Conversas de Memória

Comércio de rua: feiras livres, quiosques, barraquinhas, ambulantes…

Participantes do encontro de Conversas de Memória

Depois das festas de final de ano, das férias de janeiro e praticamente todo o mês de fevereiro sem os encontros de memorialistas, que já estavam saudosos das conversas, na quarta (25), o Centro de Memória de São Bernardo, da Secretaria de Cultura, da Prefeitura de São Bernardo, promoveu mais um encontro de Conversas de Memória, tendo por tema “Comércio de rua: feiras livres, quiosques, barraquinhas, ambulantes…”
A proposta buscou trazer as memórias desse comércio, com suas características peculiares, sujeito às condições, por vezes instáveis, que a rua como cenário oferece.
Apesar de nem sempre valorizados, tiveram – e em alguns casos ainda têm – muita importância no cotidiano da população, uma vez que outrora não havia tantas opções como hoje, com os super e hipermercados, bem como o comércio virtual.
O grande destaque das conversas foram as feiras livres, ainda hoje muito presentes na cidade, porém com perfis diferentes, que foram se alterando ao longo do tempo.
Hoje, basicamente as feiras livres são locais para a compra de verduras, legumes, frutas, peixes e o insuperável e imprescindível pastel. Há, ainda, algumas poucas bancas de ovos, frangos e outros. Mas, houve tempo onde também se comprava roupas, calçados, brinquedos, carne, arroz, feijão, macarrão, biscoitos, queijos, salames, chouriço, doces etc. Para as crianças a feira era um grande atrativo, quase um supermercado a céu aberto.
Bem de madrugada, por volta de 4 ou 5 horas da manhã, os feirantes já chegavam e montavam suas bancas. Trabalho árduo, que não termina com o encerramento da feira, mas se estende por todo o dia, como relatou uma participante que foi feirante por mais de 60 anos e criou os filhos embaixo das bancas da feira.
Foi lembrado que os ovos eram embrulhados junto com serragem – buscada nas fábricas de móveis da cidade – para que não se quebrassem no transporte até a casa.
E a criatividade dos feirantes para atrair os fregueses, com bordões como “casca fina é doce”, sobre laranja, ou “moça bonita não paga, mas não leva”…
Havia também, nas décadas de 1960 e 70, os meninos que ficavam com carrinho no início ou final da feira se oferecendo para transportar as mercadorias até a casa do comprador; era uma fonte de renda…
Além das feiras livres, foram lembradas as diversas barraquinhas que existiam na cidade, comercializando os mais diferentes produtos: frutas, pipoca, doces, churros, fogos de artifício e bombinhas (na época das festas juninas), cachaça (nas portas das fábricas), cartões de natal… até mesmo uma barraquinha de sapateiro, no bairro Assunção. E a primeira barraquinha que vendia cachorro-quente na cidade, que ficava na esquina da Rua Dr. Fláquer com Marechal Deodoro.
E os vendedores ambulantes, como o “Zé das meias”, que passava com uma mala cheia de meias, vendendo nas ruas do centro; o vende-dor de flores, que usava uma bicicleta para circular e vender seus produtos; o Agostinho bananeiro; o Zé das frutas; o Luiz Leiteiro; o Zé mascate, que vinha de charrete e vendia enxovais, toalhas e roupas, inclusive atendendo pedidos específicos de roupas, trazendo na semana seguinte…
Outros produtos foram lembrados, quem eram vendidos por ambulantes: quebra-queixo, sorvetes, pães, biscoitos, pamonha, sacos de farinha vazio para confecção de guardanapos, livros, panelas, cobertores… E o vendedor de biju, com sua chamativa matraca, bem como o afiador de facas e tesouras, com seu apito característico…
Muitas outras lembranças foram compartilhadas, com certa dose de saudosismo… Nas palavras de uma participante: “O tempo passa e muda tudo… ainda bem que a gente tem memória para lembrar…”

Jorge Magyar