A Educaรงรฃo รฉ um dos setores que teve a rotina fortemente afetada pela pandemia do novo coronavรญrus. Desde que a Covid-19 se instalou no mundo, cerca de 1,5 bilhรฃo de estudantes ficaram fora da escola em mais de 160 paรญses, segundo relatรณrio do Banco Mundial.
O Brasil, por conta do inรญcio tardio da vacinaรงรฃo e diante da falta de controle dos รญndices epidemiolรณgicos no Paรญs, foi um dos รบltimos paรญses a permitir a reabertura das escolas. Foram mais de 267 dias de escolas fechadas, segundo dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicรญlios). Ainda hoje, 18 estados mantรชm o ensino apenas de maneira remota, enquanto os outros tentam equilibrar uma forma hรญbrida, entre o presencial e o ensino a distรขncia.
Dados do รndice de Educaรงรฃo a Distรขncia, criado por pesquisadores da Universidade de Sรฃo Paulo (USP), apontaram deficiรชncias na implantaรงรฃo do ensino remoto nos Estados, com o fechamento das escolas no Brasil, apรณs anรกlise das aรงรตes adotadas entre marรงo e outubro de 2020. Segundo a anรกlise, Estados e municรญpios fecharam o ano com “nota vermelha” por problemas como atraso na implementaรงรฃo do ensino, ineficiรชncia nas aรงรตes, descaso com a forma como o aluno acessaria o conteรบdo, o que acabou gerando aumento na desigualdade jรก existente na educaรงรฃo do paรญs.
Mesmo com a retomada das aulas presenciais, ainda hรก restriรงรตes por conta do Plano SP do Governo do Estado. As aulas presenciais nรฃo sรฃo obrigatรณrias e as escolas podem operar somente com 35% da capacidade. Por conta disso, muitas escolas ainda permanecem com grande quantidade de alunos estudando de maneira remota, ou realizando rodรญzio, entre aulas online e presenciais.
Os desafios do ensino remoto sรฃo enormes. Falta de equipamentos e locais adequados para o estudo, oscilaรงรฃo no sinal da internet, dificuldade de concentraรงรฃo durante longo perรญodo frente a uma tela, etc. Alรฉm disso, manter os jovens distantes das salas de aula e dos amigos trouxe impactos para a saรบde mental das crianรงas e adolescentes, como depressรฃo, ansiedade, irritabilidade, agitaรงรฃo, alteraรงรฃo no sono e no apetite, dores psicossomรกticas (dor de cabeรงa, por exemplo, de origem emocional) e dificuldade na socializaรงรฃo.
Como se tudo isso nรฃo bastasse para alunos, pais e professores, o ensino ร distรขncia tambรฉm modificou a forma com que as avaliaรงรตes e provas fossem aplicadas. Entraram os testes virtuais e, com eles, abriram espaรงo para a troca de informaรงรตes, ou melhor, para a velha โcolaโ. Mensagens no WhatsApp viraram o novo โdar uma olhadinha na prova do colegaโ e a pesquisa no Google substituiu as colas de fรณrmulas e datas histรณricas feitas nas borrachas. Com isso, diversos colรฉgios observaram que as notas dos alunos estavam subindo, inexplicavelmente.
Novamente, muitas escolas tiveram que adaptar e sofisticar as avaliaรงรตes para dificultar as fraudes. Foram implantadas provas “anticolas” no ensino remoto, com ferramentas tecnolรณgicas que avisam se um aluno abre novas abas e monitoram o tempo em que leva para fazer o teste. Muitas escolas tambรฉm passam a exigir cรขmeras abertas durante as avaliaรงรตes, outras, investiram em provas com questรตes discursivas ou avaliaรงรตes por meio de trabalhos interdisciplinares, com modelos menos โcopiรกveisโ.
Para o segundo semestre, com o avanรงo da vacinaรงรฃo nos profissionais de Educaรงรฃo e com o novo plano da retomada das aulas presenciais do Governo do Estado, que permitirรก a ampliaรงรฃo da capacidade total de acolhimento das escolas e a diminuiรงรฃo do distanciamento mรญnimo entre as pessoas, que passarรก a ser de 1 metro, hรก a esperanรงa de que, enfim, o ensino caminhe de volta ร normalidade.











