
A Câmara de São Bernardo protocolou, nesta semana, o pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a obra da alça de acesso no km 16 da Rodovia Anchieta. A iniciativa dos vereadores João Viana (Cidadania) e Julinho Fuzari (Republicanos), conta com o apoio de todos os 28 vereadores da cidade.
A intervenção viária vem sendo alvo de questionamentos técnicos desde sua entrega parcial, em 2024. A decisão marca uma escalada nas apurações iniciadas anteriormente por uma comissão especial de vereadores e ampliará o escopo de investigação sobre possíveis irregularidades na execução do projeto.
“A união de todos é muito importante para que este caso seja esclarecido. A população de São Bernardo está claramente insatisfeita e com razão, afinal, foram R$ 32,5 milhões para piorar o trânsito da região”, afirma João Viana.
A obra teve custo superior a R$ 32 milhões apenas na primeira fase e foi viabilizada por meio de recursos públicos, incluindo verbas municipais e aportes oriundos de emendas parlamentares. Entre elas, cerca de R$ 12 milhões destinados pelo deputado federal Alex Manente (Cidadania). “Sou a favor da transparência e vou contribuir com as investigações para saber como o recurso que conquistamos foi utilizado”, diz Manente.
O objetivo inicial do projeto era melhorar o fluxo viário na região do Rudge Ramos, um dos principais gargalos de mobilidade da cidade, que afeta Taboão e Paulicéia. No entanto, após a entrega da primeira etapa, surgiram críticas quanto à eficácia da intervenção e ao impacto positivo no trânsito local.
Relatórios preliminares da Comissão Especial de Obras da Câmara apontaram que a primeira fase da intervenção teria sido executada sem autorização da concessionária responsável pela rodovia, a Ecovias, condição considerada essencial para intervenções desse tipo. A segunda fase do projeto não foi autorizada por questões técnicas, o que compromete a concepção original da obra e levanta dúvidas sobre seu planejamento.
O histórico recente do projeto inclui a inauguração da primeira etapa em outubro de 2024, seguida por reclamações de moradores e motoristas, além da necessidade de ajustes operacionais no sistema viário. A situação motivou a criação da comissão especial em março de 2025, com prazo inicial de 120 dias para apresentação de relatório técnico, etapa que evolui para o pedido de uma investigação formal por meio de CPI. Agora o pedido irá para votação.
Após a aprovação do pedido protocolado pelos vereadores a CPI poderá ser instalada. Então, integrantes da CPI passarão a ter poderes ampliados de investigação, incluindo a possibilidade de convocação obrigatória de ex-gestores, técnicos e demais envolvidos na obra. A comissão também poderá requisitar documentos, contratos, estudos técnicos e eventuais pareceres que embasaram a execução do projeto.














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