Negócios

Como organizar as finanças pessoais para o ano novo

Em um país onde 55% dos brasileiros admitem entender pouco ou nada de educação financeira, economista aponta caminhos práticos para virar o jogo e começar 2026 no azul 

Começar um novo ano com as contas em ordem é um desejo comum, mas distante para boa parte dos brasileiros. Segundo a 17ª edição do Observatório Febraban, realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), 55% da população afirma entender pouco ou nada sobre educação financeira, embora a maioria reconheça a importância do tema. 

Para Fernando Sette Junior, economista e professor dos cursos de Gestão e Negócios do Centro Universitário UniBH – integrante do Ecossistema Ânima - a virada financeira não depende de fórmulas complexas: começa pelo diagnóstico da vida econômica real, passa por planejamento e termina na disciplina cotidiana.

“O primeiro passo é mapear a realidade financeira e não a idealizar”, afirma. Isso significa listar todas as fontes de renda, levantar os gastos fixos e variáveis dos últimos meses e entender como o dinheiro realmente se comporta. Só então é possível construir um orçamento previsível, que priorize moradia, alimentação, transporte e compromissos financeiros antes do consumo. Automatizar pagamentos e metas como transferências para poupança ou Tesouro Selic também reduz decisões impulsivas. Ainda segundo o especialista, para quem deseja transformar a vida financeira em 2026, metas financeiras no modelo SMART (específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com prazo) podem ser as mais recomendadas. Em vez de objetivos vagos como “economizar mais”, ele sugere definir alvos concretos, divididos em etapas trimestrais para facilitar ajustes ao longo do ano. “Considere inflação, aumentos salariais prováveis e compromissos já assumidos. Planejamento realista aumenta a adesão.” 

Para 2026, um dos focos deve ser a reserva de emergência
(Foto: Divulgação / Pexels)

Por outro lado, aqueles que não aderiram a prática do planejamento desde o início do ano, tendem a cometer deslizes comuns quando o assunto é vida financeira: confundem renda extra com dinheiro livre, especialmente 13º Salário e bônus; assumem parcelas longas sem prever imprevistos; ignoram gastos sazonais (como material escolar, IPTU e IPVA) e não acompanham o orçamento. “A prevenção vem do planejamento antecipado, do uso de aplicativos de monitoramento financeiro e da priorização de liquidez”, alerta.

Reserva de emergência: o pilar da segurança financeira 

Para 2026, um dos focos deve ser a reserva de emergência. O professor explica que o ideal é guardar entre três e seis meses de despesas essenciais, podendo chegar a 12 meses no caso de trabalhadores autônomos. A reserva deve ser aplicada em produtos seguros e líquidos, como Tesouro Selic ou CDBs de liquidez diária. “Reserva não é investimento para ganhar dinheiro. É seguro financeiro”, reforça. Parte da renda, do 13º salário ou de restituições pode, e deve, reforçar esse colchão. 

Começar a investir, segundo reforça Sette, não exige grandes quantias. “No Brasil, é possível iniciar com valores entre R$ 30 e R$ 100, especialmente em títulos públicos e fundos de baixo custo”. Depois de formada a reserva, o docente do UniBH recomenda guardar mensalmente cerca de 10% da renda, valor que pode aumentar conforme a vida financeira melhora. “Investir cedo, ainda que pouco, é mais poderoso do que investir muito tarde”, afirma. A prática protege o poder de compra e ajuda a construir patrimônio ao longo dos anos. 

O economista destaca ainda que a organização financeira não deve ser sinônimo de privação. Uma estratégia eficiente é prever no orçamento a categoria “lazer consciente”, destinada a pequenos prazeres planejados. “Quando o gasto faz sentido e entra no planejamento, a disciplina aumenta. O importante é que o prazer não venha antes das necessidades, dívidas e metas de longo prazo. O equilíbrio vem do propósito: gastar com o que importa e evitar gastos automáticos”. 

Por fim, o especialista reforça que alguns sinais como comprometimento de mais de 30% da renda com dívidas, uso recorrente do cheque especial, ansiedade ao abrir faturas, conflitos familiares e incapacidade de poupar por meses consecutivos, são indícios de que é preciso buscar ajuda profissional para tentar equilibrar a vida financeira. Sette deixa um ‘conselho de ouro’: a regra essencial para um 2026 financeiramente saudável cabe em uma frase: Gaste menos do que ganha e invista a diferença de forma consistente. “Não é glamour, é disciplina”, afirma. “Quem monitora gastos, se protege contra emergências e investe com regularidade conquista liberdade financeira independentemente da renda.”