Quinta Avenida

Hugo Del Carril – cantor, ator, produtor e diretor de cinema

Piero Bruno Hugo Fontana, nasceu na cidade de Buenos Aires, no bairro de Flores. Os pais, de origem italiana e de confortável situação econômica. Hugo Fontana, arquiteto nascido em Milão-Itália e Orsolina Bertani, nascido na Argentina. Quando Hugo Del Carril ainda era uma criança de dois anos, os pais se separaram, deixando-o a cargo da família amiga de Francisco Fauré. Certa ocasião, declarou que tinha sido abandonado pelos pais e que nunca os tinha perdoado.

Na juventude, os estudos secundários foram realizados no Colégio Nacional Mariano Moreno e ao mesmo tempo costumava frequentar um bar na Rua Províncias Unidas, onde iam pessoas do mundo da arte. Ansioso para provar-se como cantor em 1927, com apenas 15 anos, fez suas primeiras apresentações com os Irmãos Leguizamon, enquanto se mantinha trabalhando como operário em uma fábrica de sabão e também em uma vidraria. Usando o pseudônimo de Alejo Pacheco Ramos, iniciou incursões como locutor de rádio e “cantor de estribilhos” (Intérprete que só canta a parte inicial da letra de um tango).
No ano de 1930, conheceu Roberto Acuña, que era integrante do radio teatro “Chispazos de Tradición” (Faíscas de tradição), que o levou pela primeira vez à Rádio Nacional. Juntos formam a dupla Acunã-Carril, terminada quatro anos depois, devido a morte de Acunã. Esse fato levou-o a pensar em abandonar a carreira. Incentivado por amigos, em 1935 é contratado pela Rádio El Pueblo, agora como cantor solista, ganhando 180 pesos por mês. Um ano depois estreou na famosa Rádio El Mundo, onde conheceu Tito Ribeiro, que se tornaria seu diretor musical e colaborador ao longo da vida.
Em 1937, o cineasta Manuel Romero o contratou para gravar um de seus tangos, “Tiempos Viejos”, na película “Los muchachos de antes não usaban gomina” (Os rapazes de antigamente não usavam brilhantina), ao lado de Florentino Parravicini, Mecha Ortiz, Arrieta Sabina e Olmos Santiago. A partir daí, a gravadora Lumiton o contratou para aparecer em três películas, “La vuelta de Rocha” com Amanda Ledesma, “Três ancladas em Paris” (Três ancoradas em Paris” e “Madesselva”(Madressilva).
Com a fama de galã aumentando, Del Carril participou de “La vida de Carlos Gardel”, “Gente bien” (Gente de bem) e “El astro del tango”(Oastro do tango). Em 1941, quebrou o recorde de bilheteria com “La cancion de los barrios” (A canção dos bairros) e ”Cuando canta el corazón” (Quando canta o coração).
A ascendente carreira artística começaria em 1943 a se misturar com sua grande paixão: a política. Naquele ano, filmou “La Pasión imposible” (A paixão impossível). e ”La piel de zapa” (A pele de asno), e conheceu o então Ministro da Guerra Juan Domingo Perón, a quem entregou uma carta do ex-presidente mexicano Manuel Ávila Camacho. Em 1944 dividiu as honras com Luis Sandrini na comédia “Los dos rivales”. (Os dois rivais) e um ano após (1945) contracenou com a atriz Maria Eva Duarte (que se tornaria esposa de Perón) – Evita Perón.
Como intérprete de clássicos tangos, Hugo Del Carril destacou-se sobremaneira. Um estilo clássico e uma voz personalíssima. O Acervo discográfico foi gravado nas etiquetas Lumiton Odeon, Aquellas Canciones, RCA Victor, Craft Records, Gravadora Inamu, Magenta Discos e outras mais. Nas gravações ele sempre estava acompanhado por orquestras típicas de renome como: as de Tito Rivero, Armando Pontier, Francisco Lomuto, Atílo Bruni, Orquestra Típica Del Tango e sua própria corporação musical.
Em 1986, foi nomeado “Cidadão Ilustre de Buenos Aires”, no Teatro Presidente Alvear, por suas atuações artísticas. Cardíaco por longos anos e incapaz de superar a perda da esposa, entrou em profunda depressão, sendo internado no Hospital Privado de Mar Del Plata na unidade de terapia intensiva, com infarto do miocárdio em 1988. Raul Matera, seu médico e amigo declarou: “sua vida está sujeita apenas ao seu coração”. A recuperação foi lenta e progressiva o suficiente para poder assistir, em setembro desse ano, uma homenagem realizada no Luna Park, pelo 50º aniversário de sua primeira apresentação pública. Hugo Del Carril viria a falecer no dia 13 de agosto de 1989, no Instituto Cardiovascular de Buenos Aires, aos 76 anos de idade, em virtude de uma descompensação cardíaca. Desaparecia assim, o grande vulto da canção portenha e do cinema. Um ser humano que jamais é e será esquecido pelo povo argentino.