Quinta Avenida

Nora Ney – cantora e compositora

Nora Ney era o nome artístico de Iracema de Souza Ferreira. Ela nasceu na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro no dia 20 de março de 1922. Envolvida pelo universo da música, Iracema frequentava programas de rádio durante a juventude. Diversamente de outras cantoras do rádio, seu pai a incentivou a seguir a carreira de intérprete e lhe presenteou com um violão. Residente do bairro da Urca, teve oportunidade de conhecer o pianista de jazz e cantor Dick Farney e sua esposa Cibele.

A amizade com o casal levou a conhecer o cantor Lúcio Alves, que participava das reuniões do fã clube “Sinatra-Farney”, na casa de Dick. Todos esses contatos propiciaram a ela conhecer o diretor da Rádio Tupi, que a contratou para se apresentar no programa “Fantasias Musicais, que era apresentado pelo radialista José Mauro. Através de suas apresentações, a fama foi crescendo cada vez mais, induzindo a mudar o nome para Nora Ney.
Passado algum tempo, foi convidada pelo produtor artístico Almirante (Henrique Foréis Do-mingues) para atuar no quadro “Viva o Samba” do programa “G-3”, substituindo a cantora Aracy de Almeida durante suas férias. A partir daí, surgiram pedidos para que Nora acrescentasse músicas brasileiras ao seu repertório, aumentando ainda mais o sucesso. Seu talento lhe rendeu grande aceitação pelo público, conseguindo um contrato com a prestigiosa Rádio Nacional do Rio de Janeiro, então campeã de audiência em todo o Brasil.
O programa “Quando Canta o Brasil” conseguiu picos de audiência e começava às 21h. Mais tarde, devido à grande procura, ela começou a se apresentar em outros programas de rádio como “Trio do Osso” das Rádios Mayrink Veiga e Cruzeiro do Sul, alcançando independência financeira. Cada vez mais popular, sua voz rapidamente chamou a atenção de produtores musicais.
Em 1952, através da gravadora Continental, gravou quatro canções incluindo “Menino Grande”, “Quanto Tempo Faz”, “Amor Meu Grande Amor” e “Ninguém Me Ama”, esta se tornou muito popular ganhando o primeiro “Disco de Ouro”. Essa canção, foi gravada posteriormente pelo cantor norte-americano Nat King Cole com o título “Nobody Loves Me”.
Apesar de uma notável intérprete de “sambas-canção”, Nora Ney se tornou uma das pioneiras do “rock and roll” brasileiro ao gravar o primeiro LP de rock do Brasil: a versão brasileira do “Rock Around The Clock” de Bill Haley & His Comets, trilha sonora da película com o titulo no Brasil “Sementes da Violência”.
Em 1963 Nora Ney já havia conquistado o apelido honorário de “Rainha do Rádio” e ao lado do marido e também cantor Jorge Goulart, fez uma “turnê” internacional por países de América do Norte e do Sul, Europa, África e Oriente Médio. Na década de 1980 apareceu em uma série de shows “As Eternas Cantoras do Rádio”, que foi muito bem recebida pelo público e crítica especializada.
Em 1992, durante um show no clube carioca Fluminense, Nora sofreu um derrame cerebral. As consequências fizeram com que tivesse que se afastar dos palcos. A partir daí, deu algumas entrevistas a rádios e jornais, permanecendo reclusa em casa e enfrentando sérios problemas de saúde. Em 2000, o cantor Elymar Santos a homenageou em um de seus shows na casa de espetáculos Canecão, onde ela cantou “Ninguém Me Ama”, em cadeira de rodas.
No dia 6 de julho de 2001, devido a uma insuficiência respiratória, foi internada na unidade de terapia intensiva do Hospital Samaritano, vindo a falecer aos 81 anos, em 28 de outubro de 2003. Nora Ney teve dois filhos do primeiro casamento. Vera Lúcia e Hélio, frutos de seu primeiro casamento com Cleido Maia. Vera Lúcia ficou conhecida por ter sido eleita Miss Guanabara em 1963, enquanto Hélio seguiu carreira como músico, atuando como baterista na França. Seu relacionamento com o cantor Jorge Goulart durou 39 anos. Uma união feliz e duradoura.

Nora Ney e Jorge Goulart

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