Num jantar da AVCC tive o prazer de estar sentada ร mesa ao lado do Airton Pinchiari e sua esposa Renata Di Falco.. Ele me Contou que era filho de umaย amiga minha dos tempos de solteira, jรก falecida, a Nice Barbieri que morava na Rua Sรฃo Bernardo e de Luiz Henrique PInchiari, famรญlias tradicionais da cidade.
Conversa vai, conversa vem, me contou a histรณria dos Pinchiari. Combinou que eu a teria melhor explicada por seu irmรฃo Luiz Henrique. Segue entรฃo da maneira como recebi:
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“Nasci em 1959, conheci e convivi com meu nonno Henrique Pinchiari, mas ninguรฉm na famรญlia sabia quase nada sobre a origem do pai dele, o imigrante Antonio Pinchiaro, meu bisnonno.
Graรงas ร Internet, pude finalmente em 2003 desvendar o mistรฉrio.
Uma histรณria eletrizante.
Neste ano consegui contato com uma senhora na Itรกlia chamada Emanuella Pinchiaro. Nรณs no Brasil nรฃo sabรญamos sequer a grafia correta do nome. Tinha Penchiari, Pinchiari, Pinchiaro.
Por coincidรชncia, meses depois deste contato, tive que fazer uma viagem de trabalho ร Itรกlia.ย Era agora ou nunca.
Fui ao encontro da Sra Emanuella Pinchiaro que morava numa pequena cidade a 30km da fronteira com a รustria.
Fui muito bem recebido. Ficaram muito surpresos. Com a ajuda deles levantamos os documentos que viriam a esclarecer mais de 100 anos de histรณria quase perdida.
Assim, eles me levaram ร cidade de Asolo, cerca de 40km de Veneza na regiรฃo do Veneto.
Ali, no cartรณrio e na igreja da pequena cidade de 8 mil habitantes,ย encontramos os documentos de nascimento, casamento e imigraรงรฃo da famรญlia.
Antonio Pinchiaro, que na verdade se chamava Silvestro Antonio Pinchiaro, nascido naquela cidade em 20/5/1850, emigrou para o Brasil em 30 de junho de 1891. Aos 41 anos partiu com a famรญlia da esposa Maria Serraglia, eย 3 filhos pequenos, Claudio, Gaetano e Maria Madalena.
Chegou ao Porto de Santos em 25 de julho de 1891, indo diretamente ร hospedaria dos imigrantes na Mooca, em Sรฃo Paulo. Porรฉm ao invรฉs de seguir para o destino normal que eram as plantaรงรตes de cafรฉ no interior, foi para Sรฃo Bernardo e consta que morava na rua Marechal Deodoro, no trecho onde hoje estรก o conjunto Anchieta e trabalhava para o governo na traduรงรฃo de documentos e como intรฉrprete dos colonos italianos.
No Brasil teve mais 2 filhos, meu nonno Henrique e a caรงula Angelina.
Morreu em 1911 aos 60 anos.
No Brasil houve registros do nome com algumas alteraรงรตes, coisa comum na รฉpoca, mas na Itรกlia descobri que o correto era Pinchiaro.
Foram grandes descobertas mas havia uma grande surpresa no final.
Na cidade de Asolo, me levaram ao lugar onde a famรญlia Pinchiaro sempre residiu e residia atรฉ uns 30 anos atrรกs.ย Via Belvedere รฉ o nome da rua. Na porta de todas as casas da rua, que era sem saรญda, havia uma placa com o nome da famรญlia escrito. Sรณ naquela rua as casas tinham essa placa. Perguntei ร Sra Emanuella o porquรช? Ela respondeu: porque era um gueto judeu. Incrรฉdulo perguntei: porย que nossa famรญlia morava neste lugar? Ela respondeu: porque eram judeus.
Foi talvez a maior surpresa da minha vida.
Segundo a Sra Emanuella, todos naquela rua se haviam convertido ao catolicismo hรก muito tempo mas nรฃo podiam se mudar dali.
A origem do nome, segundo ela explicou, รฉ a palavra hebraica ” pinch” que significa comerciante ou vendedor.
Creio nรฃo ser nossa famรญlia o รบnico caso.Curioso รฉ que o cemitรฉrio da cidade lembra muito o da Vila Euclides, muitos sobrenomes iguais lรก e aqui.
Fico ร sua disposiรงรฃo deixando um grande abraรงo
Luiz Henrique Penchiari Junior “
Lembrei entรฃo que numa รฉpoca da perseguiรงรฃo aos judeus, muitos se refugiaram em Portugal e adotaram nomes relacionados a natureza, por exemplo: Oliveira, Lima, Laranjeira, Madeira, Pereira, etc. As vezes diziam que meu Bellinghausen talvez fosse tambรฉm de origem judaica. Eu dizia: Legal! Jesus tambรฉm era judeu. Nรฃo importa a descendรชncia. Importa o que nos transmitiram, o que formou nosso carรกter. ย
Mas sempre digo como รฉ importante as conversas com nossos avรณs, pois รฉ atravรฉs deles que sabemos quem somos, de onde viemos…Saber de nossas raรญzes.
Um abraรงo, Didi













