O Brasil hospeda em 2025 a comunidade internacional empenhada em salvar a humanidade que se enterra no caos, ao continuar a expelir em quantidade absurda os gases venenosos causadores do efeito-estufa. O mundo inteiro estará prestando atenção a Belém do Pará a partir de novembro. A reunião é da ONU, mas o fato de ter sido escolhida a região amazônica traz enorme responsabilidade ao Brasil. Este, em poucos anos, passou de “promissora potência verde” a “Pária Ambiental”. Quis renegar essa categoria sofrível na avaliação dos que pensam no futuro da humanidade, mas atua de maneira muito preocupante.
Por exemplo: não era para acontecer este ano a liberação de dezenove áreas para exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Nem para aprovar, no Senado Federal, o PL 2159/2021, que é considerado o “PL da devastação”. Desrespeitando Ministério do Meio Ambiente, Fiocruz e organizações da sociedade civil, que alertaram sobre a inconstitucionalidade e derrubada do muro estrutural de defesa do ambiente, os senadores concretizaram a profecia do “Soltar a Boiada”.
Como um grupo de pessoas sensíveis se manifestou recentemente, “um país com a maior biodiversidade do planeta deveria se portar como protetor de suas riquezas naturais. Mas age como se fossem entraves ao desenvolvimento. Perdas imensas nos aguardam”.
O pior é que o Parlamento não ajuda o Brasil, nem deixa que os particulares o façam. O PL 4.870, de 2024, que institui a Política Nacional de Visitação a Unidades de Conservação. Aprovado na Câmara no ano passado, o texto, de autoria do Deputado Túlio Gadelha chegou ao Senado Federal em 20.12.2024 e teve pedido para tramitação de urgência em 26.3.2025. mas, até o momento, já passado meio ano, não tem previsão de chegar a plenário. A urgência advém da previsão de autorização, pelo ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgãos estaduais e municipais do Sistema Nacional de Unidades de Conservação a contratarem instituições financeiras para criar e gerir um Fundo Privado que financie melhorias nessas unidades.
Permitir que a sociedade civil ajude a preservar as Unidades de Conservação não parece importante para o mesmo Senado que libera a autodeclaração para acabar com a cobertura vegetal. É isso o que o Brasil quer mostrar para os visitantes que virão para a COP30?
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