18 Aug 2022


João Lara Mesquita é Imortal da Academia Paulista de Letras

Publicado em Cultura & Lazer
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  Eleito para suceder o inesquecível Zuza Homem de Mello, o escritor, jornalista, radialista, empresário e ativista ambiental João Lara Mesquita tomou posse na Cadeira 17 da Academia Paulista de Letras, na quinta (30) de junho.

 Foi saudado pelo seu primo, Antonio Penteado Mendonça, o maior especialista em Direito Securitário no Brasil, hoje Secretário e Presidente Emérito da Academia Paulista de Letras.

  Em seu discurso, Nico Mendonça refez a bela trajetória da Família Mesquita, bastião da Democracia e da Liberdade de expressão no Brasil, que além do prestigioso órgão de imprensa conhecido como “Estadão” e da Rádio Eldorado, criou nada menos do que a Universidade de São Paulo, padrão educacional e legítimo orgulho brasileiro.

   Extrai-se de sua belíssima oração, o trecho que segue: “Hoje, cabe falar do João Lara Mesquita que foi eleito para substituir Zuza Homem de Mello na Cadeira Número 17 da Academia Paulista de Letras, que tem como patrono Júlio Cesar Ribeiro. Então, devo falar do homem com uma história especial e uma vasta experiência em diferentes atividades e cenários. João é múltiplo, irrequieto, inconformado. Acredita que a missão do ser humano é, dentro do seu espaço, tentar fazer o mundo um lugar um pouco melhor, porque sabe que as sociedades podem ser menos desiguais e mais justas. Uma vez, quando éramos meninos, na piscina da fazenda de Louveira, tio Ruy disse uma frase que marcou para sempre meus primos e eu. Ele disse mais ou menos o seguinte: “Tem gente que nasce com a obrigação de pagar e tem gente que nasce com o direito de exigir”. Dita para meninos sem muita noção da vida, é uma frase brutal. Mas ela é essencialmente verdadeira. Num país como o Brasil, com as desigualdades e injustiças de nossa sociedade, nascer como nascemos, nitidamente privilegiados, pela família, pela educação, pelas ligações e pelas oportunidades, devolver um pouco do que recebemos faz todo o sentido. Pensar um Brasil melhor torna-se quase que uma obrigação e agir para isso faz parte da vida. Faz tempo que João Lara Mesquita segue sua estrada acreditando que é possível fazer do nosso país um lugar mais humano, ecologicamente correto, justo e saudável”.

  Ao agradecer, João Lara Mesquita elaborou quase que uma autobiografia. Seu aprendizado de música em Nova Iorque, a administração da Rádio Eldorado e a injeção de modernidade que nela promoveu, seu interesse pelo mar, as aventuras do “Mar sem fim”, o naufrágio de sua embarcação e a epopeia de sua recuperação, para que não houvesse dano ambiental.

  Lamentou que os maus tratos ao oceano comprometam a “Amazônia Azul”, que é um patrimônio valiosíssimo, porém vítima de especuladores, de destruidores dos mangues, de poluidores que permanecem impunes.

  O discurso de recepção de Antonio Penteado Mendonça, assim como a belíssima fala de João Lara Mesquita, são páginas que farão parte da melhor antologia da Academia Paulista de Letras.

  Tanto assim, que é inevitável trazer mais um trecho do emocionado pronunciamento de Nico Mendonça a seu primo, também imortal: “No campo da preservação do meio ambiente, onde tem destacada e reconhecida atuação, João é membro fundador (e Conselheiro) do Núcleo União Pró Tietê, ligado à Fundação SOS Mata Atlântica, ONG que desde 1990 comanda a campanha pela despoluição do Tietê. Além disso, foi Conselheiro do Greenpeace de 2001 a 2004 e, entre 2014 e 2016, foi Conselheiro da CI- ConservationInternational.

Primeiro foi o mar, selva noturna/Com solidões de estrelas na manhã:/Houve ramos de sal sobre saudades/E folhas transparentes de lembranças. /Primeiro foi o mar, terra perdida/Na oscilação dos vales e montanhas,/Houve marcos plantados em salsugem/E fronteiras na espuma descoberta.        

