
O riso é a ferramenta que aproxima gerações em Já Dizia Minha Vó!: uma comédia que une humor, reflexão e impacto social. Idealizado a partir de uma proposta inicial de Gilberto Tadeu — pai da atriz Rachel Gollassi —, o espetáculo nasceu inspirado pelas histórias diversas de sua avó paterna, Dona Nilza.
A peça está em cartaz no Teatro UOL, em São Paulo, marcando os 50 anos de carreira de Fafy Siqueira. Com texto de Tiago Luchi e direção de Isser Korik, reúne no palco Fafy e a idealizadora Rachel Gollassi. O espetáculo conta com Gil Teles na assistência de direção, preparação corporal de Tito Soffredini — com base nas técnicas de Klaus Viana —, concepção visual e figurinos de Marisa Rebollo, iluminação de César Pivetti e trilha de Wagner Bernardes.
A trama gira em torno da relação entre uma avó moderna (Dona Irene) e sua neta vulnerável (Gabriela). Enquanto a jovem busca forças para sair de um relacionamento tóxico, sua avó enfrenta o desafio de reingressar no mercado de trabalho e lidar com o preconceito contra a idade. De forma leve e acessível, o espetáculo aborda temas atuais e relevantes, como o combate ao etarismo e a importância de as mulheres fortes se apoiarem, promovendo a igualdade de gênero e o empoderamento feminino e despertando no público a consciência de que experiência, afeto e solidariedade são ferramentas poderosas de transformação.
Leveza, humor e reflexão social
A comédia trata o preconceito de idade com leveza, mostrando como essa barreira limita e exclui profissionais valiosos no mercado. Ao dar voz a personagens que enfrentam esse cenário, o espetáculo estimula uma reflexão sobre convivência entre gerações e sobre valores como respeito e inclusão. Embora a personagem Gabriela não tenha sido inspirada nas vivências de Rachel Gollassi, a atriz e idealizadora encontrou pontos de conexão com o papel durante o processo de ensaios. Ela esclarece que a história foi criada de forma totalmente independente pelo autor, mas que acabou gerando uma identificação posterior.
“O mais curioso é que o Tiago não conhecia minha história pessoal. Depois percebi que muitas das experiências da Gabriela dialogavam com as minhas, porque eu já vivi um relacionamento tóxico e compartilho alguns conflitos internos parecidos com os dela. Durante o processo de construção da personagem, passei a me identificar com algumas características associadas ao TDAH”, diz.
Sem diagnóstico formal, a atriz pesquisou o tema a fundo para estruturar a personagem. O espetáculo conta com o apoio da campanha “TDAH Levado a Sério”, da Apsen, patrocinadora da temporada, e busca tratar o transtorno com responsabilidade. A produção defende que TDAH e ansiedade exigem acolhimento, terapia e acompanhamento — não rótulos. O interesse da Apsen em apoiar o projeto está ligado ao compromisso da farmacêutica com saúde e bem-estar, temas que aparecem na trama de forma orgânica, como nos cuidados de saúde que fazem parte da rotina de Dona Irene.
Fafy Siqueira e os 50 anos de palco
Depois de cinquenta anos de carreira, Fafy Siqueira pode escolher os projetos que aceita. O texto de Tiago Luchi a conquistou pela precisão das piadas. “O que me fez escolher esse texto foi a qualidade das piadas. Ver um texto de humor com piadas assim interessantes, elegantes e inteligentes, hoje em dia, é muito difícil. Isso para mim foi o fundamental.” Interpretar a elegante Irene trouxe também uma mudança bem-vinda. Depois de anos em papéis de TV que exigiam abrir mão da vaidade em nome do escracho, Fafy comemora viver uma mulher de 70 anos refinada, bem-vestida, quase uma “Meryl Streep da vida”.
Fafy também comenta o etarismo enfrentado por sua personagem. Seu nome consolidado a protege de ser preterida individualmente, mas ela aponta que a indústria ainda erra ao não dar protagonismo a atores mais velhos, relegando-os com frequência a papéis de avós coadjuvantes. Por isso, o papel principal de Dona Irene é raro. Entre o palco e a realidade, a atriz se diverte ao traçar a linha que a separa da personagem. “Eu não tive filhos porque não quis, mas tenho uma maternidade na minha alma muito grande. Outra coisa que tem de Fafy na Dona Irene é a alegria: a Dona Irene acredita na vida, a Fafy acredita na vida.”
Sinopse
Uma avó (Dona Irene) pouco convencional, extrovertida e cheia de vida está passando um período hospedada na casa de sua neta (Gabriela). Enquanto a jovem enfrenta Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ansiedade e o peso de um relacionamento tóxico, a avó lida com outro desafio: a dificuldade de voltar ao mercado de trabalho por conta do Etarismo Corporativo, que insiste em negar espaço e valor à sua experiência. Entre festas, aplicativos de relacionamento e a vontade de viver intensamente, Dona Irene e Gabriela, ao dividirem a mesma rotina, acabam se envolvendo em situações hilárias e emocionantes que as aproximam e revelam lições profundas sobre amor, autoestima, solidariedade feminina e a importância de permanecer fiel a si mesmo.
Já Dizia Minha Vó!
Teatro UOL – Shopping Pátio Higienópolis. Av. Higienópolis, 618 – Consolação.
Temporada: até 25 de outubro.
Sessões: sábados e domingos, às 18h. Ingressos: R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia-entrada). Ingressos Populares: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).
Para adquirir ingressos: https://teatrouol.com.br/espetaculos/ja-dizia-minha-vo/














Adicione um comentário