
Era pós-pandemia e o país registrava altos índices de inadimplência. Na época, o número de inadimplentes estava no patamar recorde de 71,4 milhões, segundo dadas da Serasa. Neste contexto, o governo federal lançou o Desenrola, com o objetivo de combater a inadimplência, destinado às pessoas que ganhavam até dois salários-mínimos ou inscritas no Cadastro Único. O programa federal durou dez meses e reduziu o número de endividados de 25,2 milhões para 23,1 milhões.
Quase dois anos se passaram desde o término do Desenrola e o país ganhou 9 milhões de novos inadimplentes, chegando a 81,7 milhões de pessoas com contas atrasadas. O percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu 80,4% no mês de março, maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Contribuem para o endividamento do brasileiro os juros cada vez mais altos, a grande oferta de crédito pelas instituições financeiras e a popularidade das bets.
Para a CNC, os números devem avançar, diante dos efeitos do conflito no Oriente Médio e do impacto da alta do petróleo sobre o bolso do consumidor. “O endividamento continuará avançando até os efeitos da flexibilização da política monetária chegarem efetivamente ao consumidor final”, diz a entidade.
A Confederação ainda comenta sobre a influência da alta dos preços do diesel e de outros combustíveis. “O encarecimento do transporte eleva os custos das empresas, que tendem a repassar esses aumentos aos preços. Com isso, há redução do poder de compra e maior uso de crédito pelas famílias para despesas básicas”.
PACOTE DE MEDIDAS
Para socorrer os brasileiros endividados, o governo federal estuda reunir todas as dívidas das pessoas físicas em uma só. A ideia é reunir a dívida do cartão de crédito, crédito pessoal e outras em só débito e trocá-las por uma nova dívida, com juros mais baixos e desconto no principal que pode chegar, em alguns casos, a 80%.
O governo ainda avalia estipular contrapartidas para quem buscar ajuda federal, entre elas restrição a apostas em bets e a necessidade de se fazer um curso de educação financeira.














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