
Urucum com óleo de amêndoas; Coca-Cola com óleo de coco; suco de beterraba, suco de cenoura e Coca-Cola, estas não são receitas comestíveis e sim bronzeadores caseiros usados em nosso país tropical nos anos 1960/70/80. E São Bernardo não ficou fora destas tendências. Esses óleos eram usados, principalmente por moças e rapazes em clubes da cidade ou nas praias, com muitos jovens interessados em ficar com a famosa marquinha do bronzeado – o novo símbolo de status e liberdade da época.
Não tinha tempo para ir à praia ou ao clube? Usava-se o terraço de casa ou apartamento para o tal bronze. A Associação dos Funcionários Públicos, o Tênis Clube, o Clube da Volks e outros viviam lotados com jovens no estilo “livre, leve e solto”, em contraponto ao estilo conservador do pós-guerra dos anos 50. Impulsionada pelo rock and roll, a mini saia e os biquínis, que passaram a ser aceitos pela sociedade, a juventude se sentiu com maior liberdade para mostrar um corpo natural tingido por uma nova cor: o bronzeado.
Na piscina da Associação dos anos 70, as cadeiras chaise longue eram muito disputadas nas férias do verão, com todos utilizando os bronzeadores caseiros ou os industrializados que estavam começando a serem lançados no mercado. Também a pasta d’água sólida, de cor branca – uma espécie de bloqueador solar físico – era espalhada nas partes da pele já danificadas, ou usadas em crianças, que apresentavam um visual cheio de remendos brancos na pele, ficando muito esquisito! E quantas mães nas cadeiras observando os filhos nas piscinas!
Este era nosso lugar na Associação. Ficávamos no período da manhã até às 11h, naquele sol de verão que parecia leve e inconsequente para a saúde, pois os perigos e riscos, a longo prazo desta exposição, não eram muito conhecidos.
Essa percepção começou a mudar na metade dos anos 80, com o lançamento nacional do primeiro protetor solar com fator 15, ainda baixo, mas já levando a mensagem do risco de câncer de pele. Nos consultórios, os médicos passaram a colocar em cheque o glamour do bronzeado exagerado, a qualquer custo. Hoje temos muitos produtos eficazes capaz de evitar queimaduras solares. Os clubes e praias continuam lotados e, felizmente, a informação está ao alcance de todos.
Elexina Medeiros D’Angelo – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).
















