Cultura & Lazer

Musical “Dom Casmurro” retorna a São Paulo em abril, com ingressos gratuitos

Espetáculo traz uma leitura contemporânea e inédita do clássico de Machado de Assis por meio de canções que ampliam a dimensão emocional da narrativa (Foto: Divulgação)

Após o sucesso de estreia em 2024 e das novas apresentações em 2025, o premiado musical “Dom Casmurro” retorna a São Paulo para uma nova temporada, desta vez no Itaú Cultural, na Avenida Paulista. As apresentações acontecem de 2 a 12 de abril, de quinta a domingo, com sessões às 20h (quinta a sábado) e às 18h (domingo), com ingressos gratuitos e reservas realizadas pela plataforma Inti, abertas sempre às terças-feiras, a partir das 12h, na mesma semana de cada apresentação.

A produção, parceria entre A Casa Que Fala e Tomate Produções, amplia seu reconhecimento no cenário do teatro musical brasileiro, reforçando a potência dos musicais autorais ao consolidar uma trajetória marcada por prêmios e indicações relevantes. Indicada ao Prêmio APCA nas categorias Melhor Espetáculo e Melhor Ator, a montagem venceu o Prêmio Bibi Ferreira 2025 na categoria Dramaturgia Original em Musicais, além da indicação em Letra e Música, e foi indicada a cinco categorias do Prêmio Destaque Imprensa Digital (DID), conquistando os troféus de Dramaturgia Original e Letra Original.

Com texto de Davi Novaes (“O Que Restou de Você em Mim”) e músicas, letras e direção musical de Guilherme Gila (autor do premiado “A Igreja do Diabo”), o espetáculo conta com direção de Zé Henrique de Paula e propõe uma releitura contemporânea, sensorial e musicalmente pulsante da obra de Machado de Assis, autor que também ganhou uma exposição na série Ocupação, do Itaú Cultural, em 2023.

O projeto do musical foi desenvolvido ao longo de três anos, em um processo colaborativo que buscou traduzir para a cena as tensões psicológicas e ambiguidades presentes na narrativa original. “Percebi que muitos musicais que admiramos no exterior partem de obras literárias. Voltar o olhar para os nossos clássicos foi um movimento natural, e ‘Dom Casmurro’ reunia todos os elementos para essa adaptação”, comenta Gila.

Na dramaturgia, Davi Novaes preserva a essência machadiana enquanto abre espaço para novas camadas de leitura. “A estrutura do romance permanece, mas a encenação permite que dúvida, memória e ciúme ganhem voz através da música”, explica.

A encenação se constrói a partir de uma linguagem integrada entre corpo, luz, som e espaço. A direção de movimento e coreografias são de Zuba Janaína, com desenho de luz de Fran Barros, desenho de som de Cauê Palumbo, figurinos de Ùga agÚ, visagismo de Jo Sant Anna e cenografia assinada pelo diretor Zé Henrique de Paula, em diálogo direto com as nuances psicológicas da obra.

O elenco retorna para esta temporada com Rodrigo Mercadante como Bentinho, Luci Saluzzi como Capitu e Cleomácio Inácio como Escobar. A nova fase do espetáculo marca a entrada de Bibi Tolentino, que assume os papéis de Prima Justina e Sancha. Completam o elenco Fábio Enriquez como José Dias, Nábia Villela como Dona Glória e Eduardo Leão como Tio Cosme.

A trilha sonora, executada ao vivo, transita entre o rock e a MPB, acompanhando as transformações emocionais dos personagens. A banda é formada por Guilherme Gila (piano e regência), Samir Alves (violino), Felipe Parisi (violoncelo), Pedro Macedo (contrabaixo) e Cássio Percussão (percussão).

Mais do que uma adaptação, o musical “Dom Casmurro” propõe uma experiência que articula literatura, música e interpretação em uma construção sensorial que convida o público a revisitar um dos maiores clássicos brasileiros sob novas perspectivas.