Conversas de Memória

Corais de São Bernardo

Participantes do encontro de Conversas de Memória

No dia 22 de novembro come-moramos o Dia do Músico, em referência ao dia de Santa Cecília, considerada Padroeira da Música e dos Músicos.
Para Platão, “a música é um meio mais poderoso do que qualquer outro, porque o ritmo e a harmonia têm a sua sede na alma (razão)…”
Assim, dada a importância da música em nossa vida e dentro do clima musical que contagia novembro, na quarta (26), o Centro de Memória de São Bernardo, da Secretaria de Cultura, da Prefeitura de São Bernardo, promoveu mais um encontro de Conversas de Memória, tendo por tema um segmento musical: Os Corais de São Bernardo.
A música sempre foi muito presente na cidade através das bandas, que eram presença frequente nas praças e eventos públicos, como também dos conjuntos musicais, cantores, cantoras, corais…
Como ocorre ainda hoje, muitos corais nasceram e têm sua trajetória vinculada às Igrejas: Católica, Evangélicas e outras.
Um dos mais antigos lembrados, que existe até hoje, o Coral Santa Cecília foi formado por volta de 1926, na Igreja Matriz. A princípio cantava nas missas, ainda em latim, posteriormente, com a reforma litúrgica, passou a cantar também em português. Em seu repertório, tinha músicas populares, cantadas em italiano.
No início dos anos 50, o Coral Santa Cecília participou da trilha sonora de um filme produzido na Cia. Cinematográfica Vera Cruz, este tendo como temática a peregrinação a Aparecida do Norte.
O Santa Cecília teve ao longo desses anos todos muitos maestros, destacando-se Atílio Miele e Isaías de Jesus.
Em certo momento alguns membros do Coral Santa Cecília formaram um Coral no Pronto Socorro Central e, mais tarde, outros membros deixaram o Coral e formaram um Coral na Igreja Santíssima Virgem, com Frei Sebastião.
Também foi lembrado o Coral Bartira, organizado por Odette Tavares Bellinghausen, com grande atuação nos anos 40 e 50.
Formado pelo Padre Albano, em 1957, com membros de famílias italianas, muitas recém-chegadas à cidade, foi lembrado o Coral São Pio X, que era constituído de vozes masculinas, que não tinham muito conhecimento de música, mas muita vontade. Muitos saíam do trabalho direto para os ensaios. Depois do ensaio, ficavam cantando músicas tradicionais italianas. Teve como primeira maestrina Pina Rossi Zampieri.
Roni Basso, que estudava piano, começou a participar desse coral atendendo ao convite do Padre Fiorente Elena, que tinha comprado um órgão e a convidou para tocá-lo.
O Coral São Pio X foi, em grande medida, inspiração para anos depois ser formado o Coral Bicchieri d’Oro.
O Bicchieri nasceu em 1983, a partir de um grupo que se reunia aos domingos na casa de Aldo Rosa, no Riacho Grande, para cantar músicas italianas, da região montanhosa da Toscana. Depois, com a criação do Círculo Italiano da Toscana, ali mesmo no Riacho Grande, este incorporou o Coral Bicchieri d’Oro.
O Bicchieri d’Oro foi um dos agentes motivadores para revigorar a Festa de São Bartolomeu. Tem como proposta não só a música, mas a cultura italiana. Inclusive, já esteve se apresentando em Maróstica, cidade-irmã de São Bernardo, na Itália.
Nascido também no Riacho Grande, porém atualmente sediado no Baeta Neves, há o Coral Vozes da Cidade.
A música faz parte da tradição das igrejas evangélicas históricas, que estimulam e propiciam formação para os jovens. A Igreja Metodista de São Bernardo mantém há muitos anos um coral, que sempre foi muito solicitado para apresentações, especialmente na época de Natal.
Em 1983, a Prefeitura de São Bernardo lançou um projeto com o convite: “Venha cantar com a gente”. Desse projeto nasceu um coral, tendo à frente Gonzalo Labrada.
Ainda dentro das ações desenvolvidas diretamente pelo poder público municipal, houve por alguns anos a promoção de encontro de corais, que tinham por finalidade, além das apresentações, estimular o surgimento de novos corais e a manutenção dos existentes.
No programa voltado à 3ª idade, desenvolvido pela Prefeitura, também foram formados corais com integrantes dos grupos de 3ª idade.
Algumas fábricas da cidade mantinham corais, como a Mercedes Benz, a Volkswagen…
A Academia Escola de Filosofia mantém um coral há 10 anos.
Enfim, foram e são vários os corais existentes na cidade, fazendo coro às palavras do filósofo Friedrich Nietzsche: “Sem música a vida seria um erro”.

Jorge Magyar

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