
O ex-prefeito e atual secretário de Saúde de Ribeirão Pires, Clovis Volpi (PSD), e o ex-prefeito de São Bernardo, William Dib (PSB), se reuniram, nesta sexta (26), em um restaurante de Ribeirão.
Na ocasião, Volpi falou sobre sua pré-candidatura a deputado estadual, 27 anos após ter deixado uma cadeira na Assembleia Legislativa (1995-1998). “Há possibilidade de vencer há, há dificuldade há também. Tenho 70% de chance de vencer e 30% de perder”, avalia.
Também falou sobe o reencontro com Dib. “São pelo menos 30 anos de amizade. Já havia admiração antes de nos encontrarmos politicamente em 1994, 1995 e acho que dos velhos, que ainda tem atividade na política, somos nós dois e talvez o Leonel, em Mauá. Temos um lastro de conhecimento muito forte que poderá contemplar as ações dos novos políticos, que pretendem entrar ou que estão na vida pública, para que possamos diminuir a margem de erro, que vem acontecendo nas gestões públicas”, diz Volpi.
Dib destaca que a proximidade com Volpi é em prol do ABC. “O que nos traz aqui é a nossa amizade, o nosso carinho e o nosso amor pelo ABC. Acima do processo político partidário está a formação de alguma coisa para o bem. O papel do Clóvis no ABC é importante, ele é do PSD, sou do PSB, vou continuar no PSB, não serei candidato, mas vou querer ajudar neste processo de modo que consiga produzir resultado. Não preciso ser candidato para brigar pelo que acredito”, ressalta.
REPRESENTATIVIDADE DO ABC
Na avaliação de Dib e Volpi é preciso aumentar a representatividade da região, seja na Alesp ou no Congresso. “Cidades que não tiveram deputados, da forma com que hoje está se fazendo política, ou seja, concentrando recursos nas mãos de deputados para que eles distribuam esses recursos através de emendas para as suas bases, se nós não tivermos um representante, vamos começar ficar a míngua”, explica Volpi. “Isso tem sido uma preocupação do prefeito Guto. Acho que os outros prefeitos sentem esse mesmo problema. Então, ter um deputado, tanto a nível federal ou estadual pode aliviar muito o caixa das Prefeituras”, completa.
Dib ressalta que o ABC precisa de “gente com qualidade” e que possa levar uma mensagem positiva, de esperança para a região. “Temos uma importância no PIB do Estado, mas não vemos esse resultado realmente. Precisamos ter presença igual a do interior. Hoje, o interior tem muito mais prestígio na Alesp e até mesmo no Congresso, pois quando elegemos, não elegemos gente da nossa região. É pouca, em número de eleitores, a nossa representatividade”, afirma.
Clóvis ainda acrescenta que há cerca de 20 anos, o Executivo tinha uma “força maior” do que o Legislativo e que, atualmente, isso mudou. “Quem comanda na realidade é o Legislativo, porque o Executivo é altamente dependente dos grupos de partidos que se formam no Legislativo. Só há uma forma de, sendo Executivo, botar para frente seus projetos se tiver esse maioria e com os repasses de recursos”, explica. “Precisamos ter mais representatividade. Precisamos de campanhas de regionalização do voto”, enfatiza.
DOBRADAS
Sobre a possibilidade de dobradas rumo à eleição 2026, Clóvis conta que já recebeu algumas propostas e que está conversando com alguns pré-candidatos. “Estamos para tomar uma decisão definitiva para fazer um grande pacote, para que não fique buscando um ou outro para fazer a composição. Vou ficar com a regionalização. Não teremos condição de ter um candidato a deputado federal na região, mas a gente vai buscar algum do ABC para fazermos um discurso uníssono”, diz.
Sobre a pré-candidatura do vice-prefeito, Rubão Fernandes (Republicanos), à deputado estadual, disse que não irá “criar” obstáculos. “A alternativa dele sair candidato é independente, até porque, ele nunca havia me procurado, ele havia conversado com o Guto e o Guto havia dito que ele teria liberdade de fazer a campanha dele. Agora, a possibilidade de juntar-me a ele, acho muito difícil neste momento, porque ele já tomou uma decisão. Deixa ele conduzir a vida dele. Cada um faz uma análise daquilo que vai ocorrer lá na frente. Não vou colocar obstáculo para a candidatura dele não”, revela.
CENÁRIO ELEITORAL PARA 2026
Dib faz análise da atual política do País rumo às eleições de 2026. “Hoje, temos a esquerda que estava praticamente anulada, fortalecida e a direita que estava unida, totalmente desunida. Isso é um quadro. Na semana que vem será esse quadro? Não tenho certeza. Mas, há uma semana atrás tínhamos a candidatura do governador Tarcísio à presidente da República. Hoje, não temos mais isso. E temos o retorno do Geraldo Alckmin, do PSB, como pré-candidato em São Paulo. Candidatura viável junto com apoio do PT”, avalia.
Já Clóvis prospecta que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) irá disputar a reeleição e que Jair Bolsonaro não abrirá mão de um candidato a presidente com o sobrenome Bolsonaro. “Entendo que o Tarcísio será candidato à governador. Entendo que o Bolsonaro, não irá abrir mão de ter alguém com sobrenome Bolsonaro para candidato”, explica.
Volpi ainda completa que Tarcísio poderá migrar para o PSD ou PL para disputar a reeleição, pois entende que o Republicanos é um partido “mais frágil” e para não haver “briga”, devido a importância das suas siglas, deverá ir para um desses partidos e o outro irá “fornecer” o vice.
POLARIZAÇÃO
Tanto Dib quanto Volpi veem a polarização como algo negativo para o País. “Na polarização, em todos os países que isso já aconteceu, não sobra opções, a população se divide automaticamente, concentram em dois nomes e não se dá oportunidade para que outros possam surgir para que seja uma nova opção. Pessoalmente, não gosto dessa doença que é esquerda, direita, isso aí é um absurdo e pode nos levar a alguns erros futuros maiores do que já cometemos”, considera Volpi.
Já Dib diz que a polarização é um movimento “quase que mundial”, mas que ela leva à mediocridade. “Não se estuda, não se discute mais plano de governo, propostas. A gente ou ouve falar mal dos candidatos, ou vota em um candidato porque não quer o outro. Não porque esse um vai fazer alguma coisa por você, você votar por rejeição a determinado candidato leva o país a mediocridade. Não discutimos mais ideias para educação, para a saúde, para esporte. Discutimos o que é provavelmente direita e esquerda. É uma asneira atrás da outra”, avalia.














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