
Em parceria com o Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), o Centro de Estudos e Pesquisas de Hematologia e Oncologia (CEPHO) – que concede o espaço – e a ONG Viva Melhor, a esteticista e graduanda em biomedicina, Patrícia Drudi, realiza um trabalho voluntário de reconstrução de aréola mamária para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), sem qualquer custo.
O procedimento consiste na micropigmentação da aréola, voltada para mulheres que passaram por mastectomia – cirurgia que remove parcial ou totalmente o seio devido ao diagnóstico de câncer. “Muitas mulheres desconhecem essa possibilidade e acabam vivendo sem coragem de se olhar no espelho, sem saber que há uma solução”, explica Patrícia.
A especialista destaca que é comum o alívio em se sentir curada. “E, sim, é claro que é! Mas, não é só isso. Há uma cobrança da sociedade. Quem passa pela cirurgia ouve que o mais importante é estar curada. Mas, existem outros valores como o resgate da autoestima, que nos fazem ter mais força para seguir em frente. E a reconstrução anatômica é sobre isso!”, reforça.
A técnica recria a aparência natural da aréola. Patrícia comenta que os seios representam muito mais do que um atributo físico: são símbolos de memórias afetivas como o primeiro sutiã, a puberdade e depois, a maternidade.
“Quando devolvemos essa naturalidade à mulher, damos um novo significado à sua vida. Elas chegam aqui tristes e oprimidas, e saem transformadas, felizes”, destaca. A profissional diz que essa sensação é a aceitação e o empoderamento no processo de cura e transformação. “Cada procedimento realizado carrega um propósito maior, e minha missão é mostrar que a reconstrução areolar, a saúde e a estética caminham juntas e transformam vidas”, acredita.
Mais de 150 mulheres beneficiadas
O projeto, realizado há dois anos, em parceria com a FMABC e CEPHO, já beneficiou 150 mulheres. “Poderíamos atender muito mais, mas a disponibilidade de espaço nos limita a apenas um dia por semana”, pontua Patrícia. A reconstrução de aréolas é oferecida pelo CEPHO há 25 anos e, anteriormente, foi conduzida por um profissional renomado de Santo André, falecido há mais de dois anos.
Patrícia conheceu a especialidade de micropigmentação a partir da sua própria experiência. Em 2016, recebeu um diagnóstico devastador, detectado precocemente, mas precisou passar pela mastectomia. “Meu maior medo era a perda da aréola. Foi quando descobri esse trabalho e me encantei. Decidi estudar e me especializar na área”, relata.
Com formação em Marketing, Estética e Cosmetologia e estudante a concluir a graduação em Biomedicina, Patrícia se tornou referência na residência de aréolas na região. Além disso, é pioneira na criação de próteses de aréolas moldadas em silicone pelo método Sacred Flower, desenvolvida para mulheres que ainda não podem receber a micropigmentação. Ela já prestou consultoria em clínicas e hospitais e ministrou palestras para profissionais no Brasil e no exterior. “Isso me permitiu aprofundar meus conhecimentos e compreender a importância de tratar a cicatrização antes da permanência da aréola”, conclui.
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