
Nas últimas décadas o Carnaval de São Bernardo mudou. Lembramos de como era comemorada a folia de Momo em quase toda a segunda metade do século passado na cidade. Havia muitos clubes e agremiações que promoviam festas carnavalescas: Tênis Clube, Associação dos Funcionários Públicos de São Bernardo, Salão do José Pelosini, Aranami Country Clube, Esporte Clube São Bernardo, Clube da Dulcora, Cantina Santos, Odeon Clube, Volkswagen Clube, entre muitos outros. Os bailes noturnos iniciavam na sexta e iam até a terça feira “gorda” e, para a criançada aconteciam as matinês aos sábados, domingos e terças à tarde.
Todos dançavam ao som de marchinhas antigas ou as que foram lançadas naqueles anos por famosos cantores da época. As execuções sempre eram realizadas por pequenas orquestras com músicos e cantores que sabiam como animar os foliões – estes se divertiam jogando confetes e serpentinas uns nos outros e, inclusive espirravam o lança-perfume – que acabou tendo seu uso proibido em 1961.
Os participantes se vestiam com roupas leves e tinham acessórios para compor o visual e se apresentavam com: chapéus enfeitados, máscaras, colares e pulseiras, exagero nas pinturas do rosto, algumas peças que lembravam fantasias estilizadas, homens que se produziam grotescamente com roupas femininas. Ainda havia aqueles grupos de amigos que mandavam confeccionar vestuários, num mesmo modelo, para ficarem iguais, formando assim, um bloco para curtirem juntos.
Uns poucos iam com vestimentas lúdicas mais elaboradas para participarem dos concursos de fantasias nas categorias: luxo e originalidade. Nem todos os clubes promoviam concursos, porém um dos mais disputados era o da Associação dos Funcionários Públicos. Meu marido, Antonino Assumpção e meu amigo Sergio Rossetti chegaram a ganhar alguns destes certames – claro que o fato de pertencerem ao Grupo Cênico Regina Pacis facilitava na escolha do figurino, pois a nossa companhia de teatro possuía, na época, um razoável acervo com figurinos prontos para serem exibidos.
Nas ruas, pessoas se divertiam assoprando apitos ensurdecedores e espirrando, com bisnagas plásticas, águas nos transeuntes – todos levavam na brincadeira, tentado se esquivarem dos esguichos.
Os desfiles de escolas de samba e blocos também marcaram este período e aconteceram em vários locais da cidade: rua Marechal Deodoro, Av.Faria Lima, Av.Kennedy, Av.Robert Kennedy, Av.Aldino Pinotti, entre outros. Mas esta história fica para ser contada num outro Carnaval…
Hilda Breda – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).















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