Editorial

Jovens desempregados

No mercado profissional do Brasil, os jovens tรชm sido os mais afetados pelo desemprego. Cerca de 25,8% do total de profissionais que procuram emprego sรฃo membros da geraรงรฃo denominada โ€œZโ€,ou seja, jovens entre 18 e 24 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatรญstica (IBGE). Na Amรฉrica Latina e paรญses do Caribe, esse nรบmero รฉ de 18,5%. ย 
As razรตes para esses altos nรบmeros de desemprego sรฃo diversas, mas muitas delas, reflexo de um ciclo difรญcil de ser quebrado. As empresas, por mais que ofereรงam treinamento para seus novos funcionรกrios, acabam dando preferรชncia aos profissionais com qualificaรงรตes mรญnimas que jรก atendam ร s suas necessidades. E, num paรญs onde a base educacional nunca foi prioridade na gestรฃo pรบblica, nem todos tรชm acesso a uma preparaรงรฃo de qualidade, o que torna a entrada no mercado de trabalho desigual.
Para romper esse ciclo, uma opรงรฃo seriam as seleรงรตes ร  cegas, baseadas nas competรชncias comportamentais (soft skills), nos quais sรฃo valorizadas habilidades mentais, emocionais e sociais, independentemente de experiรชncias profissionais e de informaรงรตes que podem ser restritivas, como a formaรงรฃo acadรชmica. Segundo a pesquisa global Capgemini Digital Transformations Institute de 2017, 60% das empresas estรฃo em uma crise de soft skills entre seus funcionรกrios. A pesquisa ainda revelou que a busca por profissionais com soft skills vem aumentando. Os 1.250 executivos da pesquisa, buscam: Foco no Cliente (65%): prestar bom atendimento e dedicar-se ao cliente; Colaboraรงรฃo (64%): cooperar com a equipe e na rotina de trabalho; Paixรฃo por aprender (64%): sair da zona de conforto e ir em busca de novos conhecimentos; Habilidade Organizacional (61%): conhecimentos que o gestor precisa para compreender a complexidade da organizaรงรฃo.
Alรฉm das competรชncias comportamentais, o profissional da geraรงรฃo โ€œZโ€ deverรก estar atento ao que o mercado busca, ou seja, alรฉm do conhecimento tรฉcnico, a habilidade para trabalhar em equipe, se adaptar rapidamente ร s mudanรงas e aderir de forma satisfatรณria ร s inovaรงรตes.
Os desafios que esses jovens encontrarรฃo tambรฉm estรฃo alรฉm da base curricular, pois vive-se a era da robotizaรงรฃo. Com essa revoluรงรฃo tecnolรณgica, o que farรก o jovem se diferenciar รฉ a prontidรฃo e a capacidade de aprender, o mรกximo do tempo que puder, e pรดr esse conhecimento em prรกtica. E a tecnologia, nรฃo pode ser vista como boa ou ruim, nestes casos, e sim, por trazer pontos que vรฃo contribuir e outros que teremos que aprender a lidar. O segredo รฉ o equilรญbrio entre a junรงรฃo da agilidade tecnolรณgica e da experiรชncia alheia, que contribui para a produtividade das empresas. E para isso, jovens ainda terรฃo como desafio melhorar a capacidade de se relacionar de maneira mais colaborativa e interpessoal.
O cenรกrio รฉ difรญcil, de um lado jovens reclamando da falta de oportunidade e, do outro, as empresas que dizem nรฃo encontrar profissionais capacitados, mas, os jovens profissionais tรชm que achar o seu espaรงo e estarem preparados e investirem em suas habilidades sociais.