Editorial

O efeito home office

Com a pandemia prestes a completar um ano, o home office, que foi adotado por muitas empresas, tem aumentado a onda de devoluรงรตes dos escritรณrios e espaรงos fรญsicos.
Segundo dados do IBGE, 7,3 milhรตes de brasileiros (9,1% da populaรงรฃo ocupada) estavam trabalhando de forma remota (ร  distรขncia, home office) em novembro de 2020. Em outubro รบltimo, o percentual era de 9,6% (7,6 milhรตes de pessoas).
A onda de devoluรงรตes de escritรณrios jรก comeรงou e deverรก se agravar neste ano. Segundo a JLL, empresa americana especializada em imรณveis corporativos, a taxa de disponibilidade de espaรงos em edifรญcios corporativos subiu cerca de 50% do primeiro para o รบltimo trimestre do ano passado. O total de imรณveis sem inquilino, que era de 13,6% entre janeiro e marรงo, na prรฉ-pandemia, fechou 2020 acima dos 20%. No Rio de Janeiro, a taxa de vacรขncia jรก chega a 40%.
As devoluรงรตes dos espaรงos fรญsicos nรฃo ocorrem apenas com empresas menores, grupos grandes e tradicionais, como a Latam, os bancos Itaรบ Unibanco e o Banco do Brasil tambรฉm tรชm optado pela entrega de seus escritรณrios. A nova realidade estรก clara: o mercado de trabalho e os profissionais terรฃo um componente forte no pรณs-pandemia, o home office.
Principalmente, em negรณcios que nรฃo dependem tanto da interaรงรฃo com o cliente, o corte dos espaรงos fรญsicos pode ser mais radical. Mas, a expectativa da JLL รฉ de que atรฉ um terรงo da forรงa de trabalho da รกrea corporativa deva, prioritariamente, trabalhar de casa.
Muitas empresas jรก reduziram seus escritรณrios em 40%, 50% e atรฉ 100% e as que jรก devolveram os imรณveis sรฃo porque estรฃo sobrevivendo bem ao modelo home office e a tendรชncia รฉ continuar assim por um perรญodo. Ainda nรฃo dรก para saber se de forma permanente, mas muitos perceberam que conseguem rodar bem assim. Outras, que devolveram seus escritรณrios por uma pura necessidade de caixa. O aluguel com espaรงo fรญsico pode representar de 20% a 30% das despesas de um negรณcio.
Apesar disso, a contรญnua inauguraรงรฃo de novos edifรญcios comerciais em Sรฃo Paulo tende a continuar, desenhando um cenรกrio otimista para um futuro pรณs-vacina. A projeรงรฃo รฉ de que a oferta de espaรงos corporativos suba para mais de 200 mil mยฒ em 2021. Mas, os imรณveis corporativos, que apostavam em grandes metragens para empresas de renome, terรฃo de mudar de estratรฉgia. Isso porque muitas empresas devem reavaliar os espaรงos e, devido a adesรฃo em massa pelo home office, haverรก tambรฉm, a demanda por espaรงos fรญsicos mais flexรญveis e atรฉ mesmo no modelo compartilhado.
Jรก os preรงos de venda e de aluguel de imรณveis comerciais, de acordo com pesquisa FipeZap, tiveram queda de 1,08% em 12 meses no acumulado atรฉ novembro de 2020. Jรก o รndice de Fundos de Investimentos Imobiliรกrios da bolsa (IFIX) terminou o รบltimo ano com variaรงรฃo negativa de -11%, refletindo o aumento da vacรขncia, das devoluรงรตes e tambรฉm a maior inadimplรชncia.
Para 2021, a taxa de vacรขncia continuarรก em ascensรฃo, pelo menos, atรฉ o final deste primeiro semestre, devido ร s devoluรงรตes em negociaรงรฃo e das entregas de edifรญcios que foram postergados para 2021. Mas, em uma visรฃo mais otimista, a depender de como as coisas se desdobrarรฃo, principalmente, em relaรงรฃo ร  vacina e ร  economia, atรฉ pode ser que essa curva comece a cair, no segundo semestre.