
São Paulo foi a primeira cidade do Estado a implementar a Faixa Azul. Em seguida, São Vicente, na Baixada Santista, e Osasco adotaram a medida visando reduzir acidentes envolvendo motociclistas.
No ABC, a pioneira foi Santo André, com a primeira Faixa Azul instalada em maio de 2024 na Av.Prestes Maia. Hoje, o município tem 7,61 km de Faixa Azul implantada. Em São Bernardo, a primeira via a receber o sistema foi a Av.Lions, em fevereiro de 2025, em seguida a medida foi instalada na Av.31 de março.
Embora a medida ganhe força e se expanda pelo ABC e pelo Estado, um estudo da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Cordial e Vital Strategies, mostrou que a adoção da Faixa Azul pode incentivar maiores infrações de trânsito e causar mais mortalidade.
A pesquisa mostrou que, na percepção dos motociclistas, a Faixa Azul confere maior senso de pertencimento e previsibilidade no tráfego, o que estimula, por outro lado, comportamentos de risco no trânsito.
O estudo concluiu que a existência de uma faixa exclusiva para motos acentua infrações de trânsito associadas à velocidade, mesmo que elas já sejam frequentes em regiões sem a Faixa Azul.
A pesquisa, feita na cidade de São Paulo, foi coordenada pelo professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da USP, Mateus Humberto. Foram usados drones que filmaram por 32 horas locais com Faixa Azul e lugares sem o sistema, que mediram a velocidade média dos motociclistas. “Em vias que são regulamentadas a 50 km/h, os motociclistas que ultrapassavam os 60 km/h eram da ordem de 80% em vias com faixa azul, enquanto, nas vias sem Faixa Azul, esse excesso de velocidade ainda era grave, mas era da ordem de 30%, 40%, no máximo. Então, esse excesso de velocidade é uma constante, que é provocado pela Faixa Azul, o que é também narrado pelos próprios motociclistas”, afirma o coordenador.
Além da velocidade acima do permitido, o professor ressalta outros perigos associados à Faixa Azul. “Os motociclistas não necessariamente usam a Faixa Azul do começo ao fim, eles têm que entrar ou sair no meio dela. É nesses lugares que a gente observou um aumento, da ordem de 100% a 120%, de mortes relacionadas com motociclistas em regiões de cruzamento”, diz.
Em Santo André, em 2025, segundo dados do Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito – Infosiga, foram 35 óbitos de motociclistas, alta de 20,7%, em relação a 2024, ano da implantação da Faixa Azul na cidade.
Segundo a Prefeitura, na Av.Prestes Maia, antes da implantação da Faixa Azul, a velocidade média era de 53,26 km/h no sentido São Bernardo/Santo André e, no sentido inverso, era de 50,99 km/h. Após a implantação, passou para 59 km/h e 47,19 km/h, respectivamente. A velocidade regulamentada na via é de 60 km/h.
A autarquia municipal afirma que fiscaliza as faixas por meio de radares de velocidade e câmeras de monitoramento remoto. A Prefeitura estuda a implantação de um Moto Anel Viário, com projetos de ampliação do modal para a Avenida dos Estados.
Em São Bernardo, foram 50 óbitos de motociclistas em 2025, alta de 16,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo os dados da Secretaria de Saúde, em 2024, foram atendidos 2.245 chamados através do Samu 192 envolvendo motos. Os dados de 2025 ainda não foram divulgados.
A Prefeitura estuda ampliação do sistema na Av.Eng. Otávio Manente, e na Av. Robert Kennedy, oferecendo uma alternativa segura à sobrecarregada Rodovia Anchieta.














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