Jair Bolsonaro completou, na รบltima semana, 100 dias como presidente da Repรบblica. A โlua de melโ, jargรฃo polรญtico para designar esse perรญodo de comeรงo de governo, no qual erros e defeitos sรฃo relevados e perdoados pelos eleitores; se encerrou, sem tanta paixรฃo.
Segundo pesquisa do Datafolha, Bolsonaro, que foi eleito com quase 58 milhรตes de votos, recebeu a pior avaliaรงรฃo apรณs trรชs meses de governo entre os presidentes eleitos para um primeiro mandato desde 1988. Cerca de um terรงo dos brasileiros (30%) considera o governo de Bolsonaro ruim ou pรฉssimo. Outra pesquisa, agora da Ideia Biga Data, que realizou estudo a pedido da revista Veja, apontou que, entre janeiro e marรงo, a parcela dos brasileiros que avaliavam o governo como รณtimo ou bom encolheu de 50% para 38%. Tambรฉm houve aumento no nรบmero de eleitores que consideram o governo regular e passaram a classificรก-lo como ruim ou pรฉssimo, de 22% para 27%. Estima-se, entรฃo, que 15 milhรตes de pessoas que votaram no Bolsonaro deixaram de avaliar o governo de maneira positiva.
Pesquisa Ibope tambรฉm registrou nรบmero semelhantes. De janeiro a marรงo deste ano, a parcela da populaรงรฃo que considera o governo de Bolsonaro รณtimo ou bom caiu de 49% para 34%, queda de 15 pontos percentuais. De acordo com o levantamento, 24% dizem que o governo รฉ ruim ou pรฉssimo. Outros 34% consideram que รฉ regular, e 8% nรฃo souberam avaliar.
Ainda รฉ muito cedo para avaliar o governo, com apenas 100 dias de gestรฃo, mas, verifica-se que a perda de popularidade do atual governo deve-se as frustraรงรตes de expectativas de campanhas como combate ร corrupรงรฃo e ao petismo, reforma conservadora dos costumes, seguranรงa pรบblica, etc. O antipetismo que foi um grande aliado para vencer as eleiรงรตes, nรฃo teve nenhuma utilidade no quesito governabilidade. E a Reforma da Previdรชncia, que pouco figurou na campanha e nรฃo รฉ uma marca pessoal do presidente, acabou desgastando o governo, sem sequer ser ainda aprovada, pois se tornando a prioridade central.
Alรฉm disso, o ativismo em rede social, apesar de manter mobilizada e unida as bases do bolsonarismo, nรฃo geram consenso na populaรงรฃo. Geram polรชmicas, explicaรงรตes e tambรฉm desgastam a imagem do governo. Como, por exemplo, o episรณdio do Carnaval, o infeliz golden shower, que o presidente compartilhou no Twitter, e toda repercussรฃo, inclusive internacional, que o fato gerou. Ou ainda as discussรตes, nas redes sociais, envolvendo os filhos do presidente e ministros do governo.
No Congresso, essa preferรชncia do presidente pela internet, rendeu apelidos como โgoverno bitcoin, o que tem muito capital polรญtico, mas, nรฃo consegue concretizar ideiasโ, ou ainda classificaรงรตes ao governo, como a do deputado Rodrigo Maia (DEM) de โdeserto de ideiasโ.
Fora isso, ainda houve episรณdios bastante antipopulares, como o da comemoraรงรฃo dos 55 anos do golpe militar, e o decreto do fim do horรกrio de verรฃo.
O momento econรดmico brasileiro รฉ altamente crรญtico. O Paรญs possui alto รญndice de desemprego, com 12,4% da populaรงรฃo economicamente ativa, ou seja, 13 milhรตes de desempregados. E uma nova recessรฃo internacional, com data jรก anunciada para comeรงar, maio de 2020, segundo o banco holandรชs Rabobank, com a desaceleraรงรฃo das economias avanรงadas.
Portanto, a ninguรฉm interessa um governo fraco. De nada adianta comemorar o possรญvel fracasso do inรญcio de governo ou criticar o presidente Bolsonaro. Estamos todos dentro de um mesmo trem, chamado Brasil, que se descarrilhar, seremos todos atingidos, seja qual for o partido. O Brasil precisa de uniรฃo, para voltar ao trilho do crescimento.











