Apesar da Bolsa de Valores viver um momento de euforia no Paรญs, com alta de 15%, em mรฉdia, apรณs a aprovaรงรฃo da Reforma da Previdรชncia, em primeiro turno, ainda paira uma grande dรบvida: quando a economia vai engrenar?
O Banco Central divulgou, recentemente, o primeiro crescimento mensal do ano pelo รndice de Atividade Econรดmica, que รฉ considerado pelos especialistas uma prรฉvia do resultado do PIB. Houve crescimento de 0,54% em maio, no entanto, ainda รฉ insuficiente para recuperar as quedas, que somam 1% no acumulado dos cinco primeiros meses. A estimativa de crescimento do PIB de 2019, que jรก caiu 20 vezes seguidas, รฉ estimada em 0,81%. A previsรฃo de aumento de geraรงรฃo de riqueza no ano anda abaixo de 1%, enquanto a taxa de desocupaรงรฃo dos brasileiros, considerando desempregados, subutilizados e desalentados, รฉ de 25%.
O Paรญs ainda vai demorar para recuperar o fรดlego que tinha antes da crise econรดmica. Segundo o รญndice Itaรบ para a atividade econรดmica, que reรบne empregos formais, comรฉrcio, indรบstria e agricultura, somente as regiรตes Centro-Oeste e Sul retomaram, no primeiro trimestre de 2019, o ritmo da economia prรฉ-crise, de marรงo de 2014, quando comeรงou a queda do PIB. E ainda, de maneira tรญmida, pois o Sul ficou com 0,25% abaixo dos รญndices de 2014.
Jรก o Sudeste, sofre com o desempenho de Minas Gerais e Rio de Janeiro, que lidera o fechamento de empregos formais (de cada 100 postos de trabalho com carteira assinada que o Estado concentrava hรก cinco anos, 13 foram fechados atรฉ marรงo de 2019) e estรก entre as economias mais frรกgeis do Paรญs. E Sรฃo Paulo, que teve desempenho abaixo da mรฉdia nacional, sente os reflexos da crise que atingiu a indรบstria, indicador que obteve a pior performance.
Os dados do Itaรบ mostram ainda que, em todo o Brasil, o emprego vem se recuperando de maneira mais lenta que a economia. A taxa de desemprego mรฉdia no Paรญs cresceu nos cinco anos entre o primeiro trimestre de 2014 e marรงo de 2019, conforme o Itaรบ, que considera apenas as vagas formais, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Ca-ged). A regiรฃo com os menores รญndices de desemprego รฉ o Sul, com trรชs Estados com taxa abaixo de 10%: Paranรก (8,9%); Santa Catarina (7,2%) e Rio Grande do Sul (8%). E segundo o IBGE, a taxa de desocupaรงรฃo ficou superior a 15%, no Acre, Alagoas, Amazonas, Amapรก, Pernambuco, Roraima, Rio de Janeiro e Sergipe.
Outro grande problemรฃo que teremos que solucionar pela frente, com a possรญvel Reforma Tributรกria a caminho, รฉ a alta carga de impostos. O Paรญs jรก bateu recorde histรณrico e atingiu 35,07% do PIB em 2018, o equivalente a R$ 2,39 trilhรตes. Em 2018, cada brasileiro recolheu em mรฉdia R$ 11.494 em impostos e precisou trabalhar 128 dias sรณ para quitar o compromisso com o Fisco.
Neste ano, o โImpostรดmetroโ da Associaรงรฃo Comercial de Sรฃo Paulo jรก passou da marca de R$ 1,44 trilhรฃo. Desse valor, cerca de R$ 915,245 bilhรตes correspondem a tributos federais, R$ 391,550 bilhรตes a tributos estaduais e R$ 93,204 bilhรตes a tributos municipais
O montante foi atingido 12 dias antes do que no ano passado, indicando que a sociedade estรก pagando mais tributos aos governos municipais, estaduais e federal. Na comparaรงรฃo com 2018 o aumento nominal foi de 5,72% e o aumento real (descontando-se a inflaรงรฃo) foi de 2,38%.
Portanto, รฉ esperado que possamos deixar, em breve, de ocupar essa posiรงรฃo de โInganaโ, como diria o ex-ministro Antonio Delfim Netto, ou seja, o Brasil, da forma que cobra impostos, tem de um lado a Inglaterra e do outro, pelos serviรงos que presta, Gana.











