
A vice-prefeita de São Caetano, médica ginecologista, obstetra e mastologista, Regina Maura Zetone Grespan, participou, nesta terça (10), do Business Breakfast, promovido pelo LIDE Mulher ABC. O evento foi realizado no Amsterdam Mingle e contou com a presença da vice-prefeita de Santo André, Silvana Medeiros, além de empresárias da região.
A CEO do Lide Mulher ABC, Naura De Nadai, destacou a importância do tema do evento: Menopausa: um ponto de virada para a Saúde da Mulher. “Menopausa, como disse a minha vice, ou você está ou você estará. Então, temos que saber tudo sobre este período da mulher que nos transforma tanto, após tantas fases transformadas, e que precisamos sobreviver a ele, linda, maravilhosa, feliz, contente, participando e integrada a tudo”, afirmou.
Para a vice CEO do LIDE Mulher, Priscila Zocchi, a menopausa é uma fase de atenção aos cuidados necessários para as mulheres. “Este período é importante e quem não passou, vai passar. Precisamos entender os sinais para podermos entender o que é necessário para poder entender o que é necessário para viver bem”, pontuou.
Regina Maura fez uma abordagem integrativa para o envelhecimento ativo, pleno e com qualidade de vida. “Na primeira metade da vida, a mulher é fértil, pode engravidar, mas e a segunda metade? Esta segunda metade talvez seja metade mais viva da vida da mulher. O momento em que ela já está com estabilidade na carreira, na vida privada, familiar e ela pode conseguir olhar para ela com olhar de conhecimento e de autocuidado”, disse.
De acordo com a médica, as mulheres, antigamente, que perderam a oportunidade de fazer uma reposição hormonal têm uma qualidade de vida comprometida. “Elas acabam chegando quase no final da vida com muitos problemas, com incômodos, dificuldades, inclusive de autonomia. Autonomia é o que temos que focar para o final dos nossos tempos”, contou.
Segundo Regina Maura, a menopausa “não é o fim”, mas sim uma transição natural e “uma oportunidade única” para assumir o controle da saúde da mulher. “A menopausa é uma transição natural, um marco biológico que convida à ressignificação e ao autocuidado, uma janela de oportunidade, sendo o momento ideal para implementar estratégias que garantem longevidade e vitalidade”, explicou.
A médica defendeu o protagonismo na saúde das mulheres, para que saiam do silêncio e dos mitos para buscarem um envelhecimento ativo e pleno. A menopausa é o marco clínico definido pelo fim permanente dos ciclos menstruais. Sua confirmação ocorre após 12 meses consecutivos de amenorreia. A média de idade para entrar nesta fase é 51 anos, mas o intervalo comum é de 45 a 55 anos. Em 5% dos casos, ela ocorre em mulheres de 40 a 45 anos, conforme Regina.

Além dos Fogachos
Regina Maura contou que a queda de estrogênio remove uma proteção vital, expondo a mulher a riscos silenciosos que exigem atenção proativa, seja na saúde cardiovascular ou óssea. “A queda dos níveis de estrogênio pode gerar alteração do perfil lipídico, com aumento do LDL e Triglicerídeos e diminuição do HDL, o aumento da hipertensão arterial e é a principal causa da morte em mulheres na pós menopausa”, disse.
Já na saúde óssea, essa queda gera remodelamento ósseo negativo, perda acelerada de massa, aumento do risco de osteoporose em 20% a 30% das mulheres e maior probabilidade de fraturas e mortalidade associada, de acordo com a médica.
No metabolismo e cognição os efeitos também são prejudiciais à saúde da mulher. “Há um maior risco de diabetes tipo 2, síndrome metabólica, alterações na tireoide e ganho de peso central (abdominal), além do aumento na prevalência de Alzheimer, mais comum em mulheres”, explica.
Janela de Oportunidades
Segundo Regina, os 10 primeiros anos da menopausa (contados a partir da última menstruação ou antes dos 60 anos) também são o momento estratégico para a longevidade, seja para mitigar riscos, com a redução proativa de riscos cardiovasculares e ósseos), com ação preventiva (implementar terapias quando o corpo responde melhor) ou no bem-estar físico e cognitivo.
Boa alimentação (anti-inflamatória e fitoestrógenos, como soja, tofu, linhaça e grão-de-bico para controle de sintomas), suplementação de cálcio e vitamina D (quando recomendada), sono reparador (essencial para reparo cardiovascular e emocional) são alguns dos itens fundamentais de acordo com a médica para se conquistar um envelhecimento saudável.
Somado a isso, há a importância do treino de força e aeróbico para a saúde óssea e metabólica, sendo recomendados 150 minutos de aeróbicos por semana e 2 dias de treino de força. “Para combater a queda do estrogênio e fortalecer a massa óssea, melhorar a saúde cardiovascular, aliado ao controle de peso e qualidade do sono”, justifica Regina Maura.
Terapia Hormonal
“Felizmente, sempre acreditei e usei para mim e para as minhas pacientes. Acho que a reposição hormonal não dá para viver sem. Uma vez que você começa é para nunca mais”, defendeu a médica.
Regina Maura avalia que a terapia hormonal é o padrão-ouro para o alívio de sintomas e prevenção de riscos crônicos, focada na individualidade de cada mulher. “É uma decisão baseada em evidências, ajustando dose, via e duração conforme o perfil de risco de cada paciente”, conta.
Segundo a médica, ela deve ser feita via transdérmica, pois gera menor impacto hepático, menor risco de TEV (tromboembolismo venoso), nos triglicerídeos e na pressão arterial. Assim, a médica não recomenda que seja realizada via oral, por conta do aumento desses fatores de risco.
As contraindicações absolutas, de acordo com Regina Maura, são para neoplasias hormônio-dependentes (câncer de mama e endométrio), portadoras de doenças cardiovasculares manifesta (histórico de infarto ou AVC); tromboembolismo venoso (TEV) trombose profunda ou embolia pulmonar prévia; doença hepática descompensada ou sangramento vaginal de causa desconhecida, além de lúpus eritematoso sistêmico com elevado risco trombótico.
Alternativas não hormonais
De acordo com Regina Maura, há alternativas não hormonais para aliviar os sintomas negativos da menopausa nas mulheres, tais como as terapias farmacológicas ISRS e ISRN (paroxetina, venlafaxina, desvenlafaxina) para controle de ondas de calor; gabapentina (eficaz na redução dos sintomas vasomotores e melhora da qualidade do sono) e a fezolinetante (novo antagonista da neuroquinina B que atua diretamente no centro termorregulador do cérebro).
Alerta crítico
A médica ainda fez um alerta para as mulheres que fazem uso de ‘chips da beleza’: “As formulações manipuladas e “chips da beleza” carecem de evidências científicas robustas de eficácia e segurança, pois podem ser realizadas com dosagens robustas e risco de contaminação. Falta de aprovação por agências reguladoras (ANVISA), SBC, FEBRASGO e SOBRAC”.













