seja competente, corajoso e trabalhador e o Orlando provou que é”, disse o prefeito da Capital.
A esposa Carla anunciou que fica “muito feliz” com essa nova missão de Orlando, em um novo partido. “Ele terá a missão de buscar ser deputado federal e trazer mais recursos e desenvolvimento para toda nossa região”, comentou.
Orlando revelou que aceitou o desafio de ser pré-candidato a deputado federal, não por vaidade, mas porque, em sua avaliação, “não dá para continuar com essa mesmice que estamos vivendo” e citou que um dos problemas mais graves da sociedade brasileira é a falta de segurança.
Propostas
A principal bandeira do pré-candidato na Câmara, caso eleito, será a Segurança. Nunes destacou o trabalho de Orlando frente à pasta municipal da área, citando o Smart Sampa e garantiu que Morando, em Brasília, poderá defender a redução da maioridade penal e a injeção química para estupradores. “Não é possível um cara de 16 anos aprontar e não acontecer nada com ele. Temos que trabalhar para aprovar a injeção química em cara que comete estupro. Não dá para dizer que um homem que comete estupro possa conviver na sociedade e atacar mais alguma mulher”, disse.
Críticas ao Judiciário e ao Congresso
Morando elevou o tom da voz ao criticar o Judiciário. “Juiz tem que cumprir o que está na lei, só que esses covardes deputados federais não têm coragem de assinar uma representação contra um juiz que está errando”, disse. “Está na hora do Brasil ver juiz corrupto preso”, completou.
Ainda reforçou que “não dá mais para suportar” quando um magistrado comete um erro, indagando: “Qual a punição? Aposentadoria com salário integral? Na magistratura quando eles erram são premiados. Isso aqui está à beira de um abismo”.
O pré-candidato chamou o Congresso Nacional de covarde. “Temos um Congresso covarde, senão total, a sua grande maioria, porque não é razoável o Senado Federal, que é o único órgão fiscalizador capaz de punir, deixar um ministro do Supremo se manter calado. São covardes, amedrontados”, frisou.
Também disse que é um dos que aplaudem quando vê um prefeito afastado por corrupção, quando vê um “mau policial” demitido e preso devido às suas condutas.
Críticas ao governo federal
Nunes também fez críticas ao PT. “Este atual governo deve pagar mais de R$ 1 trilhão de juros da dívida pública e temos a segunda maior taxa de juros do mundo, só perdemos para a Turquia. Temos que limpar essa turma. Se tivermos Flávio presidente e Tarcísio governador não vai faltar dinheiro”, destacou. “No Estado temos que reeleger o Tarcísio no primeiro turno. Já imaginaram o Haddad governador de São Paulo e acabar com o Estado? Foi o pior prefeito de São Paulo, o Taxad”, completou.
Morando subiu o tom das críticas, chamando os petistas de malditos. “Lutei para não deixar o PT voltar, não deu, não foi por falta de aviso, e esses malditos voltaram”, disse.

Saída do PSDB
Na ocasião, Morando elogiou o PSDB, partido que segundo ele foi “responsável por estabilizar a moeda, colocou São Paulo nos trilhos”, e citou os ex-governadores Franco Montoro e Mário Covas. “O PSDB deixou a sua história. Ajudei a deixar o PSDB maior, cheguei a Executiva Nacional com bons propósitos”, disse.
Revelou que sua história na sigla se encerrou, porque o partido passou a ter dono. “A minha história encerrou no PSDB não pela minha vontade, porque o PSDB passou a ter um vício que muitos partidos infelizmente têm. Um partido que passou a ter dono e partido não pode ter dono. O dono dos partidos são os ideais das pessoas, os anseios e as vontades populares e, infelizmente, isso se perdeu no PSDB. Tamanha tragédia que eles insistiram no erro e pagaram um triste preço”, afirmou.
Apoio à Flávio Bolsonaro
Ricardo Nunes garantiu à Folha, que irá apoiar Flávio Bolsonaro (PL), ainda que o presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, tenha sinalizado, recentemente, que a sigla possa adotar a neutralidade nas eleições presidenciais.
“Se o Baleia está fazendo esse tipo de comentário eu lamento muito porque a gente tem posição. Meu candidato a presidente é o Flavio contra o PT. Precisamos limpar o país desta corja que está aí. O meu candidato a governador é o Tarcísio de Freitas, só preciso definir os nossos senadores, que devem ter coragem e capacidade de enfrentar tudo isso aí, inclusive esse autoritarismo que o Judiciário tem imposto a nós. Não tenho dúvida que a gente vai conseguir recuperar nossa nação de um governo que tem feito uma péssima gestão”, afirmou.
Nunes revelou que tanto Derrite, quanto André do Prado são ótimos nomes para disputar o Senado. “Se for o André do Prado para mim está ótimo, se for o Derrite, também. O grupo precisa decidir. São duas vagas. Agora, precisa fazer pesquisa e não perder as duas vagas”, alertou.
Número de votos e dobradas
Questionado pela Folha, sobre a quantidade de votos que precisa para se eleger deputado federal, Morando comentou: “Quem quer ganhar a Copa do Mundo não pode escolher os times adversários. Precisa ter voto. Nunca pensei em ter mais ou menos votos. É o bom diálogo. Tenho a convicção de que é difícil um partido eleger um deputado federal com menos de 130 mil, 140 mil votos. Tenho que trabalhar e vou trabalhar levando a melhor proposta e o resultado, depois depende das pessoas”.
Sobre as dobradas contou que são várias. “São várias, a principal é com a Carla, naturalmente, principalmente no ABC: Santo André, São Caetano, Diadema, São Bernardo com a Carla. Em outras cidades, ela tem outras dobradas com deputados federais, que ela tem atuado no interior e eu também terei outras”, pontuou.














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