Mônica Inglez Opinião

Golpes no lixo: cuidado com as embalagens

Cada vez mais presentes na rotina dos brasileiros, as compras pela internet trouxeram comodidade, rapidez e variedade. Mas, junto com a enxurrada de caixas que chegam em casa, veio também um risco pouco lembrado: o uso criminoso dos dados pessoais que aparecem nas etiquetas e notas fiscais dessas embalagens. Nome completo, endereço, CEP, telefone, CPF, código de rastreio e até QR Codes muitas vezes ficam expostos e, depois, vão inteiros para o lixo. Para o consumidor desatento, é apenas papelão. Para o golpista, é um prato cheio.
A partir dessas informações, criminosos conseguem montar um verdadeiro dossiê sobre a vítima. Com nome, CPF e endereço em mãos, é possível abrir contas digitais, solicitar cartões e empréstimos, tentar se passar pelo consumidor em centrais de atendimento, aplicar golpes de WhatsApp e até combinar esses dados com outros vazamentos na internet. Tudo isso a partir da caixinha que foi descartada sem nenhum cuidado. Por isso, falar de descarte de embalagens é, hoje, também falar de proteção do consumidor e de proteção de dados pessoais.
A Lei Geral de Proteção de Dados determina que qualquer informação que identifique uma pessoa, em meio físico ou digital, é dado pessoal e merece cuidado. Isso vale tanto para grandes bancos de dados quanto para a etiqueta colada na encomenda. A lei impõe deveres às empresas, que devem limitar o uso de dados ao necessário, adotar medidas de segurança e evitar exposição excessiva de informações. Mas o consumidor também tem um papel importante, adotando alguns cuidados simples no dia a dia para reduzir o risco de cair em golpes.
A primeira atitude é nunca jogar no lixo embalagens com seus dados legíveis. Antes de descartar a caixa, é recomendável retirar a etiqueta com nome, endereço e CPF ou, pelo menos, rasgar bem essa parte, de modo que as informações não possam ser recompostas. Isso vale para notas fiscais e comprovantes impressos: devem ser guardados enquanto forem necessários para troca ou garantia e, depois disso, rasgados em pedaços menores, em vez de irem inteiros para a lixeira. Outra medida importante é ter atenção redobrada em condomínios e locais com lixeiras coletivas, onde qualquer pessoa pode ter acesso ao lixo. Embalagens com etiquetas aparentes deixadas nesses espaços facilitam a vida de quem procura justamente dados de terceiros.
É essencial conversar com idosos e adolescentes da família, que muitas vezes não têm noção desse tipo de risco. Explicar que aquela “simples caixinha do delivery” pode ser o ponto de partida para fraudes é uma forma de educação digital e de autoproteção. Em tempos de tantos golpes, cuidar bem dos próprios dados – inclusive no lixo – é uma das formas mais eficazes de defesa do consumidor.

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