Cultura & Lazer

“Olho no mundo”, de Pedro Martinelli, traz os fatos mais emblemáticos do mundo

Pedro Martinelli: fotojornalista

O célebre fotojornalista Pedro Martinelli lançou, na quarta (27), na Super Banca em Santo André, o livro “Olho no mundo”, sobre suas andanças pelo mundo fotografando, durante décadas, com imagens dos acontecimentos mais marcantes da história mundial.

À Folha, Martinelli contou sobre o motivou a lançar a obra. “Resisti um pouco a fazer esse livro, porque sempre tive muito medo de falar da minha pessoa e sobre o jornalismo, porque o jornalismo sempre acaba indo para essa coisa meio egocêntrica, de aventura, e não é isso, é uma profissão como outra qualquer, mas fui acostumando com a ideia porque o Carlos Maranhão, que é o autor da ideia de fazer o livro foi me provocando ao longo do tempo e fizemos um acordo que era fazer uma experiência. Ele almoçava, uma vez por semana, na minha casa e ele perguntava as coisas, eu respondia e ele gravava. Foi mais de um ano de conversa, em almoços semanais”, conta.

O fotojornalista diz que foi a “habilidade absurda”, em suas próprias palavras do jornalista e escritor da obra, Carlos Maranhão, que trabalhou mais de 40 anos na Editora Abril, como repórter, editor, diretor de redação e diretor editorial, que o convenceu em aceitar o projeto do livro. “Ele me apresentava o que tinha dito, foi indo, acabei, ele soube, com uma habilidade absurda, colocar de uma forma que não ficasse uma coisa egocêntrica, que tinha medo, essa coisa personalista de aventura, do quase morri, do eu, eu eu. Ele conseguiu colocar, de uma forma muito legal que conta a minha trajetória”, revela.

Pedro ainda define o objetivo da obra: “É um jeito de deixar registrado esse mundo onde nós vivemos (as redações) um bom tempo e que mudou rapidamente”.

Copas do Mundo, Olímpiadas, Guerra da Nicarágua, morte do Papa João Paulo I, o incêndio do Joelma, a Amazônia, não faltam fatos e fotos com relatos surpreendentes.

Funeral do Papa Paulo I, Guerra da Nicarágua e a Copa do Mundo de 1982 (Fotos: Pedro Martinelli)

“No livro estão histórias mais emblemáticas, é uma parte das histórias, uma parte pequena, se fossem todas, ficaria uma coisa muito longa, mas eu fiz a cobertura das coisas que eu queria fazer, que tinha vontade de fazer. Óbvio que tinha coisas que não imaginava fazer, como a morte de Papa. Imaginava fazer Copa do Mundo, Olimpíadas, Guerras. Sempre pensei em fazer e consegui fazer”, afirma.

Martinelli diz que nunca havia pensado em cobrir o funeral de um Papa. “Morte de Papa nunca pensei que faria, até porque não morria Papa. Paulo VI ficou 20 anos no papado. Quando ele morreu, fui mandado para lá para fazer cobertura e aí morreu outro em seguida e mais um e praticamente acabei vivendo em Roma, por um período”, explica.

O fotojornalista também relembra momentos marcantes e icônicos de sua trajetória. “Fiz outras coisas importantes de cobertura, da essência do fotojornalista, que são os incêndios dos Edifícios Andraus, Joelma, a Guerra da Nicarágua, enfim, é um histórico de coberturas, que é algo que não se faz mais hoje. Antigamente tinha que se mandar o fotógrafo se quisesse ter alguma foto, hoje, não, tem o celular, qualquer pessoa, em qualquer canto do mundo faz uma imagem e manda para os jornais e para a televisão de graça”, conta. 

Pedro, João, Dayse, Pedro, Manuela e Nicolas Martinelli (Foto: Folha/Marco Aurélio Zerlin)