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O comando de Dilma

03/03/2012

Basta ler o noticiรกrio polรญtico na imprensa para ter-se a certeza de que a presidente Dilma continua refรฉm de Lula e das siglas partidรกrias que lhe dรฃo apoio no congresso para preservaรงรฃo da tรฃo apregoada governabilidade. Mas ela tem sido firme no enfrentamento de questรตes em que deve prevalecer sua autoridade de presidente. A tรฃo falada faxina que tem feito nos primeiro e segundo escalรตes do governo tem revelado sua intenรงรฃo de formar uma equipe sua, sem interferรชncia, pelo menos aparente, de seu antecessor e padrinho polรญtico. As recentes nomeaรงรตes de duas figuras polรชmicas mostram como a presidente vai pavimentando seu caminho com pessoas de sua inteira confianรงa. Sua amiga e velha companheira de prisรฃo durante a ditadura, Eleonora Menicucci, empossada na Secretaria de Polรญtica para as Mulheres, foi logo dizendo-se em favor do aborto, das relaรงรตes homoafetivas, da Comissรฃo da Verdade, e de outros temas explosivos, desagradando setores militares e religiosos. Mas, tendo Dilma se posicionado, na campanha eleitoral quando candidata, contrariamente ao aborto, ficou decidido que essa matรฉria รฉ questรฃo de governo e que o entendimento da ministra passa a ser exclusivamente pessoal. Outra nomeaรงรฃo polรชmica foi a de Maria do Rosรกrio para a Secretaria de Direitos Humanos, ambas abertamente favorรกveis ร  apuraรงรฃo dos malfeitos do regime ditatorial.
Episรณdio recente envolvendo uma nota dos Clubes Militares (de militares na reserva) contrรกria ร  nomeaรงรฃo de Eleonora Menicucci desagradou a presidente que, na condiรงรฃo de comandante em chefe das Forรงas Armadas, exigiu retrataรงรฃo dos descontentes. E assim se fez com a interferรชncia apaziguadora do Ministro da Defesa Celso Amorim. O fato, que nรฃo chegou a abalar as instituiรงรตes, ficou circunscrito a um reduto limitado, mas nem por isso alheio ao acompanhamento dos rumos da polรญtica do governo sobre assuntos significativamente controvertidos.
E, assim, a comandante Dilma vai demonstrando que pretende marcar seu nome na Histรณria, talvez sem alimentar rancores ou desforras por fatos passados, mas com a firmeza da verdadeira revolucionรกria que foi e que nรฃo nega suas origens. O tempo dirรก se a primeira mulher presidente do Brasil foi mesmo algo diferente no sentido de mudar conceitos na maneira de governar, ou se sucumbirรก diante de reaรงรตes imprevisรญveis de parcela considerรกvel de setores diversos da sociedade descontentes com ela, com o PT, e com a atuaรงรฃo de rumo sindicalista hoje presente nos mais diversos escalรตes do governo central.

Tito Costa รฉ advogado, ex-prefeito de Sรฃo Bernardo do Campo e ex- deputado federal constituinte de 1988. E-mail: antoniotitocosta@uol.com.br