AME Memórias de São Bernardo

No tempo das pensões familiares

Esta casa, na rua João Pessoa, Centro de São Bernardo, abrigou a pensão de dona Adélia (Acervo Centro de Memória de São Bernardo)

A partir da instalação de indústrias automobilísticas em São Bernardo, ao final da década de 1950, a oferta de empregos cresceu e atraiu profissionais de localidades do estado de São Paulo e de outros estados, para trabalharem na cidade.
A necessidade de moradia cresce e boa parte dos contratados pelas empresas e serviços é constituída por jovens solteiros. Assim é que algumas famílias com casas amplas e mais antigas decidem abrir vagas em quartos disponíveis a estes novos trabalhadores chegados à cidade. Inicialmente, nas ruas centrais da cidade e, posteriormente, nos bairros um número significativo de espaços começa a acolher gente de: Sorocaba, Piracicaba, Bauru, Caconde, Botucatu, Minas Gerais e cidades do Nordeste, entre outras localidades.
Algumas pensões oferecem, quarto, alimentação, roupa lavada e passada. Outras, apenas o dormitório e roupa lavada e passada. E há as que oferecem apenas o dormitório, sem os demais serviços.
Há pensões que recebem exclusivamente rapazes e outras, exclusivamente moças, normalmente professoras concursadas, que escolheram o cargo fora de sua cidade de origem por não haver vagas; ou estudantes, que, com o passar do tempo, começaram a se organizar nas chamadas “Repúblicas”, principalmente os que estudavam na FEI, Faculdade de Engenharia Industrial.
Com preços acessíveis, residir num ambiente familiar tornava a adaptação à cidade mais amena e favorável, sendo que muitos só deixavam de residir na pensão, quando se casavam.
As pensões familiares para muitos foi um ambiente fortalecedor. As donas de pensões eram, normalmente, ótimas conselheiras, acolhiam, davam bronca, animavam. Eram casas com cheirinho de café fresco, bolo, pastel, normalmente compartilhados com os hóspedes. Muitos deles se casavam e continuavam frequentando a casa que os acolheu na chegada a São Bernardo.
Dona Aurora (Nora), dona Adélia, dona Marita, dona Nízia, no Centro da cidade, foram pessoas que compartilharam espaços em suas casas, com presteza, afeto e estímulo para que muitos jovens prosperassem, realizando sonhos e, até hoje, devem integrar a memória afetiva de muitas famílias, assim como outras pessoas pelos demais bairros da cidade de São Bernardo que encontrava-se em tempo de grande expansão.

Célia Guiesser – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).