AME Memórias de São Bernardo

Componentes da Alvorada

Componentes da Alvorada na passagem do ano de 1957 para 1958 (acervo: Centro de Memória.de São Bernardo)

Estamos às portas de 2026. E algumas lembranças de minha infância florescem: numa noite da véspera de mais um novo ano e a presença dos “Componentes da Alvorada”. Tenho nítida, em minha memória, a visão de alguns rapazes entrando na sala da casa simples de minha família, no bairro Assunção em São Bernardo. Eles traziam um pequeno estandarte, tinham instrumentos musicais, os tocavam e cantavam; “Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo – que tudo se realize no ano que vai nascer…”
Que maravilha! Nunca havia visto cantoria tão linda e com pessoas que pareciam não pertencer ao mundo que eu conhecia. Mas, de repente, vislumbro, entre eles, meu tio Izeti – o tio Alberto Boff, casado com a tia Maria Breda, irmã de meu pai Angelo.
Fiquei tão contente, pois não eram mais estranhos! Cantaram com muito entusiasmo e, ao final da canção se aproximaram da mesa em que minha mãe, Maria Lídia, tinha acabado de colocar sobre ela, fatias de panetone e copos com tubaína. Todos seguraram os copos e brindaram a um “Feliz e Próspero Ano Novo”.
Depois, entregaram um cartão com a foto deles em branco e preto, apanharam seus violões, pandeiros, afoxés, bongôs e se dirigiram à porta dos fundos e foram embora, cantando a tradicional composição que, anos mais tarde descobri tratar-se de “Fim de Ano” com letra de David Nasser e música de Francisco Alves.
Fiquei sabendo que tinham ainda diversas andanças pelo bairro para visitarem muitas casas madrugada afora, seguindo quase que um ritual – entrar pela porta da frente, cantando e brindando com as famílias de cada lar, desejando votos de um excelente ano e, em seguida, saírem pela porta dos fundos – provavelmente era uma simbologia de “entrar em nova jornada e deixar o que passou para trás”.
Eles eram os “Componentes da Alvorada” – todos rapazes do bairro Assunção. Faziam parte do grupo estes participantes: Acendino da Silva, Caixinha, Izidio Rocco, Paulo Adamo, Chico e Rubens Marotti, Geraldo Presenti, Benevides, Geraldo Mineiro, Claudionor Nilander e os da família Boff: Angelo (Chéo), Otávio, Alberto (Izeti) e Sérgio. Tiveram uma trajetória marcante que durou de 1953 a 1960. No estandarte, que sempre carregavam, estava escrito o nome do grupo e os anos – aquele que estava se findando e o que iria se iniciar.
Além de levarem alegria a cada família que visitavam também arrecadavam pequenos valores para, posteriormente serem doados para as obras da construção da Igreja da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção.
É tão emocionante ter a lembrança daqueles jovens animados e dedicados cantando a canção e que, neste instante, me vem à mente e, então, cantarolo: “Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo…”

Hilda Breda – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).

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