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Nosso dia-a-dia

Chegamos numa idade que tudo que aprendemos na vida retorna no nosso dia-a-dia.
Pequenas coisinhas de nosso passado nos trazem a memรณria recordaรงรตes das pessoas que fizeram parte de nossa caminhada.
Vou aqui relembrar e espero que isso tambรฉm faรงa com que vocรชs, meus amigos despertem alguns fatos passados de seus arquivos memoriais.
Lembrando da Hildinha, sogra de minha irmรฃ Suzana, de quem jรก falei aqui em anos passados. Toda vez que coloco um bolo no forno dou trรชs toques em baixo da forma e digo: – Cresรงa bastante!
Ela dizia que era uma simpatia, mas penso que isso รฉ uma forma de ativar o fermento colocado no bolo. Quando faรงo o arroz, novamente ela vem em minha memรณria, pois dizia: – Tem que mexer com o garfo, para soltar bem.
Ao comer um mamรฃo, deixo algumas sementes, pois minha sogra Olga as deixava para, como dizia: o intestino vai funcionar melhor! E nesse momento a imagem dela estรก presente, assim como a de meu pai Alberto que antes de cortar o mamรฃo dizia para nunca se esquecer de lavรก-lo muito bem.
Quando coloco o grรฃo de bico na รกgua na vรฉspera de cozinhรก-lo, coloco uma colher de sopa de sal na รกgua. Nรฃo sei qual รฉ a quรญmica produzida nessa alquimia, que faz com que o grรฃo absorva as cascas. Nesse momento lembro-me de minha prima Alba, que foi quem me deu essa dica anos atrรกs.
Quando vou colocar uma linha na agulha, se a linha รฉ branca coloco sobre um fundo escuro e se a linha รฉ escura sobre um fundo claro. Com certeza tudo fica mais fรกcil. Hรก muitos anos, minha tia Amรฉrica, com suas 80 primaveras anos, tentava enfiar uma agulha. Quando falei como eu fazia dessa forma, ela seguiu a orientaรงรฃo e me disse:- Sempre รฉ tempo de aprender. Nรฃo importa a idade que temos.
Isso ficou sempre em minha memรณria.
Minha mรฃe Odette fazia um delicioso sagu com suco de uva ou um pouco de vinho. ร‰ no momento de colocar sobre ele um pouco de leite que ela estรก presente, como ao cortar uma laranja em quatro partes e soltar as cascas com a mรฃo. Com cinco filhos, era a maneira mais rรกpida de descascar as laranjas.
O feijรฃo colocado de molho na vรฉspera do cozimento… Para ficar cremoso. A costelinha de porco que o acompanhava. Ensinamentos e lembranรงas de minha avรณ Assunรงรฃo. Meu marido Theo sempre dizia que o feijรฃo dela era รบnico. Delicioso!
Quando dirijo passando pelos trรชs tombos, indo para Sรฃo Paulo, vem-me a memรณria a amiga Dina. ร‰ramos bem jovens, ela um pouco mais velha do que eu e mais atirada, incentivando-me a soltar o carro e ir mais rรกpido nos sobes e desces da estrada.
O doce de abรณbora sempre me lembra dona Rita. Ela e seu marido Sr. Joaquim foram dos primeiros moradores em Bernรด a terem uma televisรฃo. Moravam na Rua Joรฃo Pessoa. Nas tardes de futebol, os rapazes se amontoavam na pequena sala para acompanhar os jogos. Nรณs, as meninas, nos nossos 14 anos nos juntรกvamos com dona Rita que jรก tinha preparado o doce de abรณbora e รญamos servir aos rapazes no intervalo.
Mais tarde eles se mudaram na mesma rua, para uma casa maior, mas continuaram a nos receber sempre de forma muito agradรกvel.
Vivemos, graรงas a Deus, com boas lembranรงas.
Aborrecimentos tambรฉm fazem parte do nosso cotidiano, mas o melhor รฉ os colocarmos em um canto afastado do nosso cรฉrebro, e vivermos das boas recordaรงรตes.
Um abraรงo, Didi

Divanir Bellinghausen Coppini (Didi) รฉ escritora e voluntรกria em Sรฃo Bernardo – e-mail: dibelligh@yahoo.com.br