Fabio Picarelli Opinião

Mais um avanço: Cartilha de Paranapiacaba

Paranapiacaba ganhou uma cartilha. Uma não, duas, na verdade. Porque são duas versões: infantil e adulta.
A Cartilha de Preservação para o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Paranapiacaba foi idealizado e conduzido pelo Instituto Brasil Restauro com apoio da MRS Logística, ANTT, Ministério dos Transportes, Governo Federal e Unesp.
A Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense só tem a agradecer pelo trabalho impecável que demorou de junho a outubro de 2025 para ser finalizado.
Cartilha é uma publicação resumida de caráter pedagógico, didático e informativo. Em geral possui uma linguagem clara e objetiva com ilustrações como chamarizes para facilitar a compreensão. Nesse caso, o conteúdo tem dois públicos-alvos de diferentes faixas etárias.
Imagine uma criança na idade escolar. É preciso buscar atrativos diferenciados, que seja pedagógico e lúdico ao mesmo tempo que diverte.
Para o adulto o texto pode ser mais técnico, porém prático, com ensinamentos que alcancem o objetivo proposto. Uma delas é vital para a comunidade: o cuidado com a sua moradia. Dicas como conservar o seu imóvel de acordo com as leis em vigor; quais são as burocracias e quais os caminhos a serem tomados; o que se pode fazer em termos de manutenção e reforma do imóvel . Todas essa informações têm a proposta de ajudar o convívio do morador no local onde vivem.
Com base em pesquisas oficiais, a cartilha traz a formação da vila na época da construção da ferrovia Santos-Jundiaí pela empresa britânica São Paulo Railway Company, lá pelos idos do século XIX até o início do século XX.
Também constam detalhes dos patrimônios materiais (bens imóveis e tombamentos) e imateriais ( aqui incluem-se festas populares, esportivas e religiosas; e as famosas lendas); os patrimônios ambientais (como as florestas, as nascentes, as trilhas, o cambuci e a neblina que encobre a região); e por fim, o patrimônio cultural (os lugares, os costumes, as festas, a memória e as brincadeiras).
Outros destaques da publicação são o turismo como fonte de trabalho e renda , as oficinas com seus objetivos, critérios e dinâmicas; e um capítulo sobre o presente e o futuro.
Cuidar do patrimônio deixado pelos antepassados significa manter a história viva para que outras gerações possam compreender o presente, que protege e recria o passado, e o futuro, resultado das escolhas do presente.
Tudo isso é peça importante para alcançar uma meta mais alta: o reconhecimento da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) para transformar Paranapiacaba, o lugar onde se vê o mar, em Patrimônio Mundial da Humanidade.
Uma série de fatores unidos só engrandece nossa luta. A cartilha, por si só, já é um convite. Observar a Vila de Paranapiacaba de um jeito diferente, percebendo como o patrimônio está presente no cotidiano para contar a história de quem somos. É isso que está escrito internamente.
A exigência da Unesco é grande. Temos que seguir certas regras para conquistar o título. E seguimos a risca para conseguir esse intento.
A Vila de característica inglesa jamais pode ser desvalorizada por tudo que representa. E Santo André tem a honra de ter esse patrimônio em mãos. As autoridades, liderada pelo prefeito Gilvan Ferreira, têm consciência dessa importância e faz de tudo pela preservação da memória.

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