12/05/12
Esse costume, jรก arraigado entre nรณs, de transmitir ao vivo, pela TV, sessรตes da Cรขmara Federal, do Senado, dos Tribunais Superiores em Brasilia, de legislativos estaduais e municipais por esse Brasil afora, pรตe ร s claras as vaidades de cada um. E รฉ um tal de exibir-se cada orador, como que se realizando na mostraรงรฃo de seus dotes oratรณrios e pessoais, sejam lรก quais forem eles. Agora, entรฃo com a CPI do Carlinhos Cachoeira, apontado como corruptor de autoridades as mais diversas, a exibiรงรฃo deverรก chegar ao mรกximo. Alรญ poucos sรฃo santos, mas todos buscam dissimular a face verdadeira com a mรกscara de outra pessoa que se esconde por trรกs dela. ร uma verdadeira polรญtica do espetรกculo, da qual o presidente renunciante Jรขnio Quadros foi o precursor com seus trejeitos e sua fala rebuscada. Lula foi e รฉ bom artista nessa histรณria de protagonizar espetรกculos nos palanques e no exercรญcio da presidรชncia.
Como advogado que sou, e militante ainda, costumo ver pela TV Justiรงa sessรตes do Supremo Tribunal Federal e, especialmente, do Tribunal Superior Eleitoral. Este agora com nova e luxuosa sede em Brasilia, numa exibiรงรฃo desnecessรกria de gastos perdulรกrios e excessivos para acomodaรงรฃo da Justiรงa que, por natureza, haveria de se comportar com sobriedade, modรฉstia, discriรงรฃo. Mas, assim nรฃo tem sido. Outro exemplo desse esbanjamento de dinheiro pรบblico รฉ a sede do STJ (Superior Tribunal de Justiรงa) em Brasilia, cujo enorme prรฉdio e suas instalaรงรตes mais perecem um clube de altรญssimo padrรฃo e conforto para os dignos magistrados, com direito a salรฃo de festas, churrasqueira e tudo mais.
Nas sessรตes de julgamento nesses Templos da Justiรงa, mormente no Supremo, a transmissรฃo pela TV tem conduzido suas excelรชncias a uma postura de exibicionismo sem limites. Na apreciaรงรฃo dos casos mais rumorosos, cada ministro procura esmerar-se um mais que outro na leitura de seu voto. E sรฃo votos longos, carregados de citaรงรตes, quase sempre monรณtonos, numa reiteraรงรฃo de argumentos, sob roupagem diferente, e a TV firme enfocando cada gesto, cada aparte dos demais, verdadeiro espetรกculo para deleite, ou enfado, dos espectadores.
E assim segue a fogueira das vaidades na razรฃo inversa da simplicidade e do recato com que deve atuar o verdadeiro juiz. Pois que, investido do poder de Estado para a difรญcil e atรฉ mesmo sagrada tarefa de julgar seus semelhantes, estarรก cumprindo obrigaรงรฃo que lhe impรตe a Constituiรงรฃo: a justa prestaรงรฃo jurisdicional ร s partes litigantes e, enfim, ร sociedade.
Tito Costa รฉ advogado, ex-prefeito de Sรฃo Bernardo do Campo e ex- deputado federal constituinte de 1988. E-mail: antoniotitocosta@uol.com.br













