Negócios

Na ACISBEC, Jorge Lima defende foco nas pequenas e médias empresas para o desenvolvimento do ABC

Marcos Ribeiro, Laercio Giglioli, Carla Morando, Jorge Lima, Valter Moura Júnior, Sergio Tannuri, Vinícius Moura e Rafael Demarchi

A ACISBEC (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo) recebeu, na terça (23), o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima.

 “São Bernardo é uma cidade extremamente importante na Região Metropolitana. Temos que começar a trazer para cá, novamente, esse espírito de união entre as cidades e por isso tivemos essa iniciativa. Temos um potencial enorme e precisamos alinhar esses atores que têm feito um grande trabalho, Executivo, Legislativo, entidades, pensando em conjunto, e isso traz uma nova visão para a abertura de negócios”, disse o presidente da Acisbec, Valter Moura Júnior.

Representando a prefeita Jessica Cormick, o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo,Rafael Demarchi, destacou o histórico industrial da cidade: “São Bernardo tem um berço industrial muito importante automobilístico, mas também tem desenvolvido uma nova característica logística na cidade que é tão importante quanto à indústria para a geração de empregos. São Bernardo é a esquina do Brasil”.

O secretário Jorge Lima ressaltou a boa fase econômica que o Estado tem atingido, com o impulsionamento dos investimentos privados, que segundo ele, já ultrapassaram a previsão de R$ 350 bilhões para R$ 520 bilhões. Além disso, o PIB estadual atingiu o patamar dos R$ 3,5 bilhões.

À Folha, Jorge Lima destacou que para melhorar o cenário econômico do ABC, as cidades precisam focar no desenvolvimento de pequenas e médias empresas. “Temos que parar de ficar sonhando com grandes empresas. Se olharmos para o mundo, hoje, não tem tanta empresa disponível para vir para o Brasil. Você tem algumas ainda na China, na Índia. Temos a Tesla, que não vai vir para cá. Não acredito, minha opinião. Então, assim, temos que entrar no modelo americano, japonês que deu certo e que a China está fazendo como ninguém, apostando na pequena e média empresa. Aí sim, o ABC tem condições de crescer”, revelou.

Porém, o secretário destacou que é preciso planejamento nas cidades, pois as empresas não querem suas sedes dentro de grandes metrópoles por conta dos impactos. “O mundo se move em real state, quanto mais tenho uma cidade tomando conta do espaço, mais difícil para as empresas, porque empresa não quer estar dentro de cidade. O impacto é muito grande, seja ambiental ou de barulho. Então, você diminui um pouco a sua opção se você não tiver espaço. É preciso ter espaços fora da cidade, porque dentro das cidades é muito difícil o investidor querer vir. Há muito problema”, disse.

Jorge Lima defendeu a recomposição da economia local baseado em uma filosofia que defende, a de as empresas terem seus fornecedores localizados em um raio de 50km. “A recomposição deve ser feita em cima de uma filosofia que a gente apresenta, que é um raio de 50 km. Uma grande empresa compra tudo num raio de 50km porque daí você começa a fomentar a pequena e média empresa”, explicou.

O secretário disse que o Governo de São Paulo tem focado ações para estimular as pequenas e médias empresas. “Prefiro trabalhar com a pequena e média empresa, que no Brasil ainda não se dá tanta importância, tanto que o Simples só tem comércio e serviços, mas é um foco do nosso governo muito forte. Tanto que tínhamos como meta abrir 400 mil empresas em 4 anos e estamos com 846 mil só este ano foram 310 mil. Está dando certo”, contou.

Empresários participantes do evento na ACISBEC

Também contou que após a reforma administrativa realizada no Estado, há um diretor na secretaria de Desenvolvimento Econômico para cada 40 cidades. “Justamente para estar do lado do empresário e do poder público para desenharmos o Estado.  Precisamos de um plano, temos ferramentas para isso, o Invest, que faz estudo de desenvolvimento, capacitação, temos o Desenvolve e o Banco do Povo que financia. As ferramentas existem, mas precisam de um desenho. Temos que pensar, por exemplo, no agora e nos próximos dez anos”, enfatizou.

O Estado de São Paulo atingiu, de acordo com o secretário, o melhor índice  de empregabilidade desde 2012. “Estamos com 5,1%, sendo que a média brasileira é 5,7%”, disse.

Jorge Lima também antecipou que irá lançar, junto à primeira-dama, Cristiane de Freitas, o programa 60+ para impulsionar pessoas com mais de 60 anos ao mercado de trabalho. “Chegamos a conclusão de que vamos ter que voltar o cara de 60 anos para o mercado de trabalho. Hoje, alguém com 60 anos não é mais velho, como era considerado antigamente”, disse.

Apagão da mão de obra

Outro tema sensível para o empresariado e diversos setores da economia, a escassez da mão de obra também foi abordada pelo secretário, que disse que o Governo de São Paulo criou o programa Trampolim para atuar na resolução deste problema.

“O Trampolim é um site baseado em inteligência artificial, no qual estamos pedindo para as pessoas colocarem os cursos gratuitos e do outro lado, entro com as vagas é a única forma de entendermos o que está acontecendo. De repente estou ofertando coisas que não são o que a população daquele lugar quer mais. Não sei o que o jovem dessa região, que cresceu sob perspectiva de máquina industrial, quer. Temos que parar de achar que existe política pública generalizada para o Estado de SP, cada cidade tem que dizer o que precisa, para avançarmos na política pública direta”, afirmou.

“Dizer que faltam eletricistas, não está correto. Falta qual? Auto? De Infra? De indústria? Qual eletricista? Fica-se ofertando cursos para caramba, sem o resultado prático, e todo mundo queixando de mão de obra”, completou.  

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Jorge Lima, fala à Folha.