Vamos registrar com alegria o anunciado aparecimento de um novo livro de Monteiro Lobato o โAlmanaque Urupรชsโ trazido ao pรบblico neste 18 de abril, data de nascimento de Lobato. Segundo leio no jornal O Estado de S.Paulo, Caderno 2, de 17 deste corrente mรชs de abril, um pesquisador de Taubatรฉ, terra de Lobato, seu conterrรขneo, teve acesso ao maior conjunto inรฉdito de textos lobatianos: 47 cartas por ele escritas ao poeta Cesรญdio Ambrogi, seu amigo, entre 1918 19480. Alรฉm dessas cartas, hรก ainda 15 outras trocadas com outros destinatรกrios e artigos de jornais locais nรฃo divulgados.
Conta a nota do Caderno 2 do Estadรฃo, acima referida, que esse pequeno tesouro foi entregue ao pesquisador Pedro Rubim em 2001, pela viรบva de Ambrogi, Lรญgia Fumagally Ambrogi, que morreu em 2012. Pedro Rubim esperou 18 anos atรฉ essa obra deixar de ser patrimรดnio dos herdeiros para tornar-se pรบblica. Assim, foi-lhe organizar o material em plataforma multimรญdia chamada โAlmanque Urupรชsโ, lanรงado nesta semana em Taubatรฉ, 18 de abril, aniversรกrio de nascimento de Lobato. ย
Nessa troca de cartas ele revela sua mรกgoa em relaรงรฃo ร elite de sua cidade natal, que passou a registrar descontentamento por suas criticas ao comportamento dos barรตes do Vale do Paraรญba.ย A Cรขmara Municipal da cidade aprovou em 1922 moรงรตes contra o filho ilustre recomendando que seus livros fossem banidos de circulaรงรฃo na cidade. A ira dos parlamentares taubateanos, que representavam a elite econรดmica local, foi despertada pelo livro Cidades Mortas em que Lobato retrata em linguagem ferina a decadรชncia do Vale do Paraรญba, em decorrรชncia da aboliรงรฃo da escravatura. Os vereadores, em sua moรงรฃo, nรฃo poupam ataques a seu conterrรขneo Ilustre, cujo nome jรก se destacava entre os melhores textos da literatura brasileira, bastando lembrar a sรฉrie de livros infantis registrando as diabruras dos netos de dona Benta, no Sรญtio do Picapau Amarelo, que ainda hoje faz a alegria de seus leitores, tanto os pequenos como os adultos. ย
De minha parte, como leitor constante de Lobato, registro que as malquerรชncias de seus conterrรขneos antigos quanto ao escritor e seus livros รฉ interessante na medida em que influenciadas por razรตes polรญticas da classe social dominante nos idos tempos de seu filho ilustre.
Segundo Rubim, que hoje traz ao conhecimento pรบblico os desconhecidos textos de Lobato, no seu novo โAlmanaque Urupรชsโ, foi este taubateano ilustre e imortal, processado na รฉpoca pela Lei de Seguranรงa Nacional pelo fato de, entre outras lutas que vivenciou, se atrever a escrever sobre o petrรณleo existente no solo brasileiro, assunto entรฃo proibido pela severa legislaรงรฃo getuliana.