  Os versos de Paulo Bomfim cantam a caminhada do João pelos Paeabirus da vida. Quem já esteve no promontório de Sagres e olhou o mar se estender até o horizonte pode imaginar os sentimentos do Infante D. Henrique, sozinho, contemplando do alto ermo a imensidão atlântica. Sua angústia diante do oceano, a necessidade de conhecer seus segredos, descobrir o que tinha depois do fim do mundo e marcar com os padrões portugueses as novas terras a serem descobertas. De sua férrea vontade nasceram as revolucionárias caravelas e as naus, tripuladas por homens extraordinários - Cadamosto, Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Cabral e tantos outros que se seguiram e, já no século 16, mapearam nossa costa e se embrenharam terra à dentro. O João, navegante do “Mar sem Fim”, é o continuador da saga portuguesa em águas e terras brasileiras. Nos dias de hoje redescobre, plota e mostra um litoral maravilhoso, sua gente, hábitos e embarcações. E também suas mazelas. /João é um dos maiores conhecedores da “Amazônia Azul”, o imenso e rico mar territorial brasileiro. Em sua saga com o objetivo de conhecer, proteger e mostrar nossa costa, navegando em dois “Mar Sem Fins”, João realizou duas séries de TV que a mapearam de ponta a ponta, do Oiapoque ao Chuí e do Chuí ao Oiapoque.

  Através de seu site “Mar Sem Fim” - um sucesso de público que recebe mais de quinhentos mil acessos por mês - ele expõe e discute a realidade nem sempre bonita de nosso litoral e mostra o que acontece nos mares do planeta, com ênfase na necessidade de interrompermos as ações responsáveis pela degradação dos oceanos, o empobrecimento da vida marinha e as ameaças cada vez mais sérias para o futuro do ser humano.

  João é autor, entre outros, dos livros “O Brasil Visto do Mar Sem Fim”, “Embarcações Típicas da Costa Brasileira”, “Eldorado, a Rádio Cidadã”, além de centenas de artigos e reportagens. Filho do jornalista Ruy Mesquita, um dos maiores nomes da nossa imprensa no século 20, responsável pela criação do “Jornal da Tarde” e pela revolução que mudou a forma de se fazer jornal no Brasil, e de Laurita Mesquita, descendente de sertanistas que tiraram uma parte do nosso território das selvas e dos espanhóis; Neto de Júlio de Mesquita Filho, um dos grandes nomes da história republicana nacional, líder da Revolução de 1932 e da resistência à ditatura de Getúlio Vargas, idealizador e criador da Universidade de São Paulo e membro desta casa; João Lara Mesquita tem dois filhos, Luiz e José, e é casado com Ana Maria de Carvalho Pinto. É no convívio com eles que encontra forças e recarrega as baterias para tocar em frente e seguir sendo uma pessoa especial - íntegro, corajoso, discreto, amigo dos amigos e consciente de que não é no grito que se ganha o jogo. Na luta da vida, João segue na sua busca pelo bem, se batendo contra o atraso e a mediocridade para fazer o Brasil um país melhor, mais justo e mais lúcido, acima de tudo mais consciente da importância da preservação do meio ambiente para garantir e melhorar a qualidade de vida de nossa população. No dia a dia, João - o nosso João - é um amigo querido dos amigos, leal, inteligente, divertido, companheiro, dono de um senso de humor privilegiado, que gera sacadas geniais e que fazem estar com ele ser sempre muito bom. Tem gente que faz sem saber por quê. Tem gente que faz por fazer. E tem quem faz porque quer. Ao longo da vida, João fez, faz e fará, até o impossível, porque quer. Não pra ficar bonito na foto, mas porque acredita que é o que deve ser feito. É importante fazer bem-feito, mesmo sendo impossível. E fazer bem-feito para ele é, por exemplo, depois de naufragar na Antártida, no ano seguinte retornar e tirar seu barco, o “Mar Sem Fim”, do fundo mar sem poluir a região.

(por: José Renato Nalini)

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